Os anos 80 estão de volta. Já repararam? Em todo o lado: na moda, na música, no cinema, na fotografia e, agora, até através da Inteligência Artificial, nas redes sociais. Mas o que leva toda uma nova geração a sentir nostalgia por uma década que nunca viveu? E o que sentimos nós, que estivemos realmente lá, ao vê-la regressar?

Nos últimos dias, também eu entrei na brincadeira. Uma fotografia atual, algumas indicações à IA e, de repente, lá estava eu transportado para os anos 80: blusão de cabedal, jeans, néons, máquinas de Arcade, um boombox ao ombro e aquele ambiente entre o videoclip e o filme adolescente que hoje sintetiza todo um imaginário. Confesso: diverti-me imenso com o resultado.

 Mas havia uma ironia incrível em tudo aquilo. Eu não precisava que a Inteligência Artificial me “explicasse” como eram os anos 80, porque eu estive lá. E talvez seja precisamente isso que torna tão fascinante esta nova obsessão coletiva pela década prodigiosa. Para uns, os anos 80 são uma estética, para outros, como eu, são memória.

A década que se recusa a desaparecer

O fenómeno está longe de se limitar à mais recente brincadeira das redes sociais. A tendência dos retratos gerados por IA com cabelos volumosos, roupas e acessórios retro, iluminação quente e textura de fotografia analógica tornou-se viral. Mais uma manifestação de uma nostalgia pelos anos 80 que há muito atravessa a cultura contemporânea. E como bons portugueses que somos, um povo saudosista por natureza, esta viagem teve repercussões fantásticas.


Basta olhar à nossa volta. Stranger Things transformou a estética da década num fenómeno para novas gerações. O cinema recupera personagens, universos e franchises que pareciam pertencer definitivamente ao passado. A moda revisita volumes, silhuetas e peças que julgávamos arrumadas no armário da história. O vinil regressou, em força! As câmaras analógicas voltaram. O grão, as imperfeições, os reflexos e até aquilo que durante anos tentámos eliminar das fotografias digitais tornaram-se novamente desejáveis.

 

Curiosamente, há poucos dias o Financial Times analisava precisamente a atração da Geração Z por objetos físicos e tecnologias aparentemente ultrapassadas. Câmaras, suportes físicos e imagens imperfeitas oferecem uma experiência mais tangível num mundo cada vez mais digital e dominado pela Inteligência Artificial.

Até a fotografia vive este paradoxo: depois de décadas de evolução tecnológica destinadas a eliminar grão, erros, limitações e imprevisibilidade, fabricantes e aplicações procuram agora reproduzir precisamente essas características para devolver às imagens uma suposta “experiência de filme”. Talvez a perfeição digital nos tenha feito descobrir que a imperfeição também pode ter alma.


Podemos sentir saudades do que nunca vivemos?

Há uma palavra particularmente específica para isso: anemoia. É usada para descrever uma espécie de nostalgia por um tempo que não se viveu. E ajuda a compreender por que razão alguém nascido muito depois de 1989 pode sentir uma estranha familiaridade com cassetes, Polaroids, telefones com fio e números giratórios, sintetizadores ou máquinas de jogos.

Naturalmente, esses jovens não sentem saudades das suas próprias memórias dos anos 80. Sentem atração por uma ideia dos anos 80 construída através da música, do cinema, das fotografias, da moda, das séries e, agora, das redes sociais, que lhes chega. E há aqui uma distinção importante.

 

Os anos 80 que hoje regressam não são necessariamente os anos 80 que existiram. São uma versão editada, filtrada e extraordinariamente fotogénica deles. Porque essa década não foi apenas néon, Madonna, Prince, Michael Jackson, ombreiras, Walkmans e noites sem fim. Teve crises, conflitos, medos, desigualdades e grandes contradições. Guerra fria, Muro de Berlim, etc. Quem a viveu sabe disso... Mas a memória tem um extraordinário departamento de edição.

Com o passar dos anos, ficam determinadas músicas, pessoas, paixões, lugares, cheiros, roupas, noites e aquela sensação muito particular de estarmos a descobrir alguma coisa pela primeira vez.


A nostalgia como porto de abrigo

Foi precisamente esta dimensão que me chamou a atenção num texto de Rita Amzalak, publicado no Briefing. A autora recorda como a nostalgia se tornou uma poderosa ferramenta do marketing contemporâneo e relaciona a sua força com a procura de conforto perante crises económicas, instabilidade social, guerras, ansiedade ambiental e um quotidiano digital acelerado.

E a psicologia ajuda a perceber porquê. A investigação tem associado a nostalgia a sentimentos de ligação social, continuidade entre aquilo que fomos e aquilo que somos e, em determinadas circunstâncias, ao otimismo, à inspiração e a um sentido para a vida.

É fácil compreender por que razão as marcas descobriram aí um território tão poderoso. Um produto que nos recorda a adolescência não é apenas um produto. Uma música que nos transporta imediatamente para determinado momento não é apenas uma música. E um objeto que reconhecemos da casa dos nossos pais ou avós transporta consigo uma história.

