A primeira aparição histórica do Pato Donald no ecrã foi na curta-metragem de animação de oito minutos intitulada “The Wise Little Hen” (“A Galinha Espertalhona”), há 90 anos. E eu decidi contar aqui um pouco da história desta personagem rabugenta e, ao mesmo tempo, muito carismática.

Donald foi originalmente concebido como uma personagem secundária, mas a sua popularidade imediata fez com que a Disney passasse a usá-lo extensivamente em histórias de banda-desenhada e curtas de animação, que surgiram de seguida. E poucos anos após a sua estreia, em 1934, o Pato Donald já tinha alcançado um estatuto de celebridade comparável ao de Shirley Temple ou de Greta Garbo.

Além de ser considerado o fiel escudeiro de Mickey Mouse, esta querida personagem da Disney é sobretudo conhecida pelo seu humor peculiar, pela sua pouca paciência e pela sua forma única de falar. Ele foi mudando ao longo do tempo, mas a sua "voz" continua inconfundível.

Tudo começou quando Walt Disney ouviu, pela primeira vez, a voz que inspiraria o surgimento do Pato Donald, há 90 anos. Tratava-se de um dobrador do estúdio, chamado Clarence Nash, a imitar vozes de animais no rádio. A partir daí, eles decidiram criar uma nova personagem, não uma ovelha, mas um pato marinheiro de temperamento explosivo e sempre de cabeça quente. Foi o próprio Nash quem dobrou Donald até ao seu falecimento, em 1985. Mais tarde, o animador Tony Anselmo (anteriormente treinado por Clarence Nash) veio emprestar a sua voz à personagem, fazendo-o há quase 40 anos. “As pessoas perguntam porque é que ele é tão popular. E eu acho que é porque toda a gente tem um pouco de Pato Donald dentro de si”, afirmou. “Vamos fazer algo e queremos divertir-nos, e quando alguma coisa nos atrapalha, zangamo-nos”.  O actor/dobrador revê-se na personagem, que contrasta com a afabilidade de Mickey, Minnie, Margarida ou Pateta. Anselmo, que foi aprendiz do actor da voz original do Pato Donald, considera que é a integridade da personalidade que mantém o pato relevante. “É uma personagem com aspeto apelativo e o que faz é divertido e entretém”.

O Pato Donald, que na realidade se chama Donald Fauntleroy Duck, fez a sua primeira aparição há exatamente 90 anos, em 9 de junho de 1934. Com a personalidade menos "comportada" que a do Mickey, acabou por se tornar na personagem que mais apareceu em filmes da Disney. Ao todo, foram 190 produções.

Ao longo dos anos, a aparência do Pato Donald também mudou. A primeira versão apresentava o bico e o pescoço bem mais longos e o corpo mais arredondado. Com o tempo, os olhos cresceram, ficaram mais expressivos, mais humanos, e já foram pretos e azuis. O chapéu branco passou a ser azul. O seu figurino mudou várias vezes.

"O Donald possui toda essa característica mais humana. Pode ser ranzinza e reclamar de todos os problemas da vida quotidiana. Mas ainda assim ele goza os bons momentos", afirma Mara Ronchi, diretora de produtos de consumo, jogos e publicações da Disney.

Os primeiros animadores a dar vida ao Pato Donald foram Art Babbit e Dick Huemer. Mas foi o jovem Carl Barks, que começou a trabalhar na Disney em 1942, quem deu ao Pato Donald uma rica história de fundo. Carl Barks também criou nomes como Scrooge McDuck (Tio Patinhas), Beagle Boys (Irmãos Metralha) e Magica De Spell (Maga Patalógica). E não nos esqueçamos de Dewey, Huey e Louie (Huguinho, Zezinho e Luisinho), que apareceram pela primeira vez no filme animado de 8 minutos "Donald's Nephews", de 1938.


