Lidar com a morte de um pai ou de uma mãe pode ser a experiência mais dolorosa na vida de uma pessoa. Na passada quarta-feira, a minha mãe partiu. E desde então, não tem sido fácil lidar com a sua ausência. Aliás, é mesmo muito difícil, ou impossível, superar completamente a sua perda, mas sei que há formas de continuar a honrar a sua memória e, ao mesmo tempo, de voltar a dar rumo à minha vida.

Nesta fase delicada, é preciso dar tempo ao tempo para poder processar a perda. Sobretudo, o vazio deixado. Há seis anos que estava a cuidar da minha mãe, que na sua demência passou a depender completamente de mim. A rotina de cuidar dela passou a fazer parte do meu dia-a-dia, de forma natural. Até ia partilhando imagens nossas, selfies, nas redes sociais, ora como forma de algum desabafo, ora como forma de inspiração, para que outros fizessem o mesmo pelos seus entes queridos. Felizmente, neste percurso, pude contar com algumas pessoas fantásticas sempre que me tinha de ausentar ou em outras situações.

Por isso, nunca pensei sofrer tanto. Pensei antes vir a sentir alívio... mas não! Também pensei que não viria a sentir tanto a sua perda, pois a mãe que eu conhecia já partira há muito. No fundo, este é um segundo luto…

Não sei se existe um período de tempo determinado para a duração do luto. Acho que depende de cada um. A saudade da minha querida mãe não mais deixará o meu peito, mas hoje posso dizer que estou a aprender a conviver melhor com a sua ausência. Pensando que a vida que ela levava, já há muito tempo, não fazia sentido e que agora, finalmente, encontrou a paz e a tranquilidade que tanto ansiava e merecia.

O luto pode estar a chegar ao fim, mas não deixarei de pensar nela. E se a minha mãe ainda pudesse dizer-me algo, estou certo de que me diria para continuar a levar a minha vida da melhor forma possível…












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