O artista e designer chileno Sebastian Errazuriz, atualmente a viver em Nova Iorque, usa estampas e esculturas modeladas impressas em 3D para retratar o estilo greco-romano e criar um panteão das atuais forças tecnológicas polarizantes. “The beginning of the end”, com curadoria de James Salomon, será o primeiro dos trabalhos escultóricos de Errazuriz em solo americano. A exposição estará patente entre 1 e 24 de maio de 2019 no Elizabeth Collective, em Nova Iorque.

O trabalho de Errazuriz procura comentar as possíveis repercussões da tecnologia na sociedade actual. O artista passou os últimos 5 anos a acompanhar o impacto da tecnologia na economia social, geopolítica, nano robótica e biotecnologia. E chegou à conclusão que 50% dos empregos atuais serão deslocados pela automação na próxima década, criando uma onda de conflito global. Imaginado como uma espécie de aviso, “The beginning of the end” apresenta esculturas que retratam a nova mitologia de personagens que estão a moldar o nosso futuro, como Jeff Bezos, Elon Musk e Mark Zuckerberg.

No panteão de líderes tecnológicos de Errazuriz, Jeff Bezos é imortalizado numa pose napoleónica, reflectindo sobre o crescente poder de corporações como a Amazon. Descrito pelo artista chileno como um "profeta", Steve Jobs é visto a debruçar-se sobre o seu smartphone como uma interpretação moderna de "O Pensador", de Rodin.

Para "The Beginning of the End", Errazuriz teve, em primeiro lugar, de colectar imagens das personalidades tecnológicas que pretendia retratar. Depois, teve que construir modelos 3D para fazer as esculturas finais, que também foram impressas em 3D em resina.



"Tive que esculpir da mesma maneira que se estivesse esculpir na vida real, mas usando o cursor do computador e do mouse para empurrar e retirar os wireframes", disse ele à revista “Wired”. Ora, apreciem lá o seu magnifico trabalho… Podem ver mais do artista aqui: www.meetsebastian.com

Fundador da Apple, Steve Jobs como “The Prophet”



Fundadores da Google, Larry Page e Sergey Brin juntos numa estátua intitulada “The Great Oracle”



Elon Musk é uma estátua alada chamada “Exile and Escape”



CEO da Amazon e o homem mais rico do mundo, Jeff Bezos surge imponente em “The Corporate Nation”




O denunciante da NSA, Edward Snowden, aparece em ““The Collapse of the Resistance”



O Presidente americano Donald Trump surge com o Presidente russo, Vladimir Putin e o Presidente chinês, Xi Jinping em “The Police State”



O busto do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, está adequadamente intitulado de “The New Opium”






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Connosco a consumir demasiada produção de animais, como carne, lacticinios, foie gras e assim por diante, ninguém realmente pára para pensar sobre as condições em que esses animais vivem. Animais mantidos em quintas, muitas das vezes, são apenas um fio de cabelo nos casos de crueldade animal exsitente, em que as suas condições de vida são os requisitos mínimos para os manter vivos. O mesmo se passa para alguns animais de companhia, onde são comprados apenas para entretenimento humano e depois abandonados ou maltratados, ou animais selvagens que são alvos de desporto...

Agora, imaginemos um universo paralelo onde os animais domésticos eram a espécie dominante, e eles nos tratassem como a raça humana os trata. Muito assustador, verdade? Bem, este é o tema desta chocante série de ilustrações que vos apresento e que foram projectadas para nos levar à questão do abuso de animais. A lista apresenta muitos cenários de violação de direitos dos animais aos quais provavelmente nos podemos relacionar. A única diferença é que humanos e animais estão com os papéis invertidos.

Algumas das ilustrações eram tão impressionantes que eu nem as coloquei, mas ainda assim ficam avisados... porém, espero que elas ajudem a olharmos para o assunto de uma perspectiva totalmente diferente. Porque, como sabem, com o meu blog, também pretendo não deixar passar em branco assuntos que nos fazem reflectir, questionar, rir, emocionar ou incomodar.

Fonte: http://www.boredpanda.com

Rinoceronte arranca nariz



Touro a praticar um "desporto"



Melhores amigos (desde que um deles fique acorrentado lá fora)



A deixar mais gordinhos (para agradar ao paladar)



Raposa desfila última tendência



"Odeio a maneira como eles gritam quando são fervidos"



"Se ele está a cantar, significa que está feliz"



"E agora, o recheio..."



