Pois é, estamos a viver um novo confinamento, para além de nunca termos estado livres de limitações. E, por isso, começamos a estar fartos desta pandemia e das consequentes restrições, verdade? E a mostrar inquietação, ansiedade e impaciência. Porém, segundo especialistas, a fadiga pandémica pode estar relacionada com o relaxamento nos cuidados com a Covid-19 ser uma ameaça para a saúde global em 2021.

Mas o que é isso de fadiga pandémica? Trata-se de uma desmotivação extrema face a todos os assuntos relacionados com a Covid-19. Um “fenómeno” que, de acordo com a OMS, requer a atenção de governos e máximas autoridades de saúde. Esta organização internacional traçou, inclusive, um perfil a este “sentimento” de exaustão provocado pelas mudanças ligadas ao Coronavírus, porém, ainda é muito cedo para conseguir apurar, com exactidão, quantas pessoas abrange e a repercussão nos números da pandemia, ou seja, a percentagem de novos casos directamente ligado a este fenómeno. Segundo a doutora Carla Nunes, Directora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP): “a fadiga pandémica prende-se com a incapacidade de reacção das pessoas a algo relacionado com a pandemia. No fundo, as pessoas já esgotaram toda a sua energia — mental ou física — a reagir ao vírus e estão num estado em que já não conseguem desenvolver nenhuma actividade relacionada com a covid-19”, como ver notícias ou desinfectar as mãos. Já o especialista em Saúde Internacional, Tiago Correia, classifica esta condição como um “ponto de ruptura mental” que, em casos extremos, pode levar a episódios de agressividade e inquietação, dois dos sinais mais evidentes para quem está sob fadiga pandémica. “Só o futuro dirá se não estamos a lidar com um dos maiores factores de degradação da saúde mental a nível mundial.” Por isso, muita atenção, pois a “avalanche” de informação que rodeia a Covid-19 – aliada à desinformação e contra-informação que circula um pouco por todo o lado e nas redes sociais – pode incutir-nos um sentimento de insegurança e medo.

Por isso, devemos ter cuidado, pois a degradação da nossa saúde mental é, inevitavelmente, uma das grandes consequências da pandemia da Covid-19. E tal, somando-se aos já preocupantes índices de depressão e outros problemas do foro da saúde mental registados antes do aparecimento do novo Coronavírus, à obrigatoriedade do distanciamento social, ao crescente desemprego e à abrupta quebra nos rendimentos inerentes à situação de pandemia, coloca ainda mais pressão sobre a população.



Mas atenção: além de afetar profundamente qualquer indivíduo que padeça deste novo tipo de fadiga, tal pode implicar um risco maior para a saúde pública, pois as pessoas afectadas deixam de adoptar as devidas precauções para evitar o vírus, por considerarem que os seus actos não farão qualquer diferença no panorama geral da pandemia. As pessoas desligam-se porque sentem que já tiveram todos os cuidados durante um tempo e, neste momento, já não encontram mais energia para reagir. Além desta displicência quanto aos cuidados e recomendações das autoridades, a fadiga pandémica comporta ainda alterações comportamentais súbitas, como estado de inquietação, ansiedade, impaciência, e, em casos extremos, pode transformar-se em agressividade em relação às autoridades de saúde, jornalistas e até mesmo poderes políticos.

Pensa-se, inclusive, que este “desleixo”, que se prende com a indefinição e extensão temporal da pandemia, tenha sido a principal causa de os números terem aumentado como nunca. Sem a vacina ainda à vista para a maior parte, um novo confinamento, dado as restrições do Estado de Emergência prévio não terem conseguido travar a disseminação do vírus, os afectados por esta fadiga pandémica sentem, ainda mais, que não há qualquer controlo da situação, acabando por deixarem de cumprir as directrizes de distanciamento social, a desinfeção das mãos e o uso de máscara.