O marketing sabe-o e explora-o. Umas vezes com inteligência e sensibilidade, outras limitando-se a colocar uma embalagem antiga numa prateleira e chamar-lhe vintage. A própria investigação sobre publicidade nostálgica mostra que parte da sua eficácia pode passar precisamente pelo sentimento de ligação social que desperta. Mas reduzir tudo isto a marketing seria perder a parte mais interessante do fenómeno.


Estaremos cansados de tanta perfeição?

Há algo de profundamente contraditório no momento que estamos a viver. Nunca tivemos tanta tecnologia ao dispor. Nunca produzimos tantas fotografias. Nunca tivemos acesso imediato a tanta música, tantos filmes, tanta informação e tantas pessoas. E, no entanto, procuramos discos de vinil. Compramos câmaras que produzem fotografias imperfeitas. Recuperamos roupa antiga. Queremos objetos que podemos tocar. E aplicamos filtros às nossas fotografias digitais para que pareçam ter sido reveladas há 40 anos.

Talvez não estejamos apenas à procura do passado, talvez estejamos à procura daquilo que sentimos que perdemos pelo caminho. O tempo de esperar que uma fotografia fosse revelada. De ouvir um álbum inteiro porque não havia um botão para saltar infinitamente entre inúmeras músicas. De telefonar para uma casa sem saber quem iria atender. De combinar um encontro e aparecer porque ninguém podia enviar uma mensagem cinco minutos antes a dizer que estava atrasado.

Não digo isto com o habitual “no meu tempo é que era bom”. Não o era. A tecnologia resolveu problemas, aproximou pessoas, democratizou conhecimento e abriu possibilidades extraordinárias. Não trocaria o presente pelo passado. Só que ganhámos umas coisas e perdemos outras. E talvez uma geração que cresceu permanentemente ligada a um ecrã encontre nesse mundo analógico algo de exótico que, para nós, era simplesmente quotidiano.


Eu estive lá

É aqui que esta brincadeira com a Inteligência Artificial se tornou inesperadamente pessoal. Ao ver aquelas versões de mim próprio nos anos 80, algumas cinematográficas, outras exageradas, todas deliciosamente improváveis, percebi que estava a utilizar uma das tecnologias mais avançadas do nosso tempo para reconstruir uma época profundamente analógica da minha própria vida. E há qualquer coisa de extraordinário nisso. A IA imagina como eu poderia ter sido. Eu lembro-me de como fui.

Lembro-me da música. Da moda. Das descobertas. Da liberdade. Dos excessos. Da energia criativa. Da sensação de que tudo estava a mudar e de que o futuro ainda era um território enorme por descobrir. E depois fui buscar uma fotografia verdadeira. Nada de prompt. Nada de Inteligência Artificial. Nada de filtros. Eu, nos anos 80. E, sim, aquele cabelo existiu mesmo. Com um volume suficientemente ambicioso para hoje me fazer reconhecer uma certa proximidade capilar com Rick Astley. As provas são irrefutáveis.


Diferença entre nostalgia e saudosismo

Há, contudo, um conforto perigoso em acreditar que o melhor já aconteceu. Quando transformamos a memória num lugar permanentemente melhor do que o presente, corremos o risco de passar mais tempo a contemplar quem fomos do que a construir quem ainda podemos ser. E eu recuso essa ideia.

Eu não quero regressar aos anos 80. Quero recordar os anos 80. Quero celebrar tudo aquilo que me deram, reconhecer o homem que começou a construir-se naquela época e perceber quanto desse jovem continua em mim. Mas quero que a minha versão atual continue a ser a protagonista da minha história, não uma espectadora fascinada pelo homem que fui.

Porque, por mais extraordinárias que sejam as memórias, a vida não acontece para trás. O passado pode explicar-nos; não deve aprisionar-nos. Quero continuar a avançar, quero descobrir música nova, como uma Lola Young ou um Benson Boone, por exemplo, pessoas novas, lugares novos, ideias novas e perceber este mundo estranho e fascinante em que uma máquina consegue olhar para uma fotografia minha de 2026 e imaginar como eu teria sido quatro décadas antes. Talvez seja esse, afinal, o paradoxo mais giro desta brincadeira: usei o futuro para visitar o passado e acabei por me lembrar da importância de continuar a olhar em frente.

Porém, isso não diminui aquilo que vivi. Pelo contrário, torna-o parte de uma história que ainda está a ser escrita. E por isso divirto-me verdadeiramente ao ver uma geração que não viveu os anos 80 apaixonar-se pela sua música, pelas suas cores, pela sua moda e pelos seus objetos analógicos. Há qualquer coisa de belo quando uma época consegue atravessar gerações e ganhar uma segunda vida.

Por isso, no meio desta enorme onda retro, fica-me, sobretudo, um desejo: que as novas gerações tenham a sorte de viver, à sua maneira, pelo menos um pouco da intensidade, da descoberta e da liberdade que eu tive o privilégio de sentir e viver.

