Sérgio Praia encarna a figura de António Variações, cantando e encantando ao longo do filme, numa produção que conta a história real do multifacetado artista. É, provavelmente, o filme português mais aguardado do ano. Estreou a 22 de Agosto, mas graças ao próprio protagonista pude ver “Variações” no cinema, no mítico São Jorge, em ante-estreia.

“Variações” é um daqueles filmes que afirmamos “vale a pena ver”. Mas vale mesmo! O enredo começa na pequena aldeia de Pilar, no concelho de Amares, distrito de Braga, onde vivia a família numerosa de Variações — que aqui ainda não o era. Nesta altura era só António Ribeiro. Ao início, percebemos que ele não gostava de trabalhar na fábrica na sua adolescência, que vivia num ambiente religioso e rural, que o seu ídolo cedo começou por ser Amália Rodrigues, que tinha o sonho de ir para Lisboa e que o pai lhe ensinou a tocar cavaquinho. Pormenores que ajudam a contextualizar as origens do cantor e que resultam nas bases do seu futuro.



O filme, que se alonga por praticamente duas horas, vai-nos mostrando elementos que ajudam a explicar como é que tudo aconteceu para António Ribeiro. Demora-se a segui-lo quando era ainda um anónimo barbeiro aspirante a cantor e da sua cena nocturna, musical e de costumes; e avança depois para os últimos tempos da sua vida, após a fama e antes de morrer prematuramente, de SIDA,
 em 1984, no dia de Santo António, 13 de Junho, aos 39 anos. Justamente quando finalmente estava a conseguir começar uma carreira... Estava mesmo no início, tinha um LP e um single, quando faleceu. Isto porque o “antes” do reconhecimento e da notoriedade foi o que mais interessou ao realizador.



O guião — que foi escrito pelo realizador João Maia — centra-se nas dificuldades que António encontrou junto das editoras para conseguir que a sua música fosse aceite. Por outro lado, a sua homossexualidade não é vista nesta produção como um obstáculo na indústria — só em algumas ocasiões do dia-a-dia. Como é sabido, antes de músico — sendo que nunca tivera formação na área — António era barbeiro. Trabalhou em vários espaços, incluindo em Amesterdão, na Holanda, onde conheceu Luís Vitta, jornalista brasileiro que vivia em Portugal e que muito ajudou a promover a carreira do artista através dos contactos que tinha.



O concerto em Amares, com a mãe, é um dos momentos comoventes. Mas o lado mais emotivo do filme surge quando o protagonista reencontra o antigo namorado, com quem volta a desenvolver uma relação especial, Fernando Ataíde (Filipe Duarte), dono do Trumps e que tinha sido chefe de António numa das barbearias onde trabalhou. A proximidade e relação entre ambos é bem trabalhada no filme e atinge o seu auge nos momentos em que o cantor já não se encontrava bem de saúde e, contra as recomendações dos médicos, continuava a dar concertos e a cumprir o seu sonho.



Sérgio Praia faz uma interpretação perfeita! Para além de estar muito bem caracterizado como António, ele canta realmente bem (grande parte do que ouvimos foi gravado por ele). E consegue uma verdadeira transfiguração, apanhando pormenores tão importantes como a timidez de Variações no primeiro contacto, a sua cortesia e boa educação, assim como a sua teimosia e o seu sentido do espectáculo. Do elenco destacam-se também outros actores como o mencionado Filipe Duarte, Victoria Guerra, Teresa Madruga, Augusto Madeira, Afonso Lagarto, Tomás Alves e José Raposo, entre outros, sendo que a interessante banda sonora do filme está editada pela Sony Music Portugal, em formato físico e digital, contando com “Quero dar nas vistas”, tema inédito recriado por Armando Teixeira, dos “Balla”, propositadamente para o filme.



O guarda-roupa, os cenários, a produção musical e sonora e a direcção de fotografia são outras das grandes qualidades deste “Variações” — um filme de época bem conseguido que nos leva até à Lisboa artística dos anos 70 e 80 e ao imaginário tão característico de António Variações. Produzido por Fernando Vendrell, da David & Golias, e celebrando a vida e a música da primeira estrela pop portuguesa e uma das figuras mais exuberantes do nosso país, o filme dá-nos a conhecer o percurso biográfico do músico, com especial enfoque no período de 1977 a 1981.