De facto, este novo confinamento poderá produzir efeitos especialmente nocivos para quem sofre deste tipo de fadiga. Pois as pessoas questionam-se: quantas mais vezes vamos fazer isto (confinamento)? E por quanto tempo? Um novo confinamento agrava, sem dúvida, a situação destas pessoas e esta fadiga leva, numa fase extrema e segundo especialistas, a distúrbios mentais. Segundo a delegação europeia da OMS, há países em que o sentimento de fadiga pandémica pode afectar já mais de 60% da população.



Mas quer alguns padeçam deste tipo de fadiga ou estejamos mesmo cansados desta pandemia que teima em não dar tréguas, aqui deixo oito dicas para tentar combater tal estado e enfrentar um novo período de isolamento em casa.

1. Sentirmo-nos cansados e desmotivados é normal
Importa esclarecer que numa altura de crise pandémica, os sentimentos de cansaço e desmotivação são perfeitamente comuns. É normal sentirmo-nos ansiosos, preocupados e tristes, mas felizmente, a maioria das pessoas acaba por se adaptar e encontrar a tranquilidade necessária para lidar com a adversidade destes penosos dias. Aquilo que nos cansa e desmotiva são as dificuldades em diminuir ou erradicar a transmissão do vírus e as consequências sociais e financeiras que se abatem sobre quase todos. Atentem que a saúde mental também está em risco — com estimativas que apontam para que 20 a 30% sofram com o impacto psicológico da pandemia, segundo a Ordem dos Psicólogos. Por isso, como eu sempre digo na minha conta de Instagram, é importante não baixar a guarda. Numa altura em que redobramos esforços para combater o vírus, é importante continuar a fazer a nossa vida, procurando actividades que aumentem o nosso bem-estar, mas que sejam de risco reduzido.

2. Manter uma rotina
Sabiam que definir uma rotina é algo fundamental para o funcionamento do nosso organismo e para o nosso bem-estar físico e psicológico? Então, mesmo em confinamento, ajuda continuar a agir como se vivêssemos em condições normais: vestirmo-nos e arranjarmo-nos para trabalhar, alimentarmo-nos de forma adequada e regular, praticar exercício físico e separar os períodos de trabalho dos de descanso/lazer com muita exatidão, pois tal não só ajuda a preservar a normalidade, mas também a preservamo-nos. É igualmente recomendado e salutar ter planos diferentes para o fim-de-semana e tecer planos para o futuro, mesmo a curto prazo, como uma caminhada ou uma videochamada; planear uma viagem para mais tarde, quando for possível viajar em segurança e sem restrições, também é benéfico. Afinal, sonhar sempre fez bem.

3. Não descurar cuidados
Por muito cansados que todos possamos estar, há cuidados básicos que não podem nem devem ser descurados e que se vão enraizando com o hábito, como o uso de máscara, a lavagem ou desinfecção das mãos e a prática do distanciamento social, que nunca deixam de ser importantes — ainda mais agora, que se registam centenas de novos casos diariamente.
Mesmo que custe, não se pode facilitar. É mais fácil se o desinfectante e a máscara estiverem sempre à mão. Infelizmente, é certo que a pandemia ainda está para durar, por isso adaptar a nossa vida ao novo Coronavírus é possível.

4. O bem-estar acima de tudo
Ao estarmos a viver um tempo marcado pela incerteza, pelo medo e, em muitos casos, por dificuldades financeiras, a activação prolongada ou excessiva dos mecanismos biológicos de resposta ao stress é um factor de risco para o desenvolvimento de ansiedade e depressão. Por isso, é preciso cuidar do nosso bem-estar. Neste tempo frio, é importante comer bem e privilegiar uma alimentação saudável e variada — incluindo frutas e leguminosas —, fazer exercício físico e sair para espaços verdes ou apanhar sol para estimular a produção de vitamina D. Pode até ser na saída para as necessárias compras, mas sempre em segurança, com a noção do risco associado. Além disso, é importante procurar actividades que promovam o bem-estar em casa, como ler, escrever, desenhar, pintar, jogar, ver filmes ou séries, cozinhar, tratar das plantas, telefonar a amigos ou familiares…

5. Evitar álcool, drogas e outros comportamentos excessivos
Embora possam parecer uma escapatória fácil à realidade e representarem uma forma de passar o tempo, não se deve abusar de consumos que causem dependência, precisamente por provocarem um efeito oposto ao esperado. É sabido que os confinamentos agravam os riscos relacionados com as dependências: há países em que foi registado um aumento do consumo de álcool durante o confinamento e, em Portugal, alguns dados apontam para um aumento do jogo online.
Por isso, é da maior importância garantir que os consumos de substâncias aditivas e os hábitos de jogo e consumo da Internet se fazem de forma moderada e sem prejuízo do funcionamento global.