Porque os anos 80 podem estar novamente na moda. Podem ser recriados por séries, recuperados pelas marcas, reinterpretados pela moda e, agora, até reinventados pela Inteligência Artificial. Mas há uma pequena diferença. Eles descobriram os anos 80, mas eu estive lá.

0 comentários

 

 

Sol, praia, corpos bronzeados, copos com gelo, amigos que parecem estar a divertir-se imenso... Famílias felizes, hotéis maravilhosos. E pôr do sol, muitos pores do sol. Se acreditássemos em tudo o que a publicidade e as redes sociais nos mostram durante estes meses, chegaríamos facilmente à conclusão de que, no verão, ninguém está triste.

 

Nem sozinho, nem preocupado, nem sem dinheiro. Nem sequer aborrecido. No verão, aparentemente, somos todos felizes. Ou, pelo menos, temos de parecê-lo. Mas aí eu pergunto-me: a felicidade também tem uma estação do ano? Foi um artigo que li recentemente na Meios & Publicidade, sobre a forma como as campanhas estivais podem potenciar aquilo a que se chama «positividade tóxica», que me deixou a pensar...

 

Porque basta olhar à nossa volta. A publicidade sempre nos vendeu aspirações. Faz parte da sua natureza. Não esperamos propriamente que uma campanha de férias nos mostre alguém a discutir com o companheiro porque se enganaram na saída da auto-estrada ou uma família desesperada porque as malas não chegaram ao aeroporto.

 

Contudo, no verão essa construção de um mundo perfeito parece atingir outra dimensão. Tudo é leve, tudo é bonito. Toda a gente tem amigos, toda a gente tem alguém, toda a gente está bronzeada, descontraída e, aparentemente, com dinheiro suficiente para estar num lugar maravilhoso.

 

E depois chegaram as redes sociais, onde deixámos de ser apenas consumidores dessa publicidade. Passámos, também, a produzi-la. Sim, é verdade!

 



Os publicitários das nossas próprias vidas

 

Pensemos nas fotografias das nossas férias. Escolhemos a praia mais bonita, o melhor ângulo da piscina. Esperamos que ninguém passe atrás quando fotografamos o pôr do sol. Fotografamos o prato antes de começar a comer. Escolhemos entre cinco fotografias aquela em que parecemos melhor.

 

Nada disso tem necessariamente mal algum. Eu também o faço, por vezes. O problema começa, talvez, quando nos esquecemos de que os outros estão a fazer exatamente a mesma coisa. Porque aquilo que aparece no Instagram não é necessariamente falso, é selecionado.

 

E há aqui uma diferença importante. Aquela pessoa esteve realmente naquela praia paradisíaca. O cocktail existiu, o hotel era bonito, ou o jantar aconteceu. O sorriso pode até ter sido absolutamente genuíno. Só não sabemos o que aconteceu cinco minutos antes ou cinco minutos depois... Talvez tenham discutido. Talvez o hotel tenha sido uma desilusão. Talvez aquela pessoa esteja preocupada com o trabalho. Talvez aquela viagem tenha sido paga em prestações. Ou talvez esteja simplesmente a passar umas férias maravilhosas, o que também acontece, felizmente.

 

A questão é outra: vemos alguns segundos cuidadosamente escolhidos da vida de alguém e, sem percebermos, podemos compará-los com as 24 horas da nossa. E essa comparação é manifestamente injusta.

 

 

Positividade tóxica não é felicidade a mais

 

Convém esclarecer uma coisa. A positividade tóxica não significa que ser positivo seja mau. Nem que devamos desconfiar de quem está genuinamente feliz. O problema está na ideia de que apenas as emoções positivas são aceitáveis e que tristeza, frustração, solidão, ansiedade ou, simplesmente, um dia mau devem ser rapidamente substituídos por um «pensa positivo».

 

No verão, essa pressão pode tornar-se particularmente visível porque tudo à nossa volta parece dizer-nos que esta é a altura do ano em que temos obrigação de estar bem. É verão! Está sol! Vai à praia, aproveita!

 

Como se uma estação do ano tivesse o poder de suspender problemas, preocupações, contas para pagar, relações complicadas ou, simplesmente, o direito a não nos apetecer estar radiantes.

 

 

E quem disse que estamos todos de férias?

 

Há ainda outra coisa curiosa nesta felicidade estival aparentemente coletiva: quem decidiu que tiramos todos férias em agosto? Eu, por exemplo, só vou de tirar uns dias de férias em setembro.

 

No entanto, basta abrir as redes sociais durante estas semanas para ter a sensação de que o país inteiro fechou para férias e se mudou temporariamente para uma praia, uma piscina ou uma esplanada algures no Mediterrâneo. Agosto adquiriu uma espécie de estatuto oficial de mês da felicidade. É quando supostamente descansamos, viajamos, estamos com os amigos, aproveitamos a família, namoramos, bronzeamos e colecionamos pores do sol. Tudo em simultâneo. Só que a vida real não funciona assim.

