No passado dia 21 de Novembro, foi apresentado o CD “Filhos do Coração”, no Museu Colecção Berardo, no CCB. Tal como já tinha noticiado no ano passado, aquando do lançamento do livro, venho agora, com muito empenho, voltar a falar deste projecto de solidariedade da autoria da jornalista da TVI, Alexandra Borges.

Tanto o livro, como agora o CD, surgem a partir da Grande Reportagem da TVI, “Infância Traficada” que, conduzida pela Alexandra e pelo repórter de imagem Júlio Barulho, veio alertar os portugueses para situações que ninguém imaginava existirem em pleno século XXI. Ali, assistímos, impávidos, aos gritos silenciosos de socorro das crianças do Gana, forçadas a trabalhar no Lago Volta, após terem sido vendidas pelos próprios pais aos pescadores locais. Vímos os olhares tristes destas crianças escravas a pedirem a libertação.

Alexandra Borges não podia ficar passiva perante tamanha atrocidade. Foi por isso que, no ano passado, lançou um livro infantil, escrito a meias com o Luís Figo e com ilustrações de Ana Cardoso, intitulado "Filhos do Coração". Parte das receitas da venda desse livro foram entregues à Fundação Luís Figo, permitindo que muitas daquelas crianças pudessem ser entregues a Organizações Não Governamentais que lhes facultam cuidados de saúde básicos, escolaridade, afecto e uma cama. Ainda assim, foi pouco e a Alexandra não cruzou os braços.

Agora, com o apoio da Editora Farol, da TVI, da revista Lux, entre outros, vários cantores gravaram um Hino composto por Tozé Brito e Pedro Vaz, inspirado na reportagem " Infância Traficada". Aos cantores como Luís Represas, José Cid, Adelaide Ferreira, Rita Guerra, Tiago Bettencourt, 4Taste, Gil do Carmo, entre outros, juntaram-se jornalistas como Manuela Moura Guedes, Júlio Magalhães, Ana Leal, apresentadores de televisão e actores como Pedro Granger, Dalila do Carmo, Sandra Celas, Rita Pereira e muitos outros, para entoarem juntos o Hino e darem voz ao sofrimento das crianças escravas do Gana.

O CD, que contém o hino original e ainda 10 temas, que vários cantores cederam, graciosamente, ao projecto, está já à venda, em exclusivo, nas lojas Worten, com o preço simbólico de 3 euros. Metade desse valor reverterá para este projecto de solidariedade. Para que tenham uma ideia, não se paga nada para resgatar uma criança do Lago Volta mas podemos garantir segurança, saúde, alimentação e educação a cada uma destas crianças, o que pode custar cerca de 1000 euros ao ano. Se, por exemplo, retirarmos uma criança com 5 anos do Lago, é necessário assegurar-lhe, pelo menos, os próximos 10 anos de vida e de estudos, o que implica um custo total de cerca de 10 mil euros para que, aos 15 anos, essa criança, a quem foi roubada a infância, se transforme num adolescente independente e feliz.

A Alexandra Borges é jornalista há 20 anos e já fez reportagem nos mais variados cenários de guerra tendo, nesse contexto, visto morrer muitos inocentes. Mas também é mãe há 5 anos e ter assistido, no Gana, à escravização de crianças da idade dos seus filhos, a trabalharem 14 horas por dia, 7 dias por semana, não podia deixá-la indiferente. Como jornalista, cidadã e mãe, sentiu o dever de ajudar. “Eu ouvi o silêncio ensurdecedor que denuncia o sofrimento daquelas crianças e não me vou calar até lhes dar voz”, afirmou. Agora, com os meios que a Alexandra colocou ao nosso dispor, também podemos fazer a diferença. Vamos juntarmo-nos e fazer com que o mundo deixe de ignorar este flagelo, porque é a indiferença que está a matar estas crianças. Comprem o CD! As crianças escravas do Gana agradecem.

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Há 17 anos atrás, os pais de Spencer Elden deixaram-no mergulhar numa piscina na California, para que o submergido fotógrafo Kirk Weddle gastasse um rolo inteiro spbre o bebé nú que nadava debaixo de água. Esta imagem veio a ser utilizada na capa do album “Nevermind”, o segundo LP da banda de Seattle, Nirvana. Uma fotografia que por si só e para além da dimensão do grupo rock, se tornou tão famosa que hoje já faz parte da história da imagética pop.