6. Desligarmo-nos das redes sociais e das notícias
Ouvir notícias sobre a Covid-19 constantemente, olhar para o email ou computador fora das horas de trabalho ou passar muito tempo a fazer scroll das redes sociais podem produzir um efeito nocivo na saúde mental e contribuir para a fadiga de que aqui falo. É importante aprendermos a desligar, mesmo que seja só durante umas horas ou durante um dia, e saber dosear o tempo dedicado a cada uma destas tarefas. De facto, em tempo de restrições é preciso estarmos informados, mas não é por passar um dia sem lermos ou ouvirmos notícias que ficaremos desactualizados. É preciso reconhecer quando a mente precisa de descansar. Ao logo da pandemia, os órgãos de comunicação social para além de terem sido veículos importantes na disseminação de informação útil, também o foram na exacerbação de alguns medos, contribuindo para o aumento dos níveis de ansiedade. Por isso, é importante seleccionar adequadamente as fontes de informação, evitando os media mais sensacionalistas, as fake news, publicações de desinformação e teorias da conspiração que muitas vezes circulam em sites duvidosos e nas redes sociais, garantindo moderação no consumo que se faz de redes sociais. Evitar consultar o email, atender telefonemas ou agendar reuniões fora do horário de trabalho é igualmente importante.

7. Separar trabalho da vida pessoal
O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é um desafio difícil, mas essencial. Com um novo confinamento, regressa o teletrabalho em força para muitos portugueses. Uma repetição do aconteceu a partir de Março. Uma das vantagens do regime de teletrabalho é que há aspectos que se tornam mais fáceis: perdemos menos tempo em transportes e deslocações, e conseguimos passar mais tempo connosco próprios ou com os nossos bichinhos de estimação. Por outro lado, pode haver uma maior pressão para demonstrar o seu valor na organização onde trabalha para garantir o seu emprego, já que a segurança e estabilidade laboral são importantes em tempos de crise. 
O desequilíbrio entre estas duas esferas pode levar a um aumento do stress e de outros problemas como a ansiedade, depressão ou consumo problemático de substâncias — podendo afectar também a produtividade, a satisfação com o trabalho e, consequentemente, ter um impacto negativo nas relações parentais ou conjugais.
Por isso, é recomendável que o trabalhador saia do espaço de trabalho durante a pausa para almoço e que defina um alerta para se lembrar de fazer pausas regulares, pois para quem trabalha em casa, é importante criar uma rotina que facilite a transição psicológica do contexto casa-trabalho para casa-família (e vice-versa). Pode ser dar um passeio a pé, como uma ida às compras, ou beber um café à janela antes de iniciar o trabalho.
É ainda relevante ser realista e saber dizer “não” quando as tarefas pedidas são irrazoáveis ou impraticáveis, sem esquecer as coisas básicas, como dormir horas suficientes.

8. Não ter receio de pedir ajuda
Se chegarmos a uma altura de limite, em que nos sentimos exacerbado pelos nossos sentimentos e pela realidade que nos rodeia, podemos sempre falar do que sentimos com familiares, desabafar com amigos, inclusive pedir ajuda profissional. Quem sentir que a ansiedade e a tristeza provocam um sofrimento e uma disfuncionalidade importantes deve procurar apoio junto dos mais próximos, contactar a linha SNS24 de Apoio Psicológico e recorrer à ajuda profissional do médico de família, de um psicólogo ou de um psiquiatra.