 

Há quem trabalhe em agosto. Quem prefira junho ou setembro. Ou quem não goste particularmente de praia, quem não viaje. Quem esteja sozinho, quem esteja preocupado com dinheiro. Quem esteja a atravessar um momento difícil... E há quem, simplesmente, não esteja particularmente feliz. E nada disso deixa de ser verão. Talvez o mais curioso seja termos criado não apenas uma imagem da felicidade, mas também um calendário para ela. Como se houvesse uma altura certa para sermos felizes. E, pelos vistos, é em agosto.


 

 

A viagem perfeita também pode cansar

 

Há ainda uma ironia particularmente interessante em tudo isto. Ao querermos mostrar aos outros como estamos a aproveitar as férias, podemos acabar preocupados com a forma como as próprias férias vão parecer aos olhos dos outros.

 

A viagem deixa, então, de ser apenas uma experiência e transforma-se também em conteúdo. Onde fotografar? Qual publicar? Esta está suficientemente bonita? E quantos likes teve? E enquanto decidimos qual das fotografias melhor representa aquele momento perfeito, talvez estejamos precisamente a deixar escapar parte do momento.

 

Investigações sobre redes sociais têm vindo a estudar esta relação entre autopresentação, comparação e bem-estar. E um estudo recente dedicado especificamente à partilha de viagens encontrou uma associação curiosa: quanto maior a preocupação em gerir a impressão transmitida através das publicações, maior tendia a ser a ansiedade associada a publicar e menor a satisfação relatada com a própria viagem.

 

Talvez a velha frase «pics or it didn't happen» tenha ganho uma dimensão que nunca imaginámos. Às vezes, parece que já não basta viver, é preciso provar que vivemos.

 

 

Não culpemos apenas o Instagram

 

Seria demasiado fácil transformar as redes sociais no vilão desta história. Elas também nos aproximam, permitem-nos acompanhar amigos que estão longe, descobrir lugares, guardar memórias e partilhar momentos de que genuinamente gostamos.

 

E ver alguém feliz também pode simplesmente deixar-nos felizes. O problema não é publicar. O problema talvez esteja em confundir publicação com realidade.

 

Na publicidade sabemos que existe uma produção. Sabemos que aquela mesa foi preparada, aquela luz escolhida, aqueles modelos selecionados e aquela fotografia trabalhada. Porém, nas redes sociais, essa fronteira é muito mais difusa porque conhecemos, ou julgamos conhecer, quem está do outro lado.

 

E esquecemo-nos de que também ali existe edição. Não necessariamente Photoshop, mas edição da vida, do que ficou fora da fotografia

 

Talvez seja esta a coisa de que devêssemos lembrar-nos quando, numa terça-feira de agosto, estamos sentados ao computador a trabalhar e abrimos o Instagram para encontrar alguém mergulhado numa piscina nas Maldivas. A vida dele não é necessariamente melhor do que a nossa. Naquele momento, a fotografia é que é. E podemos apreciá-la. Podemos pôr um like. Podemos até pensar «que inveja!» e começar a sonhar com a nossa próxima viagem.

 

Só não precisamos de transformar os momentos felizes dos outros numa prova daquilo que supostamente falta à nossa vida. Até porque quem está naquela piscina também tem uma vida fora daquele quadrado.

 

 

 

Talvez o verão possa ser só verão

 

Gosto do verão, a sério! Gosto de esplanadas, das noites quentes, de praia, de viagens e, sim, também gosto de um belo pôr do sol. Não quero transformar a silly season numa sessão coletiva de melancolia. Muito pelo contrário, apenas quis fazer uma reflexão. Porque talvez devêssemos apenas devolver ao verão o direito de não ser perfeito. Podemos ter férias maravilhosas e dias péssimos durante as mesmas férias. Podemos viajar para o outro lado do mundo ou ficar em casa. Podemos ir de férias em agosto, setembro, dezembro ou quando nos apetecer (ou quando pudermos).

 

Podemos publicar vinte fotografias ou nenhuma. E podemos escolher estar felizes sem mostrar a ninguém. Porque o problema nunca foi a fotografia do pôr do sol. O problema é começarmos a achar que a vida dos outros é o pôr do sol inteiro, quando estamos apenas a ver a fotografia.

 

E, já agora, se ainda estão a trabalhar enquanto parece que toda a gente está de férias, não se preocupem. Eu também.

0 comentários


Normalmente, para qualquer museu, entra-se por uma porta. Neste de que vos vou falar, entramos através de um ecrã. E acreditem: nem por isso a viagem é menos interessante.

 

Descobri, recentemente, o “Museu das Marcas, Artes Gráficas e Publicidade”, um projeto criado pelo Museu do Caramulo e inteiramente dedicado à história das marcas, dos produtos, do design e da publicidade que fizeram, e continuam a fazer, parte da vida dos portugueses.