Troféus de caçada



Testes de laboratório



Selfie mortal



A vingança do leão Cecil (para quem não se lembra, o leão protegido que foi morto por um dentista)



Num universo paralelo (os gatos resgatariam os bombeiros)



Domadores de pessoas (diga não aos circos que exploram os animais)



"Este casaco com pele humana está tão na moda"



Sem palavras



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Com uma estratégia nunca antes vista, Madonna conseguiu a proeza de lançar um novo single em plenos anos 2000 sem qualquer download. "Medellín", a parceria com Maluma, já anda a soar por aí e foi lançada simultaneamente em todo o mundo à hora marcada. Portanto, sem "vazamentos" e na hora certa, Madonna divulgou a primeira música do seu novo álbum, "Madame X".



Confesso que já tinha saudades de uma nova música da minha adorada Lady M. Tenho estado a ouvir, ultimamente, uns sons mais tranquilos, como "Canadian Drip" de Hex, "Needed Time" de YXng Bane, "Arms around you" de XXXTentación e Lill Pump (feat. Maluma e Swae Lee) ou "Better" de Khalid, ou de outros mais latinos, como J.Balvin e Luis Fonsi, fruto da minha "costela" venezuelana. E vem Madonna com uma música que parece aglomerar tudo o que tenho andado a ouvir, mas com um som totalmente novo. Top! A Rainha da Pop trouxe um ritmo caliente, sem ser o reggaeton da moda, algo inusitado. Bom, na época, houve o seu "La Isla Bonita", quando ainda nem havia a febre de ritmos latinos. Mas por "Medellin" vemos que Madonna está apta a enveredar por novos estilos.



Por exemplo, irá haver batidas portuguesas e um som mais brasileiro, com a participação de Anitta. Elas gravaram juntas a música "Faz Gostoso" para o álbum, mas a canção não é original. Trata-se de uma regravação do funk português com o mesmo nome, gravada em 2018 pela cantora Blaya, brasileira, nascida em Fortaleza, mas criada em Portugal desde bebé. Madonna, como passou mais de um ano a viver em Lisboa e a se inspirar pelo som de cá, ao gostar muito da canção, resolveu regravá-la. Porém, este "Faz Gostoso" na versão de Madonna, mantendo uma base funk, será mais pop.



"Madame X", o aguardado 14º álbum de estúdio de Madonna, tem o lançamento marcado para 14 de junho. Serão 15 músicas no total com algumas parcerias. Entretanto, a MTV anunciou que Madonna estará ao vivo amanhã, dia 24 de abril, num especial de meia hora para promover oficialmente o seu novo trabalho. Também amanhã, exactamente uma semana após o seu lançamento, ocorre a estreia mundial do vídeo do single "Medellín".

Influenciado criativamente por estar a viver em Lisboa ao longo dos últimos dois anos, "Madame X" é uma coleção de 15 novas canções que celebram o romance de longa data de Madonna com a música e cultura latina, assim como outras influências globais. Cantado em Português, Espanhol e Inglês, os destaques do álbum incluem "Medellín", que foi co-produzido por Mirwais e capta o espírito da cidade natal de Maluma, a música hino "I Rise", as vibrações dancehall jamaicanas de "Future" com Quavo e co-produzido por Diplo, assim como sonantemente inovador Mirwais produziu "Dark Ballet". Gravado ao longo de 18 meses entre Portugal, Londres, Nova Iorque e Los Angeles, Madonna colaborou em "Madame X" com o produtor de longa data Mirwais, bem como com os produtores Mike Dean e Diplo, entre outros.



"Lisboa é onde o meu disco nasceu", diz Madonna. "Eu encontrei a minha tribo lá e um mundo mágico de incríveis músicos que reforçaram a minha crença de que a música em todo o mundo está verdadeiramente conectada e é a alma do universo". E numa recente entrevista para a Vogue italiana, Madonna também defendeu que "(em Lisboa) acabei por conhecer muitos músicos incríveis, e acabei por trabalhar com alguns desses músicos no meu novo disco, então Lisboa influenciou a minha música e o meu trabalho. Como não poderia? Eu não vejo como eu poderia ter passado por este tempo sem me absorver por toda esta cultura". E prossegue "(tal) é também um bom antídoto para o que está a acontecer no mundo da música actual, onde tudo é tão estereotipado e cada música tem 20 artistas convidados e todos parecem iguais. Alguém tem que ceder", conclui. E a julgar pelo seu primeiro single, Madonna cedeu bem, sem se repetir.



"Madame X" virá em duas versões: standard e deluxe. Uma versão do CD da loja Target contará com a versão deluxe do "Madame X" e duas faixas adicionais. Para além disso, uma variedade de pacotes especiais de "Madame X" com merchandising limitado e exclusivo, bem como versões especiais de vinil do álbum, também estarão disponíveis.

