É verdade, há já algum tempo que não "postava" nada no meu blog, mas tal deveu-se a umas curtas e fantásticas férias a bordo de um cruzeiro.

Porém, neste entretanto de tempo, eis que uma edição nova da revista de luxo com a qual colaboro, a F Luxury Magazine, viu a luz e saiu para as bancas em Portugal e Angola. E traz na sua capa, nada mais, nada menos, que o nosso maior expoente do fado e da música portuguesa em geral – Mariza. Porque, como Fátima Magalhães bem atesta no seu editorial de abertura “F is for… the Finest!” ou seja, para o melhor, a excelência.

Uma edição de final de ano com uma das maiores cantoras vivas do mundo lusófono como figura de proa, Mariza tal como Amália, dispensa apresentações. A sua voz parece que carrega em si toda a alma portuguesa. Com o Natal prestes a chegar, não poderia ser um melhor presente para nós.

Já a pensar na quadra natalícia que se avizinha, esta nova revista vem recheada de fantásticas sugestões: joias portuguesas, um shopping variado e tendências de moda a condizer.

E já a preparar-nos para o réveillon, oferece-nos artigos sobre os melhores lugares para passar a meia-noite e a história das melhores marcas de champanhe. Se evasão for o que pretendermos, então propõe-nos viagens de final de ano, tais como destinos para praticar desportos na neve e a terra eterna do Pai Natal, na Finlândia.

Num outro registo, sugere-nos as melhores casas de Fado de lisboa e, em jeito de balanço de 2018, faz-nos refletir sobre o conceito da felicidade. Ambos artigos da minha autoria. Espero que gostem…

Toda uma edição repleta de muitas e belas sugestões do melhor em lifestyle, a última deste ano. Para o ano há mais!


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D de Arte? Sim! Quando Zé Diogo e Diamantino Jesus montaram a DDiArte em 1999, era apenas, na época, uma oficina de pintura onde reuniam o melhor de ambos para os propósitos de criação, no caso, pintura sobre tela. Em 2003, após várias experiências no campo e na fotografia digital, descobriram os meios ideais para expressar a sua criatividade: fotografia digital artisticamente retocada.

Dentro do contexto da historiografia da arte, o uso da fotografia, e mais especificamente, do retoque de fotografias, não é novidade. E a dupla pretendia inovar um pouco, sobretudo em termos dos temas em que se baseiam. Independentemente do facto de que sua principal fonte de inspiração é a mitologia, temas da atualidade ou outros que são simples fruto da sua criatividade, os seus trabalhos permanecem cheios de detalhes, de símbolos, de imagens, numa tentativa de cativar, mas principalmente, numa tentativa de estimular o pensamento crítico de quem os vê.

Embora parte do seu trabalho possa ser visto como satírico neste nosso mundo globalizado, mas ainda assim, repleto de diferenças, outros exemplos podem ser vistos como puramente cénicos, apenas para serem contemplados à vontade. Se alguns gritam contra a discriminação, ao mesmo tempo prestam indelével homenagem à beleza.



A dupla é oriunda da ilha da Madeira: Diamantino nasceu em Fevereiro de 1969 e Zé Diogo nasceu em Março de 1966. O primeiro, desde a infância demonstrou grande interesse pela arte, revelando enorme talento para a pintura e desenho. Após a licenciatura em Arte e Design pela Universidade da Madeira foi estudar dois anos de restauro em Pamplona, Espanha. Zé Diogo, igualmente desde muito cedo revelou talento para a pintura e desenho, mas também um grande interesse por ciência e tecnologia. Acabou por licenciar-se em Engenharia Química pelo IST, em Lisboa. Juntos desde 1999, estes artistas, ao criarem a DDiArte, passaram a dedicar-se à pintura, realizando exposições colectivas e individuais, assim como pinturas da sua autoria em tectos de igrejas. Em 2003, surgiu o interesse pela fotografia digital, e como autodidactas que eram nesta área, produziram obras de grande qualidade, consideradas como obras de arte, algumas das quais premiadas a nível mundial.

De facto, estes mentores da Ddiarte já são vencedores de uma infindável lista de prémios, tais como primeiro prémio atribuído em Paris, pela revista francesa PHOTO e uma companhia telefónica francesa, seis meses após se terem iniciado na fotografia. Este primeiro reconhecimento foi o mais marcante e aquele que lhes indicou que estavam no caminho certo, mas houve realmente muitos outros prémios que se destacaram.



Embora gostassem de viver em exclusivo da sua arte, infelizmente Diamantino e Zé Diogo não podem dedicar-se exclusivamente à fotografia, mantendo as suas profissões: Diamantino continua a ser professor e Zé Diogo prossegue como engenheiro químico, mas com horários reduzidos, caso contrário não daria para conciliar tudo.