 

E sim: apesar do nome, não vale a pena procurar a morada para planear uma visita. O museu é 100% digital, interativo e de acesso livre. Daí ter afirmado logo ao início que se entra através de um ecrã. Mas talvez seja precisamente aí que esteja uma das suas maiores virtudes.

 

Porque aquilo que encontramos é uma espécie de um enorme álbum da nossa memória coletiva. Embalagens que reconhecemos, anúncios que nos lembramos de ver, logótipos que, entretanto, desapareceram, rótulos, cartazes, objetos publicitários e produtos que, em muitos casos, fizeram parte das nossas casas sem alguma vez pensarmos que um dia poderiam tornar-se peças de museu.

 


 

Quando uma embalagem nos devolve ao passado

 

Quem nunca olhou para uma embalagem antiga e foi imediatamente transportado para outra época? Uma lata de bolachas em casa dos avós, um sabonete que estava sempre na casa de banho, um refrigerante das férias de verão, um anúncio que passava repetidamente na televisão, com um “jingle” que não nos saía da cabeça, ou um logótipo que já quase tínhamos esquecido. É também por tudo isto que torna este projeto tão interessante.

 


 

O “Museu das Marcas, Artes Gráficas e Publicidade” reúne mais de 10.000 objetos catalogados, relacionados com a história da publicidade e das artes gráficas em Portugal e no mundo. Há objetos de design industrial, embalagens, cartazes, rótulos, protótipos, maquetes, anúncios e muitas outras peças relacionadas com a comunicação visual.

 

Algumas pertencem a marcas que continuam connosco. Outras sobreviveram apenas na memória. E é curioso perceber que objetos originalmente criados para vender um produto acabam, décadas depois, por contar muito mais do que isso. Contam-nos como vivíamos.

 


 

A publicidade também é História

 

Sempre achei fascinante olhar para publicidade antiga. Não apenas pela criatividade, ou porque algumas campanhas hoje nos parecem deliciosamente ingénuas, mas porque a publicidade funciona quase como uma fotografia da sociedade no momento em que foi criada.

 

Mostra-nos aquilo que desejávamos, como nos vestíamos, o que comíamos, os automóveis que ambicionávamos, a casa que queríamos ter e até os papéis sociais que, em determinada época, eram atribuídos a homens e mulheres. Por isso, preservar a publicidade não significa apenas preservar anúncios. Significa preservar uma parte da nossa história social e cultural.

 

É precisamente essa uma das missões do “Museu das Marcas, Artes Gráficas e Publicidade”: conservar e divulgar a história das marcas, do consumo, das artes gráficas e do design, transformando materiais muitas vezes considerados efémeros em documentos disponíveis para as gerações futuras.

 


 

Do Caramulo para qualquer parte do mundo

 

Todas as peças são conservadas, fotografadas, digitalizadas e catalogadas por uma equipa multidisciplinar antes de serem disponibilizadas online. O projeto conta ainda com o apoio da Google através do Art Camera Loaner Program, que permite captar algumas peças em altíssima resolução e disponibilizá-las também através da Google Arts & Culture.

 

E não se pense que o museu se limita apenas aos objetos. Existem também histórias de marcas, artigos, vídeos e exposições digitais, num arquivo que continuará a crescer. O projeto reúne marcas portuguesas e internacionais que estiveram ou continuam presentes no nosso país, incluindo algumas que já desapareceram por completo.

 


 

Um museu onde todos temos uma memória

 

Talvez seja esta a parte de que mais gosto no projeto. Num museu tradicional podemos admirar um objeto extraordinário que nunca fez parte da nossa vida. Aqui acontece frequentemente o contrário: encontramos objetos absolutamente banais que, de repente, percebemos terem feito parte dela. Há nisto quase uma atitude “warholiana”. E basta uma imagem, uma embalagem, um anúncio, um logótipo, para nos lembrarmos de uma cozinha, de uma pessoa, de umas férias, de uma infância ou, simplesmente, de um tempo que passou e que já não existe.

 

É por isso que este “Museu das Marcas, Artes Gráficas e Publicidade” me parece muito mais do que um arquivo de publicidade. É, de certa forma, um arquivo de nós próprios. E a melhor parte é que a entrada é gratuita, não há filas e está aberto 24 horas por dia.

 


 

0 comentários

 

Se, como eu, gostam do universo Disney, há um nome que provavelmente vão começar a ouvir cada vez mais: D23. E se ainda não ouviram falar dele, não se preocupem. Apesar de ser um verdadeiro acontecimento para os fãs da Disney e de reunir milhares de pessoas vindas de todo o mundo, a D23 ainda não tem, por cá, a mesma notoriedade de eventos como a Comic-Com, por exemplo. Mas depois de tudo o que aconteceu este fim de semana em Anaheim, na Califórnia, EUA, talvez seja altura de passarmos a ter mais em conta estas três letras e dois números.

