No passado dia 9 de maio, fui até ao Parque das Nações para conhecer a exposição de Mário Vela, na Plantome. E a verdade é que saí de lá com a sensação rara de ter descoberto muito mais do que uma exposição...
Descobri um espaço vivo. Um lugar onde as plantas convivem naturalmente com a arte, onde cada recanto parece pensado ao detalhe e onde existe uma atmosfera difícil de explicar, mas muito agradável de sentir. E, acima de tudo, tive finalmente a oportunidade de conhecer o Mário em “carne e osso”.
Há amizades e afinidades que começam antes do primeiro encontro presencial. A arte tem muito disso. Aproxima pessoas sem precisar de apresentações formais. E, talvez por isso, este encontro tenha sabido tão bem.
Quem é Mário Vela?
Para quem ainda não conhece o trabalho de Mário Vela, vale a pena parar um pouco e descobrir o universo muito próprio deste artista espanhol, natural de Toledo, nascido em 1969, tal como eu, com um percurso já consolidado entre pintura, escultura, desenho e até vídeo. Licenciado em Belas Artes pela Universidade Complutense de Madrid, soma mais de trinta exposições individuais entre Espanha e Portugal, além de participações em feiras de arte como a ARCO, Estampa ou a Feira de Arte Contemporânea de Lisboa.
Mas mais do que o seu currículo, aquilo que verdadeiramente me toca na obra dele é a identidade tão humana das personagens que pinta. Os rostos criados por Mário Vela são imediatamente reconhecíveis. Os olhos enormes, intensos e profundamente expressivos acabam por dizer quase tudo. Há emoção, fragilidade, ironia, melancolia e ternura em cada olhar. E depois, existe aquele detalhe que já se tornou assinatura da sua linguagem visual: os rostos que pinta nunca possuem nariz. Curiosamente, essa ausência não cria distância, pelo contrário. Faz-nos concentrar ainda mais na expressão emocional das personagens que ele cria. As cores fortes, os contrastes e os traços aparentemente simples escondem uma profundidade emocional muito grande. A meu ver, a arte dele não procura perfeição, procura verdade.
Mário Vela na Plantome
A exposição “Mário Vela x Plantome”, patente até 31 de julho, revela precisamente essa fusão entre figuração e mundo vegetal, criando uma relação muito orgânica entre as obras e o próprio espaço da Plantome. E talvez tenha sido isso que mais me conquistou naquela tarde de sábado. As plantas deixam de ser apenas pano de fundo e passam a fazer parte da narrativa artística, quase como personagens silenciosas dentro de cada composição.
Existe poesia naquele encontro entre natureza e pintura. Existe serenidade, existe humanidade. Talvez seja precisamente isso que torna esta exposição tão especial. Vale a pena ir pela arte de Mário Vela, sem dúvida, mas vale também a pena perder algum tempo a descobrir a própria Plantome, um espaço diferente em Lisboa, pensado para quem gosta de plantas, decoração e ambientes criativos.