Aqui fica a lista de canções de "Madame X" (standard e deluxe):
1. Medellín ft. Maluma
2. Dark Ballet
3. God Control
4. Future ft. Quavo
5. Batuka
6. Killers Who Are Partying
7. Crave ft. Swae Lee
8. Crazy
9. Come Alive
10. Extreme Occident (apenas na versão deluxe)
11. Faz Gostoso ft. Anitta
12. Bitch I’m Loca ft. Maluma
13. I Don’t Search I Find
14. Looking for Mercy (apenas na versão deluxe)
15. I Rise



Voltando a "Medellín", em menos de 24h o novo single conquistou o primeiro lugar em 15 países através do iTunes (Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Eslováquia, Espanha, Finlândia, Grécia, Itália, Líbano, Lituânia, México, Polónia e Roménia). E no Youtube, o seu audio vídeo chegou a 6 789 645 visualizações. É obra!



"Medellín" pode acabar por ser um momento maior para Maluma do que para Madonna, mas segundo críticas no que diz respeito às aventuras recentes do ícone pop, a música fica mais perto do topo do que do fundo. Defendem que "é mais sonoramente contida do que na sua fase de EDM, deixando espaço na produção para pormenores tácteis que funcionam". A meu ver, Madonna já não tem de provar nada e "Medellín" é uma canção sexy e elegante. Quero mais!!!

Para mais, visitem:
www.madonna.com
www.instagram.com/madonna
www.twitter.com/madonna
www.youtube.com/madonna

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Cinco décadas após o primeiro “Dia da Terra” assinalado nos Estados Unidos, a humanidade, ao invés de evoluir, mais do que triplicou a extracção de recursos naturais do planeta, em actividades que só por si contribuem em 90% para a perda de biodiversidade e são responsáveis por quase metade das emissões de CO2. Estima-se que o Homem tenha impactado 83% da superfície terrestre e a Terra perdido 40% dos seus animais desde 1970. Tristes números, em pleno século XXI…

De facto, há quase 50 anos, cidadãos norte-americanos saíram para as ruas em defesa do planeta, numa data que hoje é assinalada globalmente. E há dez anos, a ONU reconheceu o dia 22 de Abril como dia da Mãe Terra, porém a humanidade carece em olhar para o globo como uma progenitora digna do nosso carinho e cuidado. Por isso, o dia é da Terra, mas somos nós, os humanos, que estamos sob foco, por negligenciarmos, por não querermos saber, por sermos responsáveis por todos os males, desde o desaparecimento de animais ao desgaste de recursos do planeta. Segundo dados divulgados pela associação ambientalista Zero a propósito da efeméride de hoje, a situação ambiental no nosso planeta tem-se alterado de forma alarmante desde 1970, ano em que o Dia da Terra começou a ser celebrado: segundo esta associação, por exemplo, 40% dos animais do nosso planeta estão dados como desaparecidos desde aquele ano.



De acordo com a Zero, o nosso planeta enfrenta “a maior taxa de extinção desde que perdemos os dinossauros há mais de 60 milhões de anos”. O motivo? Nós, os humanos e as nossas adversas actividades. “Alterações climáticas, desmatamento, perda de habitat, tráfico e caça furtiva, agricultura insustentável, poluição e uso de pesticidas”, são algumas das causas humanas para a diminuição da biodiversidade apontadas pela associação, que faz o apelo para que o Dia da Terra deste ano seja celebrado a pensar na protecção das espécies.

Mas, infelizmente, não ficamos apenas por aqui. Ainda, segundo a Zero, temos outro tipo de impacto no planeta: 40% dos animais marinhos também desapareceram e as populações de insectos e de animais de água doce diminuíram 75%. E acresce-se o facto de 40% das 1,1 milhões de espécies de aves do mundo estarem em declínio. Tudo isto desde 1970. Uma triste estatística que é ainda concretizada com um outro número fatídico: estima-se que os seres humanos tenham impactado 83% da superfície terrestre, desde ecossistemas a espécies de animais.



A Zero também se debruçou particularmente sobre para Portugal e defende que o país tem um “conhecimento insuficiente dos seus valores naturais” e que existe “uma política pública sem objectivos estabelecidos para a conservação das espécies”, continuando com legislação por publicar nesta área.

É, por isso, necessário e imperioso educar e sensibilizar para a taxa acelerada de extinção de milhões de espécies e as causas e consequências desse fenómeno. Entre alguns alertas, a Zero defende que é preciso "alcançar grandes vitórias políticas que protejam grandes grupos de espécies, bem como espécies individuais e os seus habitats" e também "construir e participar num movimento global que abrace a natureza e seus valores". E outra das ideias defendidas pela associação é a de "incentivar acções individuais, como a adopção de dieta baseada em vegetais e a interrupção do uso de pesticidas e herbicidas".

"Se não agirmos agora, a extinção pode ser o legado mais duradouro da humanidade", considera a Zero. Uma chamada de atenção alarmante e preocupante que temos de reter...