 

Antes de chegarmos às muitas novidades anunciadas para os próximos anos, e acreditem que foram mesmo muitas (e sabem que adoro passar novidades, ou não fizesse eu, quase todos os janeiros, a apresentação dos lançamentos do ano em cinema), convém começar pelo princípio.

 


Afinal, o que é a D23?

 

O nome é mais simples do que parece. O “D” significa Disney e o “23” remete para 1923, ano em que Walt Disney chegou à Califórnia e fundou aquilo que viria a transformar-se na The Walt Disney Company.

 

A D23 nasceu oficialmente em 2009 como o primeiro clube oficial de fãs da Disney. E logo nesse ano, entre 10 e 13 de setembro, realizou-se, também em Anaheim, a primeira D23 Expo, reunindo num mesmo espaço as diferentes áreas da companhia, com apresentações, exposições, encontros com artistas, antecipações de filmes e séries, objetos dos arquivos Disney e, claro, produtos exclusivos.

 

Desde então, o evento foi crescendo e tem vindo a transformar-se numa enorme celebração do universo Disney, realizada de dois em dois anos em Anaheim, embora a D23 organize muitos outros encontros e iniciativas entre as grandes edições.

 

E quando digo universo Disney, não estou a falar apenas do Mickey, das princesas ou dos excelentes filmes de animação. Hoje, falar de Disney significa falar também de Pixar, Marvel, Star Wars, National Geographic, Disney+, Hulu, ESPN, parques temáticos, resorts e cruzeiros, entre muitas outras áreas.

 

Talvez por isso seja tentador chamar à D23 uma espécie de “Comic-Con da Disney”. Tal comparação ajuda a perceber a dimensão do acontecimento, mas ainda fica aquém daquilo em que se tornou. Porque aqui tudo pertence ao mesmo universo e, durante três dias, a Disney não só celebra a sua história e os seus fãs como também lhes mostra uma parte daquilo que está a preparar para o futuro. E foi precisamente isso que aconteceu entre 14 e 16 de agosto, na D23: The Ultimate Disney Fan Event 2026.

 


Esta foi, aliás, a edição com o maior espaço de exposição da história do evento, transformando o Anaheim Convention Center numa gigantesca montra onde era possível entrar nos universos de Marvel, Star Wars ou Pixar, assistir a apresentações, encontrar atores e criadores, descobrir objetos históricos dos arquivos Disney e, naturalmente, comprar algumas daquelas coisas que fazem qualquer colecionador perder a cabeça.

 

Mas as atenções estavam, sobretudo, viradas para dois grandes momentos: o Disney Entertainment Showcase, na sexta-feira, e o Disney Experiences Showcase, ontem, sábado. E foi aí que começaram as surpresas...

 


O que é que a Disney revelou este ano?

 

Uma das grandes notícias da D23 2026 veio da Marvel, com a revelação do elenco do novo filme dos “X-Men”. Sadie Sink será Jean Grey, Kit Connor, de “Heartstopper”, assume o papel de Cyclops, Christopher Abbott será Professor X, Inde Navarrette interpreta Rogue, Maya Boyd será Storm, Samara Weaving dará vida a Emma Frost e Adam Driver entra neste universo como Mister Sinister. O filme, realizado por Jake Schreier, deverá chegar aos cinemas em maio de 2028.

 

A Marvel aproveitou ainda o palco da D23 para mostrar novas imagens de “Avengers: Doomsday, que terá Robert Downey Jr. como Doctor Doom, e revelar novidades de “VisionQuest”, série spin-off the “VandaVision”, com Paul Bettany novamente no papel de Vision e James Spader como Ultron.

 

Do lado da animação, houve também muito por onde escolher. “Frozen 3” chega aos cinemas em novembro de 2027 e o público da D23 pôde ver as primeiras imagens e ouvir novas canções interpretadas ao vivo por Kristen Bell, Idina Menzel e Josh Gad. Entre aquilo que já sabemos está o casamento de Anna e Kristoff. E até Olaf parece vir a descobrir o amor.

 

A Pixar confirmou “Incredibles 3” para 2028, desta vez com maior protagonismo para os filhos da família Parr, e “Coco 2” para novembro de 2029, levando-nos novamente ao mundo de Miguel e da sua família.

 

Mas há mais. Muito mais... Foi confirmado “Zootopia 3”, anunciado um novo filme de “The Simpsons”, revelado o live-action de “Tangled” (“Entrelaçados”) e apresentada uma série animada inspirada no universo videogame de “Kingdom Hearts”. Houve, ainda, espaço para novos projetos como “Ghost Market” e “Gatto e para a continuação de “Lilo & Stitch”.

 

No universo Star Wars, Ryan Gosling apresentou as primeiras imagens de “Star Wars: Starfighter”, onde interpreta Kade, piloto de uma nave que promete ser uma das mais rápidas alguma vez vistas nesta galáxia muito, muito distante. A segunda temporada de “Ahsoka”, prevista para 2027, também mostrou novidades.

 

E Anne Hathaway apareceu para falar de “The Princess Diaries 3”, outro dos regressos que, certamente, despertará alguma nostalgia. Ou seja, se achavam que a Disney já tinha filmes e séries suficientes para os próximos anos, desenganem-se.