Sendo o primeiro filme português a ser exibido em tecnologia Dolby Atmos, proporcionando aos espectadores uma experiência sonora mais imersiva, "Variações” chega aos cinemas no ano em que se assinalam 35 anos após a morte do artista e 75 do seu nascimento. Vale a pena ver, volto a repetir e, com isso, celebrar o legado e a história de António Variações, que, tantos outros, merecia ter tido mais reconhecimento em vida. E sendo o seu filme de estreia na realização, Maia consegue assinar um dos melhores filmes portugueses deste século.



Mais sobre António Variações:
António Joaquim Rodrigues Ribeiro, que adoptou o nome artístico de António Variações, nasceu em 1944 em Fiscal, Amares. O filme foca, precisamente, o processo de transformação na persona de António Variações, artista excêntrico e popular cuja carreira fulgurante foi interrompida pela sua morte. António sempre perseguiu o seu sonho de se tornar cantor e compositor, apesar de não saber uma nota de música. Depois de esperar por uma oportunidade de uma editora, começou, “às suas custas”, a tentar construir uma carreira no mundo da música. Levou cinco anos até se tornar famoso.
Em maio de 1983, era um dos mais populares artistas portugueses, com mais de 100 espectáculos marcados para o verão. O seu primeiro disco, “Anjo da Guarda”, foi fenómeno de vendas e Variações faz o seu concerto mais “apetecido”, na Aula Magna, sendo a primeira parte de Amália Rodrigues, o seu maior ídolo. Em 1984, Variações grava o seu segundo e último álbum, chamado "Dar e Receber”. Morreria em Junho desse mesmo ano, aos 39 anos.

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Actualmente, é fácil ouvir música em qualquer lugar que se vá. Só precisamos do nosso smartphone, de uns auriculares e de uma playlist feita com todas as nossas preferências. Porém, antes não era bem assim… anteriormente ao mp3 e aos CDs, havia as cassetes… e o Walkman. É verdade, o avô do Spotify está a celebrar 40 anos. Em 1979, a Sony apresentou o primeiro leitor de cassetes portátil de sempre, o Walkman. Uma caixa metalizada, com um acabamento azul e prateado, o Walkman TPS-L2, foi o primeiro sistema stereo portátil. E foi no Japão, no dia 1 de Julho de 79, que começou o futuro da indústria musical. Quase um ano depois, em Junho de 1980, ele chegaria ao mercado norte-americano e, ainda nesse ano, ao Reino Unido. Foi anunciado como Soundabout na América, Stowaway no Reino Unido ou Freestyle na Suécia, porém a Sony universalizou o título para Walkman.



Este singular aparelho desenvolvido pela Sony foi um dos primeiros reprodutores de música portátil do mundo e revolucionou o mercado de áudio, marcando a geração dos anos 80. Capaz de reproduzir cassetes, um formato que revolucionou a indústria da música na época, o dispositivo fez tamanho sucesso que o nome Walkman, patenteado pela Sony, virou um ícone do mercado de áudio. O aparelho foi decisivo também para revolucionar a indústria fonográfica, ao ajudar na popularização das cassetes e contribuir para a queda dos discos de vinil.



A ideia de criar um aparelho portátil capaz de reproduzir som a partir de cassetes surgiu de um dos fundadores da Sony, Masaru Ibuka. Ele queria ouvir música com auriculares de ouvido em stereo durante uma viagem de negócios para o exterior, e solicitou, então, que a equipa de desenvolvimento criasse uma versão do gravador portátil da Sony TC-D5. Este dispositivo, modificado para apenas reprodução em estéreo, viria a ser o protótipo do Walkman.



Ao longo dos anos 80, tempo em que o Walkman reinou, a Sony lançou diversos modelos, como WM-2, WM-20 e a evolução deste aparelho, o WM-109, que acumulou mais de 20 milhões de unidades vendidas. A evolução tecnológica trouxe consigo, igualmente, outras competências para o ‘walkman’, que passou a adoptar sistema de mudança automática de lado ("auto-reverse") ou o equalizador de som, ou até de gravação de som. Na actualidade, dispositivos famosos como o WM-D6C ou o WM-DD9, das décadas de 1980 e 1990, são tidos como objectos de coleccionador.