Recentemente, Elden, agora com 17 anos e um estudante do secundário, contou, em tom humorístico, à MTV que “é um pouco estranho pensar que muitas pessoas me viram nú. Sinto-me como se fosse a maior estrela poron do mundo”.

Provavelemte em jeito de homenagem, Elden recriou a icónica capa do album “Nevermind”, na mesma piscina do Rose Bowl Aquatic Center, em Pasadena, California, onde fora originalmente fotografada. Mas desta vez, ele usava um calção de banho... Ninguém sabe ao certo porque o decidiu fazer, mas naquela época, em 1991, os pais de Elden apenas receberam 200 dólares por terem cedido o filho como modelo.

Aqui ficam as imagens, a original e a mais recente, a fazerem lembrar um mito.

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Mickey tem o par de orelhas mais reconhecido da animação e é o Rato entre os ratos protagonistas de todo o cinema e da banda desenhada. Foi há precisamente 80 anos que um rato de suspensórios chamado Mickey (Mouse) dava os seus primeiros passos, aliás, assobios, na sétima arte, quando a animação "Steamboat Willie" fez sua estreia no cinema Colony, em Nova Iorque. Foi a 18 de Novembro de 1928, pelo que nesta terça-feira que passou, foi considerado o aniversário oficial dos 80 anos de Mickey, a criação mais célebre de Walt Disney.

Parece que Mickey já tinha aparecido antes disso, na curta-metragem "Plane Crazy", feita antes de "Steamboat Willie", mas que veio a estrear-se depois, pelo que não contou. Também dizem que a sua imagem surgiu como uma paródia a um filme de Buster Keaton, dando a conhecer um pequeno roedor preto, de calções com suspensórios e sapatos. Este simpático ratinho, que tem vindo a maravilhar gerações, nasceu com outro nome, Mortimer, mas a mulher de Disney preferia que se chamasse Mickey, e ele acabou por aceitar a sugestão e baptizá-lo assim. Embora este carismático rato tenha sido criado por Disney, quem lhe definiu os traços, que ainda são hoje reconhecíveis em todo o Mundo, foi o desenhador norte-americano Ub Iwerks.

A história de "Steamboat Willie", na verdade, é simples e quase não tem diálogos, mas a sua personagem principal acabou por entrar para a história da animação por causa do som sincronizado do filme, onde Mickey aparece a assobiar ao compasso da chaminé do barco. A sua namorada, Minnie, também apareceu pela primeira vez em "Steamboat Willie". Nesse mesmo ano de 1928, tinham sido exibidos dois outros filmes pioneiros, como "Plane crazy" e "Gallopin Gaucho", mas o primeiro sonorizado e que é dado como o do nascimento de Mickey foi mesmo "Steamboat Willie". Naquela época, Disney encontrou algumas dificuldades para fazer a banda sonora deste seu filme, e acabou por gravar a música com uma banda de 15 instrumentos, utilizando os seus próprios assobios para Mickey.

Na história do cinema de animação e da banda desenhada foram surgindo outras personagens inspiradas em ratos, tais como Jerry do “Tom&Jerry”, o Mighty Mouse, o veloz Speedy Gonzalez, o simpático Stuart Little e o mais recente refinado cozinheiro Ratatui. Contudo, Mickey permanece o mais famoso de todos, e é hoje considerado a personificação de toda a indústria Disney, sinónimo da sua magia e fantasia. Uma verdadeira referência na extensa galeria de personagens de animação. Entre as suas mais conhecidas aparições, temos "The band concert", com Mickey a conduzir uma orquestra durante um furacão ou o grande clássico "Fantasia", onde interpreta um desajeitado aprendiz de feiticeiro.

Em 1930, dois anos depois da projecção do seu primeiros filme, surgiram as tiras de banda desenhada de Mickey na imprensa, com desenhos de Iwerks e mais tarde de Floyd Gottfredson, aquele que viria a redefinir os traços e a personalidade de Mickey. Em 1932, Walt Disney recebeu um Oscar da Academia pelo seu Mickey.