 


Disney não é só aquilo que vemos nos ecrãs

 

Foi ontem, sábado, que a D23 mostrou outra das razões pelas quais este evento é tão interessante. Apresentado por Neil Patrick Harris, com os fãs a esgotarem o recinto, o Disney Experiences Showcase virou as atenções para aquilo que podemos efetivamente visitar e viver: os parques, resorts e restantes experiências Disney espalhados pelo mundo. E aqui entramos num universo fascinante chamado Walt Disney Imagineering.

 

Os Imagineers são, no fundo, as pessoas responsáveis por transformar histórias em lugares. Misturam imaginação com engenharia, arquitetura, design, tecnologia e storytelling para fazer com que aquilo que vemos num filme possa, de alguma forma, ser vivido no mundo real. E têm bastante trabalho pela frente.

 


No Walt Disney World, na Florida, continua a ganhar forma o muito aguardado Villains Land, uma nova área do Magic Kingdom inteiramente dedicada aos vilões Disney, que contará com duas grandes atrações. Uma delas terá Maleficent como protagonista e promete uma montanha-russa bastante diferente da imagem mais infantil que ainda associamos a muitos parques Disney. Também está em desenvolvimento Monstropolis, inspirada no filme da Pixar “Monsters, Inc.”, enquanto uma nova área dedicada a “Cars continua a avançar.

 

No Animal Kingdom, a transformação da atual zona de DinoLand U.S.A. dará origem a Tropical Americas, com uma atração inspirada em “Encanto” e uma nova aventura de Indiana Jones. E sim, Harrison Ford voltará a emprestar a sua imagem a Indiana Jones, desta vez em “Indiana Jones and the Myth of the Jade Serpent”.

 

Uma das atrações mais emblemáticas do Animal Kingdom, Expedition Everest, terá também uma surpresa particularmente apreciada pelos fãs: o famoso Yeti voltará a mexer-se.

Na Disneyland da Califórnia, Tomorrowland será reinventada, haverá uma nova atração inspirada em “Coco” e o Avengers Campus continuará a crescer. E as novidades não ficam pelos Estados Unidos.

 

A Disneyland Paris prepara uma nova área dedicada a “The Lion King”, Hong Kong e Xangai terão novas experiências Marvel e a icónica Space Mountain de Tóquio será completamente reinventada. No EPCOT, outra notícia despertou particularmente a nostalgia dos fãs mais antigos: Journey Into Imagination será totalmente repensada, mantendo Figment e trazendo de volta Dreamfinder.

 

Tudo isto ajuda-nos a perceber uma coisa: quando a Disney apresenta um novo filme, já não estamos necessariamente perante uma história destinada apenas ao cinema ou ao streaming no Disney +. Essa mesma história pode, anos depois, transformar-se numa atração, num hotel, num espetáculo, numa área inteira de um parque temático ou até numa experiência a bordo de um navio.

 


Uma festa para quem gosta mesmo da Disney

 

Mas a convenção D23 não vive apenas de anúncios. Durante os três dias há exposições, concertos, encontros com actores, realizadores, animadores e Imagineers, experiências imersivas, apresentações dedicadas à história da companhia e uma quantidade quase infinita de objetos e produtos pensados para os colecionadores.

 

E talvez seja precisamente isso que explica o entusiasmo de quem atravessa meio mundo para estar em Anaheim. Para um verdadeiro fã, como eu, não se trata apenas de descobrir qual será o próximo filme, mas poder adentrar, durante três dias, naquele universo que acompanha muitas pessoas desde a infância e por várias gerações.

 

A edição deste ano termina este domingo com outro dos momentos mais simbólicos da D23: os Disney Legends Awards, a mais alta distinção atribuída pela companhia a personalidades que deixaram uma marca importante na sua história.

 

Entre os homenageados de 2026 encontram-se Anne Hathaway, Jerry Bruckheimer, Bob Iger, Dwayne Johnson, Lin-Manuel Miranda, os Jonas Brothers, Susan Egan, Alan Tudyk, Eric Goldberg, Kim Irvine e Chris Berman.

 

É uma forma perfeita de terminar estes três dias. Porque talvez seja isso que melhor define a D23: enquanto presta homenagem às pessoas, personagens e histórias que construíram mais de um século de Disney, abre, simultaneamente, a porta para aquilo que ainda está por vir.

 

E confesso que, depois de tudo o que foi anunciado ao longo deste fim de semana, essa porta ficou bem escancarada. Filmes, séries, novas personagens, regressos inesperados, parques reinventados, atrações que ainda nem começaram a ser construídas e projetos que só veremos daqui a três ou quatro anos.

 

Por isso, se até hoje nunca tinham ouvido falar da D23, já sabem. Da próxima vez que virem estas três letras e dois números, preparem-se: provavelmente, vem aí qualquer coisa nova do universo Disney.