Ao fim de quase 15 anos de actividade, o balanço é super positivo! A dupla, quando começou, nunca sonhou chegar onde chegou, com tantos prémios e reconhecimento a nível internacional. E com inúmeras obras para nos deleitar…



Podem acompanhar mais o seu trabalho aqui:
www.facebook.com/ddiarte
http://www.ddiarte.photography


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Já viram que ideia fantástica esta de alimentar o mundo e acabar com as invasões desses seres? Tal até é possível se nos acostumarmos com o seu sabor...

Escondida entre as dunas do sudoeste da província de Buenos Aires, a localidade litoral de Monte Hermoso ferve de atividade: é verão, e as praias do local transbordam de turistas. Crianças correm para construírem castelos de areia, mulheres e homens repousam sobre as espreguiçadeiras com as suas peles reluzentes de protetor solar e loções bronzeadoras... A cena não é muito diferente de outros destinos de praia ao redor do mundo, como a nossa, excepto por um pormenor específico: por mais que a temperatura suba, as águas azuis profundas permanecem vazias. Banhistas, surfistas ou “caiaquistas”: ninguém ousa estar no mar. Tal deve-se porque sob a superfície do oceano, grandes aglomerados de criaturas transparentes e com tentáculos aguardam. Em terra, a situação pode parecer sob controlo, mas aventurar-se apenas alguns passos dentro daquela água implica estar até ao joelho em território de medusas.

A olindias sambaquiensis (ou água-viva) é um predador aquático e translúcido. O seu pequeno corpo chega, geralmente, a ter 9-10 centímetros de diâmetro e é dotado de 38 tentáculos capazes de provocar uma dolorosa queimadura. É uma das 689 espécies de medusas que habitam a região sudoeste do oceano Atlântico; na Argentina, tal como nos Açores, só se utiliza uma palavra para se referir a qualquer uma delas, sem distinção: água-viva. Todos os verões, entre 500 e 1.000 casos de queimadura de medusa são registados em Monte Hermoso. É o lugar do país em que a queimadura de medusa é mais provável, mas não o único. Os bancos de medusas já obstruíram redes de pesca, interromperam operações de pesca marinha e provocaram breves momentos de pânico em praias de lugares tão diferentes como Inglaterra, Japão e o mar de Azov. Em anos recentes, dezenas de fábricas nucleares ao redor do mundo tiveram de fechar as suas operações devido à proliferação espontânea de medusas: os mesmos encanamentos que sugam a água de refrigeração podem aspirar medusas em quantidades industriais. Os barcos de grande porte também ficam expostos a elas. Em 2006, o USS Ronald Reagan, um porta-aviões nuclear, ficou momentaneamente fora de serviço depois de atravessar um banco de medusas.


A explosão das medusas em todo o mundo deve-se a uma série de factores inter-relacionados. Uma das principais causas é o excesso de pesca dos seus predadores naturais, como o atum, o que, ao mesmo tempo, elimina a concorrência pelo alimento e o espaço de reprodução. Em paralelo, diversas actividades humanas em regiões costeiras também ajudam a explicar o fenómeno pois é ali que enormes quantidades de nutrientes são atiradas ao mar (em forma de resíduos agrícolas, por exemplo), produzindo grandes explosões de populações de algas e plâncton, que consomem o oxigénio da água e acabam por gerar as denominadas zonas mortas. Não muitos peixes e mamíferos aquáticos conseguem sobreviver nelas, mas as medusas sim. E, além disso, encontram no plâncton uma fonte de alimentação abundante e ideal. Quando as populações de medusas conseguem estabelecer-se, as larvas de outras espécies acabam por fazer parte do seu cardápio, desequilibrando a cadeia trófica.

As medusas são, além disso, um dos poucos vencedores naturais da mudança climática, já que o seu ciclo reprodutivo é favorecido pelo aumento da temperatura nos ciclos oceânicos. Mas, infelizmente, há ainda mais factores. Existem evidências de que certas espécies de medusa se reproduzem com mais facilidade junto a estruturas costeiras artificiais, como embarcadouros e cais. Por isso, é difícil perceber se os esforços para deter, ou até reverter a alteração climática, representam uma solução à crescente presença de medusas nos mares, pelo menos enquanto continuemos a gerar problemas em ecossistemas costeiros e cadeias alimentares marinhas.

Até agora houve várias tentativas para contrapor o efeito das medusas em vários lugares do mundo. Por exemplo, o uso de redes no Mediterrâneo, trituradoras de aço nas quilhas de porta-aviões na China e o uso de robôs assassinos de Coreia do Sul. Mas nenhuma dessas tentativas oferece uma solução real para o problema: as redes acabam por prender tudo o que se move (colocando outras espécies marinhas em risco), e tanto os esforços chineses como os sul-coreanos focam-se mais na proteção de activos estratégicos (barcos, fábricas de energia) do que em abordar as causas sistémicas da proliferação das medusas.