O surgimento do Walkman foi o início da era dos dispositivos pessoais de áudio portáteis, permitindo que ouvíssemos músicas em qualquer lugar e a qualquer momento. Com o declínio da cassete e a ascensão do CD, no fim da década de 80, a Sony lançou em 1988 o Discman D-20. Depois, em 1992, a companhia introduziu o MiniDisc como formato de áudio com o MZ-1 MD-Walkman, cuja aceitação foi reduzida. Curiosamente, é atribuída, de certa forma, à Sony alguma da responsabilidade pelo início do declínio do seu Walkman, ao apresentar em 1984 o novo dispositivo portátil de reprodução de música, o D-50, começando a era dos também famosos Discman, denominação criada para representar os leitores portáteis de Compact Discs, vulgarmente conhecidos pela sigla CD.



O Walkman fez tanto sucesso que a Sony nunca abandonou a marca, mesmo quando as cassetes se tornaram inviáveis. Nos anos 2000, os Discmans passaram a ser lançados com o nome CD Walkman. A Sony também criou telemóveis com o nome em alusão às capacidades multimédia, e aproveitou utilizar a marca em mp3 players que competiam com a febre dos iPods. Hoje em dia, o uso do selo é restrito a reprodutores de áudio digital de alta qualidade.

O sucesso atingido pelo Walkman nessas quatro décadas de existência é difícil de ser superado. Estimativas oficiais dão conta de que a linha de produtos Walkman vendeu 385 milhões de unidades no mundo todo – mas estes números datam de 2009. Para se ter uma ideia da escala, durante o auge do reprodutor de cassetes, a Sony comercializava 50 mil novas unidades por mês só no Japão.



Sem dúvida, há 40 anos, o Walkman mudou a nossa forma de ouvir música. E evoluiu para leitor de CDs, Mini-Disc, ficheiros digitais, dominando o mercado até à chegada do iPod da Apple. Mas mesmo que o Walkman não seja tão popular hoje em dia, vale a pena celebrar e relembrar este célebre leitor de música. Quanto mais não seja pelo facto de ter mudado a maneira como consumimos música, de uma forma mais privada e pessoal.

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As bebidas fermentadas têm vindo a ganhar cada vez mais espaço nas nossas cozinhas. O kefir, por exemplo, popularizou-se, e hoje é muito apreciado por quem procura uma alimentação mais saudável à base de lácteos. Mas já ouviram falar da kombucha? Já ficaram parados num supermercado “Celeiro”, por exemplo, a olhar para certas garrafas desconhecidas? Por isso, certamente, já se terão questionado: ”o que é a kombucha e para que serve?” Conhecida pelas suas propriedades medicinais, esta é uma bebida consumida na China há milénios e é óptima para regenerar a flora intestinal. E atentem que esse não é o seu único benefício…

Antes de mais, é preciso lembrar que por se tratar de uma bebida probiótica, nela encontram-se lactobacilos vivos, micro-organismos essenciais para o bom funcionamento do intestino. Eles actuam diretamente na flora intestinal, ajudando a evitar problemas como diarreia e prisão de ventre. A grande questão é que os probióticos, em geral, são encontrados sobretudo no leite, porém não é o caso da kombucha, e por isso esta bebida também é indicada para quem possui intolerância à lactose. Outra grande vantagem desta bebida é a de que ela é desintoxicante, podendo fazer parte do cardápio de quem esteja em modo detox. Além disso, é rica em vitaminas C, K e do complexo B. Tal significa que é antioxidante, combatendo os radicais livres e deixando o sistema imunológico mais forte e menos suscetível a doenças. Os seus micro-organismos também ajudam a acabar com a bactéria H. pylori, que é uma das grandes causadoras da gastrite. Portanto, o seu consumo também alivia dores abdominais.



Mas o que é, realmente? Trata-se de uma bebida fermentada, cuja mistura resulta em kombucha com a ajuda de uma colónia de bactérias e leveduras, que se assemelham a um cogumelo a flutuar no líquido resultante. É este processo de fermentação das tais bactérias e leveduras que separa a kombucha de outras bebidas. Este processo de fermentação faz com que a kombucha esteja repleta de probióticos, bem como as vitaminas mencionadas e enzimas, e ajuda a desinchar o corpo, o que é sempre bom! Além disso, por ser feito com chá, a Kombucha tem outros benefícios associados. Os chás verdes, por exemplo, têm polifenóis que atuam como antioxidantes no organismo. Portanto, além da disposição, beber Kombucha dá energia, resultado da combinação do ferro, produzido na fermentação, e da teína, a cafeína dos chás. A bebida ainda tem glucosamina, substância que evita a perda de colagénio, o que ajuda nas articulações e na prevenção de rugas. Só vantagens, portanto.