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“A Maldição da Mulher que Chora” (The Curse of La Llorona), que chegou na passada quinta-feira aos cinemas, marca mais um episódio no universo “The Conjuring”. Embora não haja qualquer ligação com os Warren (o casal que investigou Annabelle e Valak nos filmes “Invocação do Mal”, os quais posteriormente tiveram os seus respetivos spin-offs), e no final não haja uma cena pós-créditos a sugerir continuidade, ao contrário de “Annabelle” e “A Freira”, a conexão é feita de forma mais sutil e subjetiva. A personagem Padre Perez (Tony Amendola) é a confirmação do vínculo com a saga “Invocação do Mal”, pois ele também já esteve presente em “Annabelle” e confirma a sua experiência com a boneca possuída num diálogo. Portanto, é possível contextualizar o filme no universo da saga através deste sacerdote, que certifica que este episódio de terror situa-se a meio da timeline de Conjunring, posicionado logo após “A Freira”, “Annabelle” e “Annabelle 2: A Criação do Mal”, porém antes de ambos “Invocação do Mal”.

Quanto ao filme em si, La Llorona é uma aparição horripilante, suspensa entre o céu e o inferno, aprisionada a um destino terrível que ela mesma selou. A simples menção do seu nome tem aterrorizado gerações no mundo inteiro. Em vida, ela afogou os seus filhos num ataque de ciúmes, atirando-se em seguida para as águas agitadas do rio, debulhando-se em lágrimas... Agora, ela chora eternamente. As suas lágrimas são letais e aqueles que ouvem o seu lamento durante a noite, um verdadeiro chamado para a morte, estão condenados. A Llorona espreita nas sombras e captura crianças, na ânsia de substituir os seus próprios filhos. Com o passar dos séculos, o seu desejo se tornou mais voraz… e os seus métodos mais aterrorizadores. Na Los Angeles dos anos 1970, a Llorona assombra na noite – e apavora as crianças. Ignorando o alerta de uma mãe (Patricia Velásquez) suspeita de colocar os seus filhos em risco, uma assistente social e os seus próprios filhos são envolvidos num assustador cenário de sobrenatural. Criando os seus dois filhos sozinha depois de ser deixada viúva, Anna (Linda Cardellini) começa a ver semelhanças entre um caso que está a investigar e a entidade sobrenatural La Llorona (Marisol Ramirez). A sua única esperança de sobreviver à sua ira mortal reside num padre (Raymond Cruz) desiludido e no misticismo que ele pratica para manter o mal afastado, na zona onde o medo e o destino se chocam. Cuidado com os seus lamentos... nada a impedirá de atraí-lo à escuridão, pois não há alento para o seu sofrimento e nem piedade para sua alma. E não há como escapar da maldição da Llorona. Agora, ela chora eternamente, capturando outras crianças para substituir os seus filhos.



Neste filme, existe algo bem mais assustador do que a própria figura de La Llorona. A aterradora personagem é uma mãe que matou os próprios filhos, em vingança simbólica contra o marido adúltero, e inconsolável e enlouquecida, procura apropriar-se dos filhos alheios. Aqui, a figura da mãe, símbolo máximo de cuidado e protecção para a maioria das sociedades, converte-se em perigo para os mais pequenos. O choro de dor desta Medeia mexicana é real, não uma mera armadilha para seduzir as criancinhas. Ora, a compaixão das pessoas diante de um choro distante – ou seja, o que nos torna humanos capazes de empatia -, é o mesmo elemento que as coloca em risco. Ou seja, a nossa humanidade e o nosso amor familiar constituem a verdadeira ameaça neste filme de terror. E é isso o que o torna mais assustador.



O realizador Michael Chaves, que irá comandar “Invocação do Mal 3”, não tem o brilhantismo de James Wan, mas é bastante competente ao entregar sustos para a audiência. Com o argumentista Tobias Iaconis, constroem personagens verossímeis de classe média-baixa, onde a fé católica e as crenças mexicanas se misturam de modo fluido. Quanto ao elenco, Linda Cardellini vai excelente no papel de uma mãe nada comum, algo embrutecida pela morte recente do marido e pelas difíceis condições de trabalho, porém, o grande destaque vai para os filhos da protagonista (vividos por Jaynee-Lynne Kinchen e Roman Christou), que possuem cenas mais complicadas do que a média exigida de actores jovens. Demonstrando um grande talento para o género de terror, eles são responsáveis pelas melhores cenas do filme.