No entanto — e não muito longe de Monte Hermoso — um cientista avança com uma ideia bem mais interessante: se queremos resolver o problema das medusas, temos de parar de vê-las como um mal e começar a vê-las como comida.
Agustín Schiariti possui o seu escritório no Instituto Nacional de Desenvolvimento Pesqueiro (INIDEP), cuja sede central fica em Mar de Plata, cidade portuária que é também o destino de verão mais popular da Argentina, a algumas centenas de quilómetros a leste de Monte Hermoso. O prédio do instituto eleva-se sobre um enorme quebra-mar que separa a base de submarinos da cidade da luxuosa faixa litoral conhecida como Praia Grande. Nele, dezenas de cientistas e estudantes de doutoramento trabalham em projetos de ciências marinhas aplicadas, que vão desde o controlo por satélite do mar argentino até ao desenvolvimento de programas piloto de pesca para espécies como o peixe-limão e o polvo. Aqui, no âmbito do programa de Ecologias Pesqueiras, Schiariti lidera a investigação sobre medusas.

“As regiões costeiras de todo o mundo viram muito desenvolvimento nas últimas décadas. Instalámos fábricas nucleares e de outro tipo, construímos hotéis e resorts para turistas”, diz Schiariti. “Destinámos recursos a uma infinidade de lugares que antes tinham visto pouco ou nenhum desenvolvimento, e poucos anos depois notámos que quase todos os verões uma enorme quantidade de medusas aparece nestes locais, ou nas proximidades de uma fábrica de dessalinização que fora instalada há menos de uma década.” Este cientista não considera que a mudança climática sirva de explicação para a proliferação de medusas em todo o mundo e, apesar de o fenómeno ser visto como uma maldição para muitos, também pode ser percebido com uma bênção. “A proliferação torna-se um problema no planeta, porém, em paralelo, há várias formas de podermos beneficiar disso. A produção de alimentos é, talvez, a mais realista e viável de todas”, defende.


Schiariti, também professor universitário, está a estudar há 15 anos as populações de medusas. A sua experiência de campo, no contexto da explosão demográfica global, levou-o a promover a medusa como possível fonte de alimentação. Para começar, é importante reconhecer que a medusa tem valor algum nutricional. São, basicamente, “proteínas, água e sal, com quase nenhum conteúdo gorduroso”, explica. “Não as consideraria um prato principal, mas funcionam muito bem como acompanhamento de outros preparos”. E prossegue: “tive a oportunidade de experimentar medusa em várias circunstâncias e pratos ao longo dos últimos anos. Tem uma textura estranha, pelo menos para os meus padrões: macia e crocante ao mesmo tempo. E isso é possível? Em relação ao sabor, não é tão mau quanto se possa imaginar. É salgada, com um sabor suave, quase como um rebento de soja. Certamente não é o que há de mais inesquecível de se provar, mas também não é o pior.”
Schiariti quer que as pessoas (na Argentina e também fora dela) se ponham no lugar de quem já consome medusa, em países como China, Japão, Indonésia e Tailândia. “No Ocidente, os consumidores não pensam na medusa como comida e os pescadores consideram-na uma presa inútil, no melhor dos casos. Mas não é assim em todo o mundo”, reforça. “No leste da Ásia, a medusa faz parte do cardápio há décadas. É consumida em sopas, petiscos e saladas, entre outras formas. Nem todos na Ásia a consomem da mesma maneira, nem as mesmas espécies que os chineses. Essa é uma prova de que a medusa é capaz de cruzar barreiras culturais e, ainda assim, ser considerada uma fonte valiosa de alimento em locais muito distintos”. Mas calma, não se exaltem, pois nem tudo é otimismo… Schiariti suaviza o seu entusiasmo e concorda que apenas 20 espécies, das milhares que existem, são requisitadas por esses países, e por isso a pesca de medusas estaria limitada pelo gosto dos consumidores.

De qualquer forma, Schiariti argumenta que o desenvolvimento de uma pesca de medusa poderia ajudar os pescadores artesanais do planeta, oferecendo-lhes uma fonte extra de recursos. A Argentina, por sua vez, conta com uma das plataformas marinhas continentais mais extensas do mundo e é nesse tipo de águas que as medusas proliferam. Os futuros benefícios que tal pesca pode trazer, porém, estão ligados à disponibilidade de investimentos e educação na matéria, e é aí, segundo Schiariti, que se apresenta um dos maiores desafios.


Será mesmo possível virmos a comer medusas, alforrecas e afins? O nosso gosto é construído, temporal e subjetivo. Fatores sociais, económicos, culturais e religiosos influem nas nossas dietas e contribuem para fazer do gosto um conceito difícil de definir, com infinitas ramificações. Há quem deguste comidas como insectos ou testículos de boi, porque não estes seres gelatinosos? O prazer é, também, um conceito flexível, e quando está associado à comida pode assumir várias formas. Para uns, poderá estar representado por um tomate livre de pesticidas; para outros, será a costela de um animal caçado por eles próprios. Por isso, as comidas pouco comuns têm a capacidade de ocupar o tipo de função simbólica ocupado pela arte, por exemplo, na transformação da aversão em prazer, do desgosto em delícia. Será? Só o futuro o dirá…


(feito com base num artigo do El País)

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