Uma cativante Gal Gadot conquista logo na estreia do filme a solo da Princesa Amazona no grande ecrã. A Mulher Maravilha demorou 75 anos a chegar ao cinema, mas graças à realizadora Patty Jenkins e ao carisma da atriz israelita, eis que chega em grande, numa aventura empolgante, fascinante e deveras inspiradora.

Treinada desde muito cedo para ser uma guerreira invencível, Diana (Gadot) nunca saíra da paradisíaca Ilha de Themyscira, onde é reconhecida como Princesa das Amazonas. Orientada pela sua tia Antíope (Robin Wright) nas artes gladiadoras, mas sempre sob o olhar vigilante de sua mãe, a Rainha Hipólita (Connie Nielsen). Quando o piloto espião norte-americano Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai na ilha, ele fala às Amazonas sobre o grande conflito que ocorre no mundo do patriarcado, que conhecemos como Primeira Guerra Mundial. Diana, guiada pelo seu desejo de proteger os inocentes e perante uma guerra sem precedentes, decide deixar o seu lar, no intuito de parar o conflito, certa de que Ares, o deus grego da guerra, está a influenciar o confronto global. E é na luta que empreende para acabar com todas as contendas, que Diana percebe o alcance dos seus poderes e a sua verdadeira missão na Terra.

Este primeiro filme a solo da Mulher Maravilha é deveras bem-sucedido como peça cinematográfica. A realizadora Patty Jenkins (a mesma de “Monster”) entrega-nos uma película que, trilogia “O Cavaleiro das Trevas” à parte, é a melhor adaptação para o cinema de um super-herói da DC. Jenkins realizou um filme divertido, com muito encanto. Embora a trama lide com alguns temas complexos (e, infelizmente, intemporais), tais como o machismo e a propensão humana para a autodestruição, Jenkins fá-lo de uma forma lúdica e sensível, sem tornar o filme absurdo ou demasiado pesado.

Numa combinação de simplicidade narrativa e conotação emocional, este “Mulher-Maravilha” oferece momentos doces, outros de tremenda acção, dando espaço para cenas muito divertidas, como o contraste entre a princesa guerreira e o mundo conservador da urbe. O choque que Diana sente frente às regras sociais dirigidas às mulheres - restritas por roupas e sem direito a intervenção ou opinião - expõe o ridículo da situação da época, mas sem assumir uma postura rígida.

Há ainda um factor extra, raro nos dias de hoje: não é preciso assistir aos filmes anteriores do universo da DC para se poder embarcar na história, tratando-se de uma aventura completa, com começo, meio e fim.

A Princesa das Amazonas contava apenas com uma série de TV protagonizada por Lynda Carter na década de 1970, mas agora Gal Gadot, ex-miss, ex-recruta do exército Israel, ex-modelo e ex-estudante de Direito, veio dar vida à heroína do novo universo cinematográfico da Warner/DC. Forte, feminina e fascinante, a Mulher-Maravilha finalmente ganhou uma representação à altura nos cinemas, 75 anos depois da sua estreia na BD. Já era altura de ter um filme só seu. E de as meninas, tal como os rapazes que cresceram a admirar o Batman ou Super-Homem, terem um modelo de super-herói a seguir. A princesa das Amazonas só precisava mesmo de um oportunidade para mostrar o que podia fazer nos cinemas. E vocês não a podem perder!



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