La LLorona, com os seus suplícios em espanhol – sem necessitar de legendas – não é aqui tida apenas enquanto monstro, e sim como uma figura que propõe um reflexo interessante das três mães desta história, que acabam por se parecer cada vez mais: Patrícia (Patricia Velasquez) torna-se ela própria uma LLorona por querer se vingar da assistente social que lhe tirou os seus filhos, e Anna acaba por repetir os mesmos passos de Patrícia, negligenciando os próprios filhos à medida que embarca na paranóia da presença maligna em seu redor. Aliás, até temos a sugestão de um possível abuso de Anna para com os filhos, tal como ocorrera com os de Patrícia...



Mas o embate crescente de terror, felizmente, vai permitindo a entrada de algum humor. O curandeiro Rafael (Raymond Cruz), dotado de um tipo peculiar de comicidade e mantendo a expressão séria, vai rindo (fazendo-nos rir) do próprio sufoco da situação. Ele permite que a tensão construída encontre algum alívio. Até um manequim vestido de noiva é utilizado com a devida conotação de paródia. Embora os trechos cómicos possam atenuar a narrativa, o filme consegue entreter no seu género de terror. Por isso, esta nova produção de Wan assemelha-se um pouco ao recente “A Freira”, um filme que assusta e diverte ao mesmo tempo. Repleto de “jumpscares” que nos fazem saltar da cadeira, “A Maldição da Mulher que Chora” é diversão garantida e serve o seu propósito de entretenimento. Acreditem, se gostam mesmo de apanhar valentes sustos no cinema, “A Maldição da Mulher que Chora” é um prato cheio.


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Assinalou-se, na passada sexta-feira, o centenário da criação da escola de artes Bauhaus. Foi exactamente a 12 de Abril de 1919 que o arquitecto Walter Gropius fundou, em Weimar, na Alemanha, a escola de ideias que pretendia unificar disciplinas como arquitectura, escultura, pintura e desenho industrial.

Influenciada pela revolução industrial, a escola nasceu para criar um estilo e uma forma de pensar o design e a arquitectura voltada para uma estética funcional e para a economia de materiais. Alguns dos nomes mais conhecidos ligados a este movimento são o artista plástico russo Wassily Kandinsky, o pintor e poeta suíço Paul Klee, e Ludwig Mies van der Rohe, um dos professores da Bauhaus e autor da famosa frase “menos é mais" (less is more). Tendo sido o último director da escola, a sua frase acabou por marcar o movimento.

Entre as principais propostas estavam o design minimalista, produção rápida e de baixo custo, formas simples, moradias sociais e ideias para uma sociedade melhor. O movimento defendia uma interligação com todo o tipo de arte, até as consideradas mais inferiores, como cerâmica, tecelagem e marcenaria. Privilegiava o uso de novos materiais pré-fabricados, a simplificação dos volumes, a geometrização das formas e o predomínio de linhas rectas. Na arquitectura, por exemplo, os edifícios inspirados neste movimento, possuem paredes, geralmente, brancas, sem decoração ou até sem paredes internas (tal como nos lofts); coberturas planas, transformadas em terraços; janelas amplas ou fachadas de vidro.



O nome Bauhaus era um neologismo criado pelo arquitecto que significa, literalmente, “casa de construção”. Bauhaus virou sinónimo de um olhar prático e modernista, identificável por lages planas e formas rectangulares. Mas também de um olhar generoso, em que a estética não se eximia da sua dimensão política e do seu papel no progresso da sociedade.
A primeira localização da Bauhaus em Weimar não foi à toa, pois era o centro do iluminismo alemão e onde no passado viveram figuras como o escritor Goethe e o músico Franz Liszt. Porém, a escola de Weimar esteve em funções durante apenas seis anos, pois em 1925 mudou-se para Dessau, situada no icónico prédio envidraçado projectado por Gropius, onde também acabou por estar só sete anos. Em 1932, já por influência do regime Nazi, foi mudada para Berlim e, em 1933, considerada pelos nazis como uma espécie de “bolchevismo cultural”, foi forçada a fechar as portas. O rápido fechamento da Bauhaus demonstra que o regime considerava que a escola e sos eus praticantes eram um perigo. A Bauhaus representava uma política aberta, democrática e socialista, o que, para os nazis, era uma grande infracção.

A triste história é a de que professores e alunos foram perseguidos pelos nazis que encerraram a Bauhaus. Por isso, muitos dos que ensinavam ou estudavam na Bauhaus acabaram por deixar o país, o que muito contribuiu para a propagação de novos conceitos artísticos. Tendo a maioria dos membros da Bauhaus emigrado principalmente para os Estados Unidos, acabou por inspirar uma nova geração de arquitectos e designers que marcaram as gerações futuras. Na América, a Bauhaus conseguiu implantar o seu ideário nas grandes cidades. Moholy-Nagy criou a Nova Bauhaus e conseguiu alterar a paisagem de Chicago, enquanto Gropius formou em Yale arquitectos como I.M. Pei e Paul Rudolph, que mais tarde seria mentor de Richard Rogers e Norman Forster.



