É incrível. Parece que não paro de falar desta mulher-fenómeno. Mas a verdade é que sou mesmo seu fã e depois, de forma pioneira, graças ao estilo que adoptou cantar, ela veio abrir um filão no meio musical. De tal maneira que já começa a gerar alguma descendência: Adele, Duffy e Gabriella Cilmi são as primeiras que se seguem.

Se Amy Winehouse não tivesse tido o êxito que teve, dificilmente haveria espaço para mais cantoras do género. Mas com outras grandes vozes a deambularem por aí, a descendência era inevitável, bem como as comparações. Com talentos vocais semelhantes, embora muito diferentes no timbre e nas interpretações, estas três meninas começam a ganhar terreno...

Esta semana, saiu “Rockferry”, o primeiro álbum de Duffy, uma galesa que, em muito, faz lembrar Amy. Mas mais no estilo, pois enquanto a primeira, como já aqui escrevi, está mais próxima do som Motown dos 60s e 70s, Duffy segue mais a linha de uma Dusty Springfield. Portanto, igualmente revivalista, mas com menos raízes "negras".

Apesar dos seus 22 anos, as melodias de "Rockferry" soam muito adultas e algo melancólicas. Duffy possui uma voz forte, que não liga lá muito bem com o seu ar louro e algo frágil. Mas ela não quer saber, pois é dotada de uma capacidade que a faz aguentar extensões vocais que nos deixam perplexos.

Estou certo de que "Rockferry" vai ser um dos melhores álbuns do ano. E os números já o comprovam. Aimee Duffy é a nova coqueluche do Reino Unido, dominando já em duas frentes: lidera tanto o top de álbuns, como o de singles (com a canção catchy "Mercy"). Torna-se assim, na rápida sucessora de Adele, um outro fenómeno recente dos tops.

Adele Adkins, conhecida apenas por Adele e originária de Londres, desde cedo percebeu que cantar era o que queria fazer para o resto da sua vida. Também dona de uma incrível voz, lançou, a 28 de Janeiro deste ano, o seu álbum de estreia "19" (que coincidiu com a sua idade, na altura do lançamento).

O single já editado, "Chasing Pavements" revela, em pleno, a versatilidade da voz de Adele, que lhe deu a ganhar o seu primeiro prémio, o "Brit Award Critics Choice", após ter sido selecionada de entre um painel de 50 músicos. Este é um galardão que vem encorajar os novos talentos de artistas que recentemente tenham editado um álbum.

Tal como a sua antecessora do norte de Londres, Amy Winehouse, Adkins cresceu a ouvir jazz das “grandes”, como Ella Fitzgerald e Etta James. Mas, segundo Adele, as similaridades acabam aí e no facto de ter estudado na mesma escola de artes que Winehouse, Lilly Allen e Kate Nash, pois, de resto, leva uma vida bem mais equilibrada.

O seu estilo é definido como “modern jazz e classic pop”. Há, em “19”, uma alternância entre o melancólico e o dançante, evocando raízes sonoras e dramáticas dos artistas de há três, quatro décadas atrás, para falar sobre crises pessoais e assuntos quotidianos. Ao contrário da sua conterrânea, as suas canções são menos angustiantes, mas também ela faz uma reciclagem da “black soul music”.

A última "descendente" é Gabriella Cilmi, uma australiana de apenas 16 anos, mas já com uma voz poderosa. A sua primeira música, "Sweet about me", é "refrescante" e já anda a rodar por aí. Cilmi - pronuncia-se “Tchilmi” (deve ser descendente de italianos, é a nova “arma secreta” da Warner, que também muitos poderão comparar com, mais uma vez, Amy Winehouse (mas sem a coca, as bebidas, etc.), o que até pode fazer-lhe jus, só que Cilmi foi descoberta quando apenas tinha 13 anos, uns aninhos antes de Winehouse ter entrado para as primeiras páginas dos tablóides.

Cilmi mudou-se da sua terra natal, Melbourne, para Londres, e está neste momento a fazer a primeira parte da tourné das Sugababes. O seu primeiro trabalho, “Lessons To Be Learned” está prestes a sair e, a julgar pelo single “Sweet About Me”, adivinha-se prometedor...

Com este trio, a juntar-se Amy Winehouse, bem podemos dizer adeus às influências dos anos 80 e 70, porque, com estas vozes, voltámos, definitivamente, aos Swinging Sixties, a uma era da Motown, do jazz de Sarah Vaughan e Nina Simone e do glamour de Dusty Springfield...

Quanto a Amy Winehouse, que entre as suas desventuras e o seu sucesso, tem assistido ao surgimento de novas vozes a tentarem o seu registo, o que podemos esperar? Ultimamente, o seu nome não tem sido falado pelos melhores motivos, estando frequentemente ligado a drogas, álcool ou mesmo a cenas de violência... o que não deveria surpreender-nos, pois ela bem nos avisou, ao cantar "I told you I was trouble". Por isso pergunto: estando Winehouse a atravessar um conturbado período, com o seu marido na prisão, o que poderemos esperar dela para o seu próximo disco? Será que irá suplantar o anterior e ser ainda mais espectacular? Ficaremos a aguardar, sabendo que, até lá, poderemos contar com a sua primeira actuação no nosso país, no dia 30 de Maio, no Rock In Rio Lisboa. Eu vou!

Mais informações sobre estas três novas cantoras em:
http://www.myspace.com/duffymyspace
http://www.myspace.com/adelelondon
http://www.myspace.com/gabriellacilmi

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