E devemos manter o positivismo! Tentar sempre ver o bom lado das coisas. Por exemplo, 2020 não foi de todo um ano mau. Sim, a chegada de uma pandemia ensombrou o virar da década, trocou-nos as voltas, impedindo-nos de estar próximos de quem gostamos e de fazermos a nossa vida “normal”, mas também houve momentos de luz: no mesmo ano em que ouvimos falar pela primeira vez do SARS-CoV-2, desenvolveu-se uma vacina em tempo recorde. Foi um ano de conquistas no desporto português e um ano de intensa produção científica.

Foi o ano em que se desenvolveu a vacina mais rápida da história, um recorde conseguido no mesmo ano em que se ouviu falar pela primeira vez deste novo Coronavírus. Foi também o ano em que ficou a descoberto a boa vontade e a generosidade de quem saiu das suas casas para enfrentar o desconhecido e ajudar os outros — fosse a trabalhar na linha da frente ou em serviços essenciais, fosse para estender as mãos aos vizinhos ou a necessitados, que sofreram na pele os danos colaterais da pandemia.

Despeço-me com esta mensagem: Fiquem em casa, por vocês, por todos nós!

Fonte: Artigos do jornal "Público"

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Pois é, o Natal já passou e já vamos a 7 de Janeiro (se ainda não vos tinha desejado um bom ano, aqui ficam os meus votos: um feliz e próspero 2021, com tudo aquilo a que temos direito, em particular saúde). Mas esta última edição da
F Luxury continua vigente e permanece nas bancas à vossa espera.

E que edição! A capa e produção principal deste número conta com uma família muito especial: a de Ricardo Pereira. Pela primeira vez, o actor partilhou a sua intimidade ao permitir-se fotografar com a sua mulher Francisca e os três filhos do casal, que se destacaram como protagonistas. Ah, e não percam a entrevista exclusiva, onde o casal revela como vive em familia.



Sem dúvida, esta é mais uma F Luxury que volta a assumir-se como uma coffee table magazine por excelência, provando que uma revista em papel deste nível está aí para ficar, especialmente porque o digital, tão em voga, não apela aos nossos sentidos, nem consegue inscrever-se da mesma forma no universo do luxo. A internet, embora útil, nem sempre nos consegue informar de forma organizada ou fidedigna. Já a F Luxury é uma revista sem igual, especialmente concebida para nos dar prazer de ler, de a sentir.

Ainda com a malfadada pandemia presente e enaltecendo o que é nacional como idóneo, esta edição apresenta, entre outros interessantes artigos, o brilho das jóias portuguesas. Num outro registo, fala do importante lançamento do F Club, o mais novo e exclusivo clube de networking de mulheres empresárias, pensado por Fátima Magalhães. A Diretora da revista, também ela uma empreendedora nata, dá ainda a conhecer um outro seu novo projeto: a F Shop, uma plataforma online com marcas de luxo.

E assim, como esta fabulosa edição vaticina, também eu desejo a todos os que me lêem e que seguem o meu blog um novo ano com tudo de bom!




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E começo o meu primeiro post de 2021 com esta novidade. Visando “uma mensagem de felicidade apoiada pela fortaleza”, a conceituada empresa especialista em cores Pantone anunciou não uma, mas duas “cores do ano” para este ano. Cinza e amarelo foram os tons escolhidos como a combinação perfeita para nos trazer esperança.

De facto, para o presente ano as escolhas recaíram sobre Ultimate Grey e um “amarelo alegre” denominado Illuminating. Esta é a segunda vez na história de 22 anos da seleção por parte do Pantone Color Institute em que duas cores foram escolhidas. Em 2016, os tons suaves de rosa e azul foram também combinados.