Comemorar, enfim, o centenário de uma escola de arquitectura e design pode parecer exagero para alguns incautos. O facto é que, além de estar longe de ser apenas mais uma escola de arquitectura e design, as comemorações do centenário da Bauhaus chegam em boa hora em todo o mundo. E chegam em boa hora, sobretudo no Brasil, diante da bizarra coincidência de terem um Ministro da Educação recém-nomeado, Abraham Weintraub, que se gaba em dizer que é um fervoroso combatente do mesmo “Marxismo Cultural” que os nazis perseguiram… ou seja, usa o mesmo argumento que fez com que os nazis, assim que chegaram ao poder, fechassem a libertária escola.

Mas a prova de que o espírito da escola não morreu, apenas ganhou dimensão mundial, a universidade artística e técnica de Weimar, em 1996, foi renomeada e passou a chamar-se Universidade Bauhaus. Actualmente, cerca de quatro mil alunos frequentam esta escola. O programa das comemorações do centenário do movimento Bauhaus inclui a inauguração, ainda em Abril, do novo museu da Bauhaus, precisamente em Weimar. O novo Bauhaus Museum está a cargo da arquitecta Heike Hanada. Em maio, acontecerá a restauração do único vestígio arquitectónico da escola que resta na cidade: a Haus am Horn, casa de ângulos retos que foi decorada com mobiliário desenhado pelos estudantes. Em Dessau, projectado pela agência barcelonesa Addenda, outro museu será aberto em Setembro, que abrigará uma colecção de 50.000 objectos da Bauhaus.



Ao contrário de outros movimentos, a Bauhaus envelheceu bem. “Gropius disse uma vez que não se tratava de um estilo, mas de uma atitude. O seu legado consiste em permanecer aberto e buscar outras abordagens em todos os campos, da arquitetura à performance, para conseguir encontrar novas soluções para os desafios de hoje”, defende a diretora da Bauhaus Dessau, Claudia Perren, à frente de uma fundação criada em 1994 para preservar o legado da escola e continuar a propagar as suas ideias.



“Hoje vemos a sua marca em todos os lados, embora a nostalgia não seja um sentimento nada próprio da Bauhaus”, afirma o director da Fundação Josef e Anni Albers, Nicholas Fox Weber. “Para mim, o objecto que melhor simboliza a sua herança é o iPhone: é funcional, foi desenhado para ser simples e vemo-lo em todos os cantos do mundo”, acrescenta Weber, afiançando que Steve Jobs era “muito familiarizado” com o legado da escola. Esse aparelho parece ter sido inspirado, de facto, no trabalho do designer industrial Dieter Rams, que sempre foi considerado sucessor da Bauhaus.
Um século depois, o tempo acabou por colocar, como de costume, as coisas no seu lugar.

E o facto de ideias e produtos da Bauhaus estarem em presentemente alta não se deve apenas ao centenário, mas também à percepção de que, num mundo globalizado, é necessário lidar de forma diferente com os recursos naturais e não se pode mais produzir e consumir como se fez até agora. Tal experiência de crise já aconteceu na década de 1920, por isso, naquela época, a Bauhaus foi à procura de soluções sobre como viver num quotidiano modificado pela industrialização, humanizando-o. O optimismo com que os pioneiros da Bauhaus tentaram humanizar o seu quotidiano é um exemplo até hoje. E por isso, actualmente, observamos a Bauhaus com um novo frescor no olhar.

A Bauhaus foi a instituição mais importante para arquitectura e arte actuais. E não se esqueçam: é deste movimento a famosa frase "Menos é mais", o que já por si diz muito.


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Para muitos, é chegado o momento de glória! Após um longo hiato, o maior fenómeno da cultura pop televisiva dos últimos anos está de volta, desta vez para a sua derradeira temporada. Falo-vos de “Game of Thrones” ou de “A Guerra dos Tronos”, em português, a série que arrebatou fãs por todo o mundo, que bateu recorde atrás de recorde, levou o seu elenco ao estrelato e transformou em best-seller a série de livros na qual se baseia. Sendo a série mais premiada de sempre, com 47 Emmys, "A Guerra dos Tronos" é também a série mais assistida na história do canal HBO e um fenómeno sem precedentes da televisão. Em 2012, após apenas um ano no ar, já era detentora da base de fãs mais devota do mundo, segundo a revista "Vulture", ultrapassando enormes sucessos como "Oprah Winfrey" ou as sagas "Star Wars" e "Twilight". Mas porque está o mundo louco por esta série?