Se optarem pela versão caseira, a preparação da kombucha é muito simples e pode ser facilmente feita em casa. Ao invés de leite, como já referi, esta bebida tem na sua base o chá. Os chás que podem ser usados são o chá-mate, o chá verde ou o preto. Tentem evitar infusões, pois não contêm cafeína alguma. O ingrediente principal é a colónia de kombucha, chamada de scoby (um scoby é uma cultura mista sinérgica de leveduras e bactérias; no original é a sigla para Symbiotic Culture Of Bacteria and Yeast) e 100 ml do líquido que já vem com ela, quando a mesma nos é passada por alguém. Isto porque existe o hábito de doação de scobys entre os entusiastas dos alimentos probióticos. Tal também ocorre porque o scoby reproduz-se muito rápida e facilmente – basicamente sempre que houver o processo de fermentação da kombucha, haverá a formação de um novo scoby.



O tal scoby, também conhecido como kombucha mãe, cogumelo de kombucha ou cogumelo mãe (devido à sua aparência de disco gelatinoso) é o responsável por promover a fermentação com base no açúcar presente no chá. Por exemplo, tendo em conta 1 litro do chá da sua preferência (um litro de água fervida com cerca de 5 saquetas de chá). O primeiro passo é preparar o chá e adoçar, pois para além da cafeína do chá, o açúcar também é importante para os scoby. E não se preocupem, pois a bebida que irá surgir é ácida e gaseificada, nada doce. De seguida, junte a colónia de scoby e os 100 ml do líquido que vem juntamente com ela. Depois, há-que aguardar pelo processo de fermentação que pode durar entre uma semana a 15 dias. Para isso, a bebida tem de ser guardada em frascos de vidro, previamente bem limpos, e tapada com um pano ou papel de cozinha com um elástico ao seu redor que o prendam, de modo a evitar que entrem insetos e permitindo que o líquido “respire” num local arejado e escuro, longe da incidência da luz directa. Após o período necessário, já mencionado, a maior parte da bebida resultante deve ser retirada e passada por um pano para reter as impurezas. A fermentação está pronta e poderá consumir essa parte que retirou. A outra, uns tais 100 ml, deverá regressar com a colónia para o frasco, com novo chá açucarado, repetindo o processo.



Portanto, o que se retirou, depois de colocado em garrafas que podem ser de plástico, aproveitadas das águas de 1,5 litros, por exemplo, deve passar por uma segunda fermentação, bem mais reduzida - entre um a dois dias – já com ingredientes adicionados, pois não é necessário beber a kombucha por si só. Pode acrescentar frutas, gengibre, canela ou outros chás, de acordo com o seu gosto pessoal. Depois, pode deixar no frigorífico a gosto e consumir normalmente.
A bebida resultante fermentada tem sido associada a melhores níveis de energia, por dois motivos. Devido ao ferro, que resulta da fermentação, e que melhora o transporte de oxigénio no sangue, e pela presença da teína, que é o equivalente da cafeína, presente no chá. Por este motivo, é também essencial moderar o consumo da kombucha — um a dois copos por dia são a recomendação dos especialistas.

Agora, já podem fazer como Meghan Markle, Kourtney Kardashian, Justin Bieber, Gwyneth Paltrow e Madonna e, tal como estas celebridades, renderem-se à bebida do momento: a Kombucha. Se quiserem, eu posso atribuir alguns scobys...

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Primeiro spin-off de “Velocidade Furiosa”, com Dwayne "The Rock" Johnson e Jason Statham a retomarem os papéis de Luke Hobbs e Deckard Shaw, esta nova entrega está em exibição nos cinemas desde 1 de Agosto, à qual tive o privilégio de ir à sua ante-estreia. Nunca fui muito fã desta saga, mas este filme deixou-me curioso… de modo que decidi escrever sobre ele. Depois de oito filmes que acumularam quase cinco mil milhões de dólares a nível mundial, o franchise “Velocidade Furiosa” conta agora com o seu primeiro spin-off.