 

Sobre a nova selecção de 2021, a Pantone revelou em comunicado: “A combinação é aspiracional e dá-nos esperança. Precisamos de sentir que tudo ficará mais claro. ” O cinza - “a cor dos seixos da praia” - estimula “sentimentos de compostura, estabilidade e resiliência”, prosseguiu. É o tom cinza do céu nublado, do cimento nas ruas, de cobertores anti-gravidade ou de telas de baixa luminosidade - a cor evoca as nossas experiências coletivas no ano passado. É um resumo deprimente: durante os meses de quarentena, certamente chegámos ao "cinza definitivo". Cinza significa ambiguidade e irresolução. Nem preto, nem branco, não aponta para um fim, apenas a continuação de um período indefinido. Com os casos de coronavírus ainda a aumentarem, é certamente aí que estamos. “É um cinza confiável”, como afirma Leatrice Eiseman, diretora executiva do Pantone Color Institute.

“Analisámos o que está a acontecer em termos socioeconómicos no mundo para ter certeza de que estamos atentos ao que o público em geral nos está a dizer, quais são suas necessidades, quais são suas esperanças. Com essa colecta de informações, pudemos fazer o nosso trabalho de casa e chegar a uma análise inteligente que nos permitiu decidir sobre a cor”, adiantou Leatrice Eiseman. O ano que passou “foi, em poucas palavras, sobre colectividade, um tema que deve continuar a influenciar o nosso comportamento e atitudes no futuro próximo. Quando a Pantone começou a realizar a sua pesquisa de cores para 2021, certas mudanças sociais claramente identificáveis que continuamos a enfrentar já estavam em andamento – desde a forma como nos socializamos e viajamos até como redefinimos as nossas mentes para o que é importante. Estamos a mudar de uma mentalidade de quantidade para a de qualidade, adaptando-nos de uma vida acelerada para uma vida lenta e adoptando o local sobre o global.”

 

As cores do ano para 2021 foram anunciadas a 9 de Dezembro de 2020: Ultimate Gray [Pantone 17-5104] e Illuminating [Pantone 13-0647], descrevendo o amarelo e o cinza escolhidos como independentes, mas complementares, representando um tema de unidade e apoio mútuo. Um casamento de cores que representa força, optimismo e coragem após um ano marcadamente desafiador. O Ultimate Gray versa sobre força e resiliência. É a cor das rochas e das pedras que existem há milhões de anos e que não vão desaparecer tão cedo, denotando “fortaleza; algo a que nos podemos apegar e que sempre estará lá para nós.” Já o Illuminating é brilhante e vivaz, é o amarelo radiante da casca do limão, um tom iluminado, a luz no fim do túnel, o sol a nascer sobre uma paisagem escura, o amanhecer da esperança que surge com a realidade de uma vacina. “Para a maioria das pessoas, desde pequenos, o amarelo significa esperança, positivismo e algo pelo qual ansiar. Proporciona sempre aquele sentimento de esperança, que é tão essencial para o espírito humano… os céus a abrirem-se para um belo dia ensolarado”, encerra Eiseman.


 

Pantone, ao nomear as suas cores do ano, vem assinalar a esperança em tempos difíceis. Trata-se de uma escolha que reflecte o ano passado, o confinamento, um período em que tivemos de nos isolar do mundo e ficar em casa. Assim, embora a cor do ano projectada normalmente resulte da previsão de tendências, de uma descoberta baseada em evidências sobre quais os tons que se tornaram populares, as escolhas de 2021 parecem claramente metafóricas, mais uma mensagem do que uma tendência…

Na última década, as opções de cores de Pantone foram notavelmente saturadas, com tons brilhantes e marcantes como Living Coral (2019), Ultraviolet (2018) e Radiant Orchid (2014). Ou seja, cores energéticas, do tipo que podem inspirar ou surpreender. O cinza não é tão empolgante… é a cor da contemplação; faz com que nos apercebamos de coisas às quais não tínhamos prestado atenção antes. Mas como é que a empresa poderia anunciar qualquer outra no seguimento do ano decorrido, quando, mais do que tudo, ansiamos por um retorno à normalidade?