Tudo começou há precisamente 20 anos e sob forma literária, com a trilogia “As Crónicas de Gelo e Fogo”, de George R.R. Martin. Hoje é um fenómeno cultural como há muito não se via… alguns afirmam que o que mais contribuiu para que se chegasse a este fenómeno seja, sem dúvida, a quantidade de mortes inesperadas e chocantes que se tornaram a marca da série. Outros defendem que a singularidade da série se deve ao fantástico enredo de batalhas, traições, à grande quantidade de personagens "cinzentas" - que não conseguimos categorizar como boas ou más -, à rica produção de efeitos especiais e, claro, aos cenários e ao guarda-roupa de tirar o chapéu. Mas há mais por detrás deste sucesso, pois temos ainda elementos do fantástico, como dragões e gigantes, que não impedem a série de ser bem terra-a-terra, permitindo que o público se vincule às personagens, que pensam e reagem como qualquer um de nós. Inexplicavelmente, “A Guerra dos Tronos” consegue se mostrar realista, mesmo passando-se num universo ficcional. Os dilemas das personagens e as disputas de poder não só estão presentes, como são tratados em profundidade.



Uma coisa é certa: este que é o programa mais caro e cinematográfico da TV: cada episódio exige um investimento de dez milhões de euros-, segundo a revista "Time", e é transmitido em mais de 170 países. Naqueles que lhe servem de cenário, registou-se um impacto positivo nas cifras de turismo: por exemplo, a Irlanda do Norte, em 2015, lucrou mais de 82 milhões de euros nesse segmento; e Dubrovnik, na Croácia, aumentou os seus visitantes em 28%. Devido à complexidade da história, foram inclusivamente abertos cursos de licenciatura e mestrado sobre a trama, nos EUA e no Canadá, para quem queira tornar-se especialista na matéria. Isto porque até chegar “A Guerra dos Tronos”, as séries televisivas eram simples e facilmente digeridas. Porém, nesta série, não se perde mais do que dois minutos com uma personagem até que surja outra, aproveitando o facto de os espectadores serem capazes de lidar com elevados graus de complexidade.

Aos olhos dos criadores, o fenómeno deve-se puramente ao imaginário de R.R. Martin. «No início, quanto mais eu lia, mais pensava "se pudermos levar isto em frente, as pessoas vão viciar-se na série, como eu estou viciado nos livros"», recorda o produtor David Benioff à revista “Variety”.



Lançada em 2011, a série da HBO conquistou o maior número de Emmys de sempre e bateu vários recordes de audiência e até de pirataria Porém, antes de Kit Harington, Emilia Clarke, Peter Dinklage, Sophie Turner e Maisie Williams atingirem o posto de super estrelas ao interpretarem as suas carismáticas personagens, a história já existia nas páginas escritas pelo norte-americano George R. R. Martin, conforme já referi. A atracção televisiva acabou avançando em relação ao enredo dos livros que a originou e Martin ainda não concluiu a sua série literária. Por isso, a conexão entre as duas versões também ajuda a explicar como “A Guerra dos Tronos” se transformou num fenómeno mediático. Ainda estão previstos mais dois volumes para concluir a história. Contudo, Martin está longe de terminá-los e já revelou sentir uma certa frustração por ver a versão adaptada antecipar o final, que não necessariamente será o mesmo na sua versão literária. Para que tenham uma ideia, até à sexta temporada, exibida em 2016, o que se via no ecrã de televisão tinha grande proximidade com o que se lia nos livros. Porém, eles foram ficando para trás, e a sétima sequência, exibida em 2017, já não se baseou especificamente em nenhum dos cinco volumes publicados, assim como é o caso da oitava e última temporada.



Porém, tal não vem necessariamente ameaçar o “casamento” entre os livros e a TV, pois tanto a série televisiva como a literária fazem parte do mesmo universo ficcional. De facto, ao mesmo tempo em que essa complexidade possa afastar alguns consumidores, atrairá outros, que não se satisfazem em apenas ver a série. Ou seja, vão ler os livros, pesquisar sobre a saga na internet e reunirem-se em comunidades online, por exemplo. É característico do que chamamos sagas fantásticas essa expansão e dispersão de um mesmo mundo entre diferentes meios e linguagens. Se pensarmos em “As Crónicas de Gelo e Fogo” e em “Guerra dos Tronos” como uma mesma saga fantástica, vamos perceber que essas narrativas não são concorrentes, mas sobretudo complementares. Por conseguinte, consumir ambas dá acesso a mais informações sobre o universo de que fazem parte do que a cada produto isoladamente. E aqui recai mais uma explicação ao fenómeno: a notoriedade de “A Guerra dos Tronos” no género fantástico está relacionada à forma como as personagens são desenvolvidos, tanto nos livros quanto na TV. Para compreendê-las, não é suficiente conhecer as suas ações, é preciso ter acesso às suas motivações. Por exemplo, quando percebemos por que Jaime Lannister (Nikolaj Coster Waldau) se tornou Regicida (desde o começo da série, ele é conhecido como tal por ter assassinado o rei que deveria proteger enquanto membro da guarda real), passamos a vê-lo de uma forma diferente. Mas quando Jaime é visto de outra forma por Brienne (Gwendoline Christie), ele começa a se mostrar de forma diferente também. Posto isto, enquanto muitas fantasias oferecem o ponto de vista de apenas uma personagem, “A Guerra dos Tronos” permite-nos compreender mais a fundo um punhado de personagens, que, tal como Jaime, mostram-se mais complexos do que poderíamos estar à espera. A saga também se destaca por permitir que se conheça a história por meio dos pontos de vista de várias personagens, muitas delas mulheres.