Desde que o possante Hobbs (Johnson), um dedicado operacional do Serviço de Segurança Diplomática dos Estados Unidos, e o rebelde Shaw (Statham), um antigo agente do exército britânico, se enfrentaram pela primeira vez em “Velocidade Furiosa 7”, em 2015, a dupla não parou de trocar insultos e socos, enquanto tentavam dar cabo um ao outro. Porém, quando Brixton (Idris Elba), um anarquista cibernético geneticamente alterado, assume o controlo de uma ameaça biológica que pode mudar a humanidade para sempre, e derrota uma excelente e destemida agente do MI6 à margem da lei (Vanessa Kirby), curiosamente irmã de Shaw, os dois inimigos têm de se unir para destruir o único homem mais perigoso do que eles.

Luke Hobbs, o agente federal que foi antagonista da equipa de "Velocidade Furiosa" no Rio de Janeiro, no quinto filme da saga, e depois se tornou aliado deles, e Deckard Shaw, vilão do sétimo filme e posteriormente também comparsa, juntam-se neste primeiro filme derivado de um dos mais populares franchises da actualidade, que dura desde 2011. Desta feita, os dois juntam-se para ajudar a irmã de Shaw, Hattie, agente do MI6 que tem como missão apanhar um ex-colega tornado terrorista, Brixton Lore, que usa uma tecnologia que lhe dá uma força sobre-humana.



Realizado por David Leitch, duplo e coordenador de duplos transformado em realizador no primeiro "John Wick", tendo também assinado "Atomic Blonde - Agente Especial", este “Hobbs & Shaw” abre um novo caminho no universo “Velocidade Furiosa”, garantindo ação a nível global, de Los Angeles a Londres, e do deserto tóxico de Chernobil até à paisagem exuberante de Samoa. Com oito filmes na bagagem - e mais um a caminho, previsto para 2020 -, a franquia “Velocidade Furiosa” está mais do que estabelecida no imaginário popular. A mescla de um elenco carismático com sequências de acção mirabolantes e algo impossíveis tornou-se a tónica de quase todos os filmes, permeado por um humor singular, típico de quem não se leva nem um pouco a sério. E este primeiro spin-off investe mais neste caminho em detrimento de outra característica básica da série: as disputas de carros. O foco aqui está muito mais nas diferenças entre Luke Hobbs e Deckard Shaw, ressaltadas não só nos inúmeros confrontos verbais (e cómicos) entre ambos - com direito a provocações gratuitas típicas de adolescentes com muito mais testosterona -, mas também a nível visual. Neste sentido, o início é emblemático: da paleta de cores entre o quente e o azulado, do clima chuvoso de Londres em contraste com o soalheiro de Los Angeles, Hobbs e Shaw são como água e óleo, não combinam nem se misturam, mas precisam mesmo de trabalhar juntos em busca de um objectivo comum, embora por motivos distintos.



“Hobbs & Shaw” vai bebendo da fonte da cronologia da série, ao resgatar a personagem de Helen Mirren para inserir no enredo a irmã de Shaw, mas também aposta em algo inédito até então: o piscar de olho à ficção científica, personificada pela complexidade do vilão, um homem alterado a partir de experiências tecnológicas de forma a promover a evolução da espécie humana. De alguma forma, o exagero das cenas de acção chegou também à narrativa, que não de mau de todo, pelo contrário. “Hobbs & Shaw” tão depressa assume-se como um filme exagerado e cómico, quanto bem feito. Repleto de piadas em torno das personagens de The Rock e Statham, o filme ainda conta com Vanessa Kirby, que não só reafirma o carisma demonstrado em “Missão: Impossível - Fallout” quanto demonstra desenvoltura e competência nas cenas de acção.

Como filme de entretenimento funciona bem, muito também devido ao carisma e à disposição vinda de seus protagonistas. O mérito também cabe ao realizador. Leitch não apenas consegue contrastes visuais decorrentes das suas personagens principais, como também detalhes bem-humorados como o inconfundível som típico de "Transformers" nas mudanças decorrentes na moto de Idris Elba e, especialmente, pelas boas cenas de acção, impulsionadas pela ágil movimentação de câmaras.