Por isso, a junção de amarelo e cinza vem combinar com o “clima” do momento actual, tanto por voltar ao básico, como na procura de pequenos momentos de excitação ou mudança, como ervas daninhas a brotarem num terreno abandonado. Num contexto de design aos mais vários níveis, esta a combinação de cores tem um enorme potencial de estilo. Os dois tons harmonizam-se perfeitamente um com o outro e permitem criar combinações emocionantes. Algumas fashionistas e protagonistas de street style já estão a evidenciar como esta dupla Pantone pode ser multifacetada quando combinada. E vocês, de que forma vão adaptar a proposta de cores da Pantone para 2021? Inspirem-se nas imagens a seguir...


 





 










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“Mulher–Maravilha 1984” era uma dos lançamentos da DC mais aguardados do ano. Após muitos meses de espera e de alguns adiamentos devido à pandemia, o filme finalmente estreou nos cinemas portugueses. Leve e divertida, esta nova aventura da mulher-Maravilha era o filme de super-heróis de que todos estávamos a precisar neste final de 2020. Num ano que se tem revelado terrível e sem precedentes, que nos tem “roubado” muitas coisas – desde o afastamento de pessoas queridas a atividades quotidianas como ir ao cinema sem preocupações - esta longa-metragem, realizada mais uma vez por Patty Jenkins, traz-nos uma mensagem confortante de esperança e crença sobre o melhor que a humanidade pode ser. O filme apresenta uma narrativa bem desenvolvida que explora o simbolismo da personagem, afastando-se do tom sombrio que Zack Snyder tentou dar ao DCEU (DC Extended Universe).

 


Pode parecer um cliché, mas é de facto um alívio ter um filme como “Mulher-Maravilha 1984” agora. Quando William Moulton Marston criou a Mulher-Maravilha em 1941, ele imaginou a heroína como uma espécie de antídoto para o excesso de violência dos super-heróis existentes. Para ele, criar uma heroína com superpoderes era um modo de associar à ideia de heroísmo valores como altruísmo, empatia, ternura e amizade, normalmente desvalorizados numa cultura que considerava que ser-se forte era apenas estar dotado de força bruta e derrotar inimigos. Diana Prince surgiu, na altura, como uma heroína de força sobre-humana que se guiava por esses valores. Não empunhava armas mortíferas e procurava sempre reabilitar os maus da fita em vez de os aniquilar. É esse mesmo espírito que Jenkins evoca ao revisitar Diana (Gal Gadot). Nos anos 1980, ela vive em Washington, trabalha no Museu Smithsonian e leva uma vida de quem já está entre a humanidade há quase 70 anos: como Diana, é um tanto solitária e nostálgica pelas pessoas que já viu partir; como Mulher-Maravilha, encara como algo quotidiano salvar uma atleta de um atropelamento ou crianças de um assalto a um shopping centre. Diana já não é mais a jovem ingénua do primeiro filme, mas tampouco se deixou tomar pelo cinismo, nem perdeu a fé na humanidade, encarando a vida com um olhar terno.


O tom mais leve e menos solene do filme é o seu ponto forte. Paradoxalmente, consegue ser simultaneamente mais vincado na realidade quotidiana e mais fantástico, permitindo-nos vislumbrar Diana não só em ação, mas em momentos de grande intimidade e vulnerabilidade. A sua química com Steve Trevor (Chris Pine) dá ainda mais brilho a tais situações, agora com os papéis invertidos - é ele o peixe fora d’água no ano de 1984 -, e essas interações não são apenas alívios cómicos pontuais, e sim algo melhor integrado ao espírito do filme. Por outro lado, a ação é dinâmica, divertida e tornada mais fantástica pela facilidade com que Diana explora a vantagem que tem sobre os seus oponentes, desarmando-os sem grande esforço com a ajuda do laço da verdade e da sua tiara. Há também um certo tom do género filme de aventuras incutido, tal como em Indiana Jones, na busca de pistas sobre a relíquia que move a trama deste “Mulher-Maravilha 1984”.