Em Portugal, as histórias do Mickey surgiram, pela primeira vez, a 21 de Novembro de 1935, numa revista intitulada "Mickey", que custava 1,50 escudos e que durou até finais de 1936. Nos anos 50, surgiu uma nova publicação - "Rato Mickey", editada pela Agência Portuguesa de Revistas, mas a verdadeira massificação ocorreu nos anos 80, através dos livros aos quadradinhos Disney provenientes do Brasil. Foi através destes que eu tomei conhecimento desta personagem. Na banda desenhada, Mickey era geralmente tido como detective, que andava sempre no encalço dos Irmãos Metralha ou do Mancha Negra, com a ajuda do Pluto e do seu inseparável amigo Pateta. Foram os primeiros livros que li e que adorei. Por isso, o Mickey tem tido sempre uma grande ascendência sobre mim.

Hoje, com personagens animadas menos "credíveis" a aparecerem na televisão, o Mickey tem sido relegado para segundo plano. Porém, ao longo dos anos, a sua popularidade tem vindo a ser alimentada por uma grande máquina de divulgação, nos mais diferentes canais, quer seja a própria televisão, graças aos Clubes Disney de diversos países, Portugal incluído, quer pela venda de produtos associados e ainda também nos vários parques temáticos Disney. Um mito não morre. Mickey Mouse é uma personagem apelativa e encantadora. Uma das mais importantes do Século XX.

Parabéns, Mickey! O teu “pai” Disney ficaria orgulhoso da tua longevidade e o seu espírito de imaginação e fantasia perduram em ti, seu verdadeiro embaixador.

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Este é já o 22ª filme baseado na história do famoso agente secreto criado pelo escritor britânico Ian Fleming, e o segundo a contar com Daniel Craig - que já encarnara Bond em "Casino Royale" (2006). Traído, nesse “episódio”, por Vesper, a mulher que alguma vez amou, 007 luta agora contra a vontade de tornar a sua última missão num objectivo pessoal. Na sua determinação de descobrir a verdade, James Bond e M (Judi Dench) interrogam o Sr. White, que acaba por revelar que a organização que chantageou Vesper é mais complexa e perigosa do que algum deles podia imaginar. Entretanto, a inteligência forense liga um traidor do MI6 a uma conta bancária no Haiti, onde um caso de identidades trocadas acaba por apresentar Bond à bela e determinada Camille (Olga Kurylenko), uma mulher em busca da sua própria vingança. Camille leva Bond ao encalço de Dominic Greene (Mathieu Amalric), um brutal “homem de negócios” e uma das maiores forças dentro da misteriosa organização. Nesta missão, que o leva a Áustria, Itália e América do Sul, o agente 007 descobre que Greene anda a conspirar para obter o controlo total sobre um dos mais importantes recursos naturais do mundo, fazendo acordos com duvidosas personagens, como o exilado General Medrano (Joaquin Cosio) e manipulando poderosos contactos dentro da CIA e do próprio Governo Britânico. Neste cenário, impregnado de mentiras, traições e assassinatos, Bond tem de se aliar a velhos amigos para descobrir a sua verdade e desmascarar o vilão.

Para muitos, "Quantum of Solace" pode não ser o tipo de filme de James Bond a que estavam habituados, parecendo-se mais com um filme de acção actual, bem ao estilo do "Ultimato Bourne". Mas não terá sido Bourne que foi "beber" inspiracao ao mais famoso gente secreto de todos os tempos? De facto, o 007 que conhecíamos tinha que se modernizar e acompanhar os tempos. Talvez não precisasse de ser tão musculado ou loiro, mas acreditem, que este novo episódio da saga Bond faz as delícias de qualquer aficionado do cinema moderno. E nesse âmbito, trata-se de mais um excelente momento de cinema, feito de puro entretenimento, onde não faltam excelentes sequências de acção e adrenalina, com perseguições alucinantes (algumas delas bem ao jeito de Bond, como a da sequência inicial em automóvel), nos mais variados destinos turísticos.