 


 

0 comentários

 


Dinossauros, sustos a valer e uma grande diversão de verão para viver no grande ecrã. É verdade! Fui à estreia de “O Fim de Oak Street” e começo pelo mais simples: gostei. Gostei mesmo! É daqueles filmes que não precisam de reinventar o cinema para nos proporcionar duas horas muito bem passadas e que, para mim, tem tudo para funcionar como um ótimo filme de verão.

 

A premissa é tão improvável quanto divertida. Estamos nos anos 1980, num pacato bairro suburbano americano, onde vive a família Platt: Denise e Greg, interpretados por Anne Hathaway e Ewan McGregor, e os dois filhos, Audrey e Brian, a cargo de Maisy Stella e Christian Convery. A vida familiar está longe de ser perfeita e o casal atravessa os seus próprios problemas quando um misterioso acontecimento cósmico muda, literalmente, tudo: Todo o bairro de Oak Street é arrancado do mundo que conhece e transportada para um ambiente pré-histórico.

 

E aí entram os dinossauros. Não vou contar muito mais porque uma boa parte da graça está precisamente em irmos descobrindo, ao mesmo tempo que aquela família, o que raio está a acontecer. Viver o momento. Digamos, apenas, que os habitantes de Oak Street passam rapidamente de preocupações muito terrenas para uma questão bastante mais premente: como evitar ser comido por um dinossauro?

 


Sustos, humor e uma família muito anos 80

 

David Robert Mitchell, realizador de “It Follows” e “Under the Silver Lake”, escreveu e realizou o filme, que tem o conceituado J.J. Abrams entre os produtores. E percebe-se, desde cedo, que há aqui um enorme piscar de olho ao cinema americano dos anos 80: o subúrbio, a família, os miúdos, o extraordinário que invade o quotidiano e aquela mistura de aventura, ficção científica, humor e sustos que, inevitavelmente, nos faz lembrar o adorável universo de Spielberg.

 

Mas uma das coisas de que mais gostei foi precisamente a forma como o filme está engendrado. Quando digo que é um filme “leve”, não quero dizer que seja sossegado, muito pelo contrário. Dei vários pulos na cadeira. Há sustos muito bem esgalhados, momentos de tensão e criaturas que aparecem quando menos esperamos.

 

No meio de tudo isto, o filme nunca perde completamente o sentido de humor. E talvez seja aí que tenha funcionado tão bem: aceita o absurdo da sua própria premissa e diverte-se com ela. Curiosamente, nem toda a crítica internacional concordou. Houve quem considerasse esta homenagem ao cinema de Spielberg demasiado derivativa, enquanto outros viram precisamente nessa mistura de nostalgia, aventura e algum disparate um dos grandes prazeres do filme. Eu fico, claramente, no segundo grupo.

 

 

Anne Hathaway e Ewan McGregor valem sempre a viagem

 

Confesso, desde já, uma parcialidade: gosto muito de Anne Hathaway. E aqui ela está ótima. A sua Denise começa por ser uma mulher e mãe com as suas próprias frustrações, mas as circunstâncias obrigam-na a revelar outras facetas, algumas bastante inesperadas. Ao seu lado, Ewan McGregor funciona lindamente como o seu marido, Greg. Os dois têm química, são credíveis enquanto casal e, sobretudo, enquanto pais de uma família que, perante uma situação absolutamente impossível e inacreditável, tem de perceber muito rapidamente aquilo que realmente importa.

 

Maisy Stella e Christian Convery também estão muito bem como os filhos do casal e ajudam a fazer com que esta família não seja apenas um pretexto para colocar quatro pessoas a fugir de dinossauros. E depois temos Starbuck, o seu cão farrusco. Não vou dizer mais nada sobre ele porque não quero estragar nenhuma surpresa. Só direi isto: adorei-o. E ele é um herói. Quem vir o filme, irá perceber.

 

 

Um filme para nos divertirmos e isso também conta

 

Talvez “O Fim de Oak Street” não pretenda ser muito mais do que aquilo que é: uma grande aventura de verão, com uma família americana dos anos 80, dinossauros, humor, tensão, alguns bons sustos e um elenco que sabe perfeitamente como carregar toda esta “loucura” às costas.

 

 

E sabem que mais? Para mim, chega perfeitamente. Nem todos os filmes têm de nos deixar a discutir o sentido da vida à saída da sala. Alguns podem, simplesmente, agarrar-nos durante duas horas, fazer-nos alhear da nossa vida, fazer-nos rir, saltar da cadeira, torcer por uma família e por um cão e devolver-nos, por momentos, aquele prazer muito simples de ir ao cinema pela simples diversão, para sermos entretidos. Foi exatamente isso que este filme me deu. E eu saí da sala muito bem-disposto.

 

Por isso, só me resta recomendá-lo. “O Fim de Oak Street” estreou nos cinemas ontem, dia 13 de agosto. Aproveitem o fim de semana e não percam!

 

Na noite de ante-estreia, 12/08/2026

 

0 comentários