Essa relíquia, um misterioso cristal, tem a função de elevar os obstáculos no caminho de Diana, quando coisas estranhas começam a acontecer a pessoas que tiveram contacto com ela, incluindo a própria, a sua colega gemologista Barbara Ann Minerva (Kristen Wiig) e a estrela de televendas e aspirante a magnata do petróleo Maxwell Lord (Pedro Pascal). Por sinal, estes atores estão muito bem nos papéis de antagonistas. A transição de tímida arqueóloga para numa femme fatale e posteriormente para uma Cheetah implacável por parte de Kristen Wiig é um dos pontos altos e faz-nos recordar um pouco Michelle Pfeiffer como Selina em “Batman: O Regresso”. Os poderes dessa pedra permitem que a realizadora Jenkins (que escreveu o argumento com Geoff Johns) apresente e desenvolva as motivações de cada personagem de modo que os espectadores sintam que coisas realmente importantes e muito pessoais estão em jogo para cada uma: recuperar um grande e verdadeiro amor, não se sentir mais menosprezada e invisível, conquistar admiração e respeito etc. Com esses elementos - heroína e vilões com muito a perder, uma atmosfera de aventuras dos anos 1980 e a possibilidade de redenção – Jenkins consegue, de alguma forma, entregar um enredo mais bem desenvolvido do que o primeiro Mulher-Maravilha (2017), talvez por nos fazer sentir que este era o tom que a nossa heroína merecia desde o início.


“Mulher-Maravilha 1984”, além de ser um blockbuster magnífico, chega numa assustadora sintonia com os tempos actuais, já que, sem querer, acaba por recair sobre questões inerentes a um mundo em pandemia. De facto, este é o maior trunfo do enredo: conseguir incitar o público com questões sociais, mas sem esquecer a essência da produção, que é a de narrar a jornada de uma super-heroína. Apesar da estética dos anos 1980 nos encantar, ela não nos afasta do verdadeiro propósito da história: apresentar uma sociedade individualista e consumista que é arruinada pelos seus próprios impulsos.

E não se pode deixar de falar sobre Gal Gadot. Que a atriz nasceu para ser a Mulher-Maravilha, não restam dúvidas. Porém, neste seu segundo filme a solo, a protagonista é-nos apresentada por uma óptica muito mais vulnerável, que a faz questionar sobre o seu papel neste mundo. Mais madura do que a inocente heroína que conhecemos em 2017, Diana precisa balancear os seus interesses pessoais com as necessidades do planeta que ela jurou proteger. Esse conflito emocional é apresentado de maneira muito honesta e evidencia um dos maiores desafios de ser-se um super-herói: dar prioridade aos outros acima de si mesmo.


Tecnicamente, a obra também não decepciona. Os efeitos visuais são convincentes e envolventes. Inclusive, a fantástica abertura do filme, como um prelúdio, dita o tom para o restante da história, apresentando uma competição de proporções épicas entre uma jovem Diana e outras amazonas na ilha de Themyscira. No final dessa sequência, somos confrontados com alguns das questões morais que irão permanecer ao longo do filme.

Seja a voar num avião invisível ou a enfrentar uma Mulher-Leopardo obstinada, Mulher-Maravilha entrega toda a magia que precisamos no momento, fazendo-nos escapar da triste realidade, da fase difícil que enfrentamos. E, tal como a nossa heroína afirma no filme, o melhor caminho — mesmo que seja o mais doloroso — sempre será o da verdade.


“Mulher-Maravilha 1984” amealhou 31.5 milhões de euros nos primeiros dias em exibição nas salas de cinema, um pouco abaixo da previsão de 49 milhões de euros apontada para o filme antes da estreia. O filme foi recebido com grande entusiasmo, porém o encerramento das salas de cinema em alguns países prejudicou a sua performance. Os mais recentes desenvolvimentos em torno da pandemia COVID-19 forçaram as autoridades de alguns países a decretar o isolamento social e recolher obrigatório, tendo algumas salas de cinema sido encerradas novamente. Razão pela qual o último blockbuster do ano ter ido para streaming nos E.U.A. no dia de Natal, tendo estreado em simultâneo nas salas abertas e na HBO Max. Em Portugal, está em exclusivo nos cinemas desde o dia 16 de Dezembro. Não percam!

 



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