Daniel Craig encarna bem o papel que o realizador Marc Forster lhe destinou. Pode não ser o 007 inicialmente idealizado por Fleming: onde anda o galã sedutor que Moneypenny idolatrava? Onde pára o humor britânico? E as últimas engenhocas de Q, onde estão? Mas o que lhe falta em charme e "gracinhas" (às vezes, o Bond de Roger Moore era demasiado "palhaço"), Craig compensa com beleza corporal e uma predispoisão para a acçao como antes não tínhamos visto. Bond não poderia ser mais um cliché de si próprio, ao 22º filme. E as bond-girl não decepcionam... Com este novo rumo dado à sua personagem, estou certo de que Feling ficaria orgulhoso, pois só assim 007 pode continuar a perdurar no tempo...

"Quantum of Solace" é, assumidamente, um filme de entretenimento e, ao contrário de Casino, não faz supor existir um terceiro acto, pois acaba com um final esperado, deixando-nos a salivar por mais. Já não me lembrava de um filme 007 tão pertinente e apetecível.

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No final do mês de Outubro, a Timberland deu início à sua promessa – plantar 15.000 árvores. Tal como foi aqui noticiado, através da campanha de 2008 denominada “Declare o seu amor pela natureza”, a Timberland voltou a incidir na premissa de 2007, de plantar árvores em regiões carenciadas do país devido à acção do fogo.

No passado dia 31, começou a plantação de 15.000 árvores na região de Gavião, Portalegre, uma das zonas portuguesas mais afectadas e, por isso, mais necessitada de reflorestação pós-incêndio.
Foram muitos os que participaram nesta bonita tarefa (cerca de 150 pessoas) e o entusiasmo era tal, que nem a chuva que caiu fez arredar pé.

Tal como no ano passado, a Timberland contou com a parceria da ANEFA - Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente. Mais um marco na história desta marca americana que tem vindo a realizar, com sucesso, uma política de responsabilidade ecológica e social em território nacional.

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Um ano e quase dois meses depois, voltámo-nos a encontrar. Foi na passada sexta-feira, no restaurante Rios, em Oeiras.

Mais uma vez, aconteceu um jantar fabuloso, organizado com o intuito de rever antigos colegas de Liceu. Só que, ao invés de ter aumentado o número, de sermos mais a reencontrarmo-nos, apenas comparecemos 7. Portanto, decresceu face ao primeiro encontro. Foi pena, por um lado, mas como se costuma dizer: poucos mas bons. As minhas 6 amigas e eu fizemos a festa!

É sempre bom pormo-nos a par do que uns e outros vão fazendo, de como as vidas se vão encarreirando. Já somam 24, os anos desde que estudámos juntos.

Novamente, despedimo-nos com a vontade de nos encontrarmos mais vezes e de tentarmos trazer mais pessoal para estas reuniões de muito boa disposição.

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A 19ª edição do Festival Internacional de BD da Amadora realizou-se entre os dias 24 de Outubro e 9 de Novembro. “Tecnologia e Ficção Científica” foi o tema central deste ano. É o maior encontro do género, que se realiza no nosso país, que contou com cerca de 27 mil visitantes. Eu incluído. Consta que o FIBDA custou meio milhão de euros para pôr de pé.

O núcleo central deste Festival ficou sedeado, à semelhança da edição anterior, no Fórum Luís de Camões, na Brandoa, local digno de tal efeméride e de fácil acesso. Este ano, todo este espaço da mostra foi pensado e desenhado como um interior de uma nave espacial. Muito bem conseguido, por sinal. Além deste espaço, o FIBDA contou com outros núcleos expositivos noutros lugares do Município, tais como o Centro Nacional de BD e Imagem, a Galeria Municipal Artur Bual e Casa Roque Gameiro, com exposições paralelas.

Esta grande festa de BD contou, na Brandoa, com exposições tão diversas como “A Música e a BD”, "Há vida em Markl", muitas pranchas de originais de autores de BD de que se dedicaram à ficção cientifica, tais como Jean Claude Denis ou Rui Lacas, a presença de autores nacionais e estrangeiros (tal como Maurício de Souza, o autor da Turma da Mónica e do Cebolinha), autógrafos, lançamentos de livros e workshops. Para além disso, continha ainda um espaço comercial, tipo mini-feira do livro de BD, e um espaço infantil, com actividades para os mais novos. Muitas surpresas foram surgindo ao longo dos diversos espaços da grande nave espacial – "Tara McPherson", "Tanino Liberatore", "60 anos de Tex"...