Dois senão: por um lado, a "família" de "Velocidade Furiosa" (Michelle Rodriguez, Roman Pearce, etc.), mostrou-se zangada não disfarçou o desprezo que têm por este primeiro spin-off; por outro e apenas por cá, a exclusão de “Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw” das salas de cinema da NOS. Talvez por isso, se tenha ficado pelos 64.696 espectadores em Portugal no seu fim-de-semana de estreia, sendo assim batida pelo filme “O Rei Leão”, que ao terceiro fim-de-semana em exibição conseguiu atrair mais 123.795 espectadores. É importante que se trata de um spin-off da saga “Velocidade Furiosa” sem Vin Diesel e Michelle Rodriguez (rostos primordiais da franquia, juntamente com o falecido Paul Walker) no elenco, e que o mesmo passou "apenas" por 99 ecrãs e 1.184 sessões, contra os 155 ecrãs de “O Rei Leão” e as suas 2.053 sessões. De notar que o maior exibidor nacional, que explora 31 multiplexes por todo o país, é também distribuidor da Universal Pictures, o estúdio responsável pela série "Velocidade Furiosa", uma das mais rentáveis nas bilheteiras nos últimos anos. A verdade é que quer que seja o que se tenha passado, esta decisão rara no mercado do cinema em Portugal - da saga distribuída pela NOS Lusomundo Audiovisuais não surgir nas salas da "irmã" de negócios NOS Cinema – causou grande impacto no resultado nas bilheteiras. A Nos Cinemas justificou a não presença do filme nas suas salas devido a um desacordo com a Universal Pictures, que "impôs condições comerciais que a NOS não pôde aceitar”. Com isto, “O Rei Leão” não é só o filme mais visto do ano em Portugal (840 mil espectadores) como um dos filmes mais vistos no nosso país desde 2004, sendo praticamente certo que fará concorrência ao actual número 1 da tabela, "Avatar" (1,2 milhões de espectadores).

Lá fora, “Hobbs & Shaw” fez sucesso nas bilheteiras no último fim-de-semana com 60,8 milhões de dólares, superando as bilheteiras domésticas e ampliando a sua participação global de 180 milhões. Espera-se que o filme aumente ainda mais enquanto o verão avança, pois na sua segunda semana de exibição nos Estados Unidos, “Hobbs & Shaw”deve lideram novamente a bilheteira doméstica - projecções indicam que o derivado de "Velocidade Perigosa" deve fazer cerca de 28 milhões de dólares neste final de semana. Um valor suficiente para superar “O Rei Leão” e “Era Uma Vez em Hollywood” no mercado americano.

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O fabricante de brinquedos Mattel revelou uma edição limitada da Barbie David Bowie, vestida como a Ziggy, o icónico alter-ego do cantor inglês. Um lançamento que homenageia o 50º aniversário do single "Space Oddity” de Bowie.

Esta nova Barbie ostenta um macacão metálico listrado, combinado com botas vermelhas e uma juba de cabelo. O visual é complementado com acessórios cósmicos que reproduzem o visual da estrela de rock bissexual, ficcional e andrógena de Bowie.



Numa celebração definitiva de dois ícones da cultura pop, cada um no seu sector, Barbie presta tributo ao camaleão pop, cantor, compositor e actor David Bowie, cujas dramáticas transformações musicais continuam a influenciar e inspirar. Segundo a Mattel, "esta boneca coleccionável Barbie homenageia o legado cultural do génio musical que redefiniu o rock and roll".



Bowie, que morreu em 2016, lançou "Space Oddity" em 1969 como uma peça no filme épico de Stanley Kubrick "2001: Odisseia no Espaço", que foi lançado um ano antes. Bowie estreou a sua persona Ziggy Stardust poucos anos depois, em 1972, com o álbum "The rise and fall of Ziggy Stardust and the spiders from Mars".



Porém, é bom recordar que nesta última década, Barbie já se vestiu como Andy Warhol, Elvis e Frank Sinatra. Mais recentemente, ela personificou poderosas figuras femininas como Frida Kahlo, Katherine Johnson e Amelia Earhart, conforme já aqui dei nota.



Nesse contexto, ainda recentemente, a Mattel lançou uma boneca astronauta, como parte de um projecto que a empresa enveredou para inspirar meninas a explorarem outras carreiras.



Esta astronauta transformada em boneca Barbie veio para incentivar mais meninas para o espaço. No fundo, para explorar carreiras em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.



Projetado em colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA), a boneca foi criada à semelhança de Samantha Cristoforetti, a única astronauta ativa da organização. Cristoforetti diz que espera que a colaboração com a Barbie “ajude meninas e meninos a sonharem com um futuro sem limites”. Isabel Ferrer, directora europeia de marketing da Barbie, disse que a marca está "orgulhosa" por fazer parte da colaboração com a ESA.

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