Mas com tantas reviravoltas, revelações e surpresas, que incluem a morte de várias personagens importantes, o enredo apresenta aspectos que o tornam único em meio a tantas sagas, envolvendo reis, rainhas, espadas e dragões. Devido a momentos icónicos como a morte (e ressurreição) de Jon Snow (Kit Harington), o Casamento Vermelho ou a decapitação de Ned Stark (Sean Bean), o seu primeiro grande protagonista, a série mudou as regras das narrativas de televisão, subvertendo as expectativas de quem assistia e marcando, definitivamente, o seu lugar cimeiro no panteão da cultura Pop. Hoje, mesmo quem não tenha assistido a um único episódio, com certeza já se deparou com imagens do Trono de Ferro, dos cabelos loiros de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) ou do temido Rei da Noite; ou, no mínimo, já ouviu a frase "o inverno está a chegar"…

E está mesmo! É chegada a hora e o inverno está mesmo aí. Mortos e vivos, Starks e Lannisters, Dragões e Zombies vão-se enfrentar no campo de batalha e, no fim, perdemos uma das séries mais fascinantes de sempre. A oitava e última temporada de “A Guerra dos Tronos” estreou nesta madrugada de domingo, 14, para segunda, 15, no canal Syfy e na HBO. Com apenas seis episódios termina na sua Oitava temporada “A Guerra dos Tronos”, a maior superprodução de televisão de sempre e que abriu as portas para um género até então pouco valorizado, a fantasia, conferindo-lhe um prestígio inédito que permitiu a chegada de outras produções congéneres como "Vikings" e "The Last Kingdom". Mas não pensem que vão sentir saudades de “A Guerra dos Tronos”, pois a boa notícia é a de que estão a trabalhar em prequelas e sequelas. Seria um verdadeiro desperdício não aproveitarem um cenário e um enredo tão rico como o de Westeros…





Deixo-vos com um glossário GoT para entenderem melhor termos e personagens que a série acrescentou ao universo Pop:

The winter is coming… (O inverno está a chegar...)
No mundo de “gelo e fogo”, as estações do ano são irregulares e podem durar anos. Quando os acontecimentos da trama começam, há uma profecia de que um novo inverno se aproxima e, com ele, ameaças sobrenaturais de outras eras.

White walker
Traduzidos para “caminhantes brancos”, são seres místicos, criados no gelo e capazes de ressuscitar os mortos, comandando um exército de zombies.

A Muralha
Uma enorme estrutura de gelo, com 220 metros de altura, erguida para separar e proteger os reinos de Westeros da terra gelada onde há séculos apareceram os White walkers.

The night is dark and full of terrors (A noite é escura e cheia de terrores)
É o dito profético da personagem Melisandre (Carice van Houten), sacerdotisa adoradora do Senhor da Luz (as religiões e seitas também são fictícias). Na sua crença, o deus maior é associado à luz e ao fogo, que se opõem às trevas. Ela repete tanto este dizer na série, que a frase até se tornou um meme.

O Trono de Ferro
Forjado por Aegon Targaryen com centenas de espadas dos inimigos que enfrentou quando conquistou e unificou os sete reinos, é o centro do poder de Westeros. Quem se senta nele é o soberano máximo do continente.

Dragões e a Mãe dos Dragões
Os dragões são personagens chave do enredo. Decisivos no passado na conquista de Aegon e na manutenção de seus descendentes no poder, eles encontram-se extintos há séculos, e os Targaryen destituídos, quando a história dos livros e da TV começa. Mas tudo muda quando Daenerys Targaryen, exilada em Essos e última representante viva da sua família, recebe três ovos de dragão e consegue “chocá-los”. Ela cria os seus dragões, que crescem e se tornam armas importantes para concluir o seu objectivo de reconquistar o trono.

Jon Snow
É apresentado como um filho bastardo do lorde Ned Stark, uma das personagens mais importantes. Embora comece como secundário, Jon vai ganhando relevância e importância pelos seus feitos, tornando-se um herói. E factos importantes sobre a sua origem vão sendo revelados.

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