Surpreendente foi também a pequena exposição “Ficção Científica na Nova BD Chinesa”. Como se tratava de ficção científica, houve também lugar para uma pequena exposição, com posters e afins, dedicada à saga Star Wars, que viu o seu último episódio adaptado ao cinema de animação.

Vale sempre a pena ter este contacto directo com o que de melhor se faz em BD, nem que seja uma vez por ano. Por isso, fico à espera da 20º edição.

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Fui assistir à ante-estreia de "Ensaio Sobre a Cegueira" com uma grande antecedência à sua data de estreia, o que não é comum. Tal deveu-se à presença em Portugal do Realizador do filme, Fernando Meirelles e do autor do livro que lhe deu origem, o nosso Nobel, José Saramago. Tudo aconteceu no passado dia 30 de Outubro, nos Cinemas UCI do Freeport, graças à XN Brand Dynamics. Fernando Meirelles, realizador brasileiro, reconhecido internacionalmente e já nomeado para os Óscares (“O Fiel Jardineiro” e “Cidade de Deus”), transportou para o cinema uma das mais reconhecidas obras de Saramago. O filme, esse só o poderão ver a partir desta Quinta-feira. Mas vale a pena!

"Ensaio Sobre a Cegueira" conta a história de uma inédita epidemia de cegueira que se abate súbita e inexplicavelmente sobre os habitantes de uma cidade. Essa "cegueira branca", chamada assim pelas próprias pessoas infectadas, dado passarem a ver apenas uma superfície esbranquiçada ao invés do caracteristico negro da cegueira normal, começa por se manifestar num homem asiático, no meio do aparatoso trânsito. A partir daí, vai-se espalhando, lentamente, por todo o país. Aos poucos e no meio de um pânico geral, todos acabam por ficar cegos e reduzidos a meros seres que lutam pelas suas necessidades básicas, expondo os seus instintos mais primários...

À medida que as pessoas vão ficando infectados pela epidemia da cegueira, elas vão sendo colocados numa espécie de quarentena, pelas autoridades governamentais, alojadas numas antigas instalações hospitalares que carecem de saneamento básico e afins, onde qualquer semelhança com a vida quotidiana começa por desaparecer… No centro desta narrativa, temos uma mulher (Julianne Moore), casada com um médico oftalmológico (Mark Ruffalo), como a única pessoa não afectada pela doença.

O propósito do filme, contudo, não é fazer-nos acompanhar o desvendar da causa da doença ou a sua cura, mas mostrar-nos o desmoronamento de uma sociedade, que acaba por perder tudo aquilo que consideramos civilizado. É, por isso, um filme violento, pois nunca esperamos ver reflectida a verdadeira essência do ser humano, que é intrinsecamente má. Sentimentos humanos como egoísmo, oportunismo e indiferença prevalecem, mas felizmente, também a capacidade de nos compadecermos, de amarmos e de perseverarmos.

Ao mesmo tempo em que assistimos ao colapso da civilização, um grupo de internados, da tal zona de quarentena, tenta reencontrar a humanidade perdida. Cada dia que passa, aparecem mais “cegos” e esta zona de deportados acaba por entrar em colapso, quando um grupo se apodera de uma arma e se sobrepõe aos restantes, racionando-lhes a comida e obrigando-os a cometer os actos mais horríveis e desprezíveis.

Mantendo o seu segredo, a única pessoa que vê guia sete desconhecidos, para além do seu marido, que se tornam, na sua essência, numa verdadeira família. Armada de uma coragem ímpar, ela acaba por os levar para fora da zona de quarentena até às ruas deprimentes da cidade, onde já não restam vestígios de civilização. Depois de algumas adversidades, esta verdadeira heroína acaba por os guiar para um novo mundo de esperança.

Através das personagens principais, a história torna-se num registo da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, das suas emoções e da dignidade que tentam manter. Mais do que poder ver, importa reparar no outro. Só dessa forma o Homem consegue voltar a humanizar. Para além da excelente e viva realização de Fernando Meirelles, o retrato da fragilidade da sociedade que é "Ensaio Sobre a Cegueira", conta com um espectacular e diversificado elenco. Para além de Julianne Moore e de Mark Ruffalo, temos Alice Braga, os asiáticos Yusuke Iseya e Yoshino Kimura, Danny Glover e o mexicano Gael García Bernal.

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