No Brasil, e depois em Portugal, a editora Abril lançou a revista de banda-desenhada “O Pato Donald”, que esteve em circulação de forma ininterrupta por 68 anos, até julho de 2018. Contudo, as histórias seguem até hoje: a Panini publica, desde 2020, edições de colecionadores. Tanto lá, como cá, o traço de Pato Donald foi definido pelo desenhista brasileiro Moacir Soares, que desenhou a personagem por décadas - foi ele, inclusive, quem traçou a Margarida como a conhecemos atualmente, modificando a versão americana, que apenas adaptava a figura de Donald para o feminino, sem grandes alterações. Por causa dele, o Brasil tornou-se, por muitos anos, o maior produtor de banda-desenhada Disney do mundo, e hoje tal é considerada a melhor fase por historiadores.

Fora dos ecrãs há seis décadas, o Pato Donald protagoniza nova curta-metragem para celebrar os seus 90 anos com uma série de festividades. DIY Duck (“Pato Faça-Você-Mesmo”, em tradução livre) é o primeiro filme protagonizado pela personagem desde 1961, e foi o último projeto de animação do renomado Mark Henn, que se reformou em dezembro de 2023.

A curta mostra o Pato Donald a tentar efetuar alguns reparos domésticos, que começam com a substituição de uma lâmpada, e que rapidamente se transformam numa série de cómicas trapalhices. Certamente, o Disney+ terá muitos outros conteúdos do Pato Donald...

Com 90 anos, é caso para dizer: Parabéns, Pato Donald!

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No passado dia 3 de junho, tive o privilégio de ser convidado, inserido num grupo encabeçado pelo Pedro Lopes, escanção do Capítulo – Restaurant & Bar, a conhecer as vinhas Falua, em Almeirim, uma imersão na história e na cultura vinícola da região do Tejo. Ao chegar, fomos recebidos com uma paisagem pitoresca, onde extensas fileiras de vinhas se estendem até onde a vista alcança. Com a particularidade de as vinhas estarem assentes sobre pedras. Um solo coberto de calhaus, com quatro metros de profundidade onde a pedra é soberana. Durante a visita, foi possível saber sobre as diferentes castas cultivadas, como a Touriga Nacional, Trincadeira, e Arinto, além das técnicas utilizadas para garantir a saúde e a qualidade das uvas num terreno tão atípico.

A Falua é uma marca de vinhos que celebra a qualidade e a diferenciação. Fundada em 1994, possui 25 anos de história no mercado português e é detida desde 2017 pelo grupo francês Roullier. O terroir incomparável da vinha que acabei de descrever, localizado na região vitivinícola do Tejo, abrange um total de 45 hectares e cultiva castas autóctones e internacionais, como Arinto, Fernão Pires, Castelão, Touriga Nacional, Aragonez, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet.

Destacando-se pela produção de vinhos de alta qualidade, combinando tradições antigas com modernas técnicas de vinificação, a visita à Falua proporcionou uma experiência enriquecedora que abrangeu desde a observação dos métodos de cultivo das uvas até a degustação dos seus renomados vinhos.

 


Ali, fiquei a saber que a Falua possui uma abordagem sustentável, respeitando o meio ambiente e promovendo práticas agrícolas responsáveis. Também pude testemunhar o compromisso com a qualidade, evidente em todas as etapas da produção, desde o cultivo das vinhas até ao engarrafamento dos vinhos.

 

Os responsáveis da Falua que nos acompanharam são extremamente conhecedores e compartilharam connosco informações detalhadas sobre o ciclo de vida das vinhas, a importância do terroir, bem como as práticas agrícolas que influenciam o sabor e a complexidade dos vinhos. Após a visita às vinhas, fomos conduzidos à sala de provas para degustar os vinhos Barão Hospital, Quinta de São José e Conde Vimioso, as marcas mais prestigiadas da Falua. Quanto à linha Conde Vimioso, esta foi reconhecida pela sua elegância e complexidade, refletindo o melhor que a região do Tejo tem a oferecer.



No final, fomos todos almoçar ao restaurante "Oh! Vargas", em Santarém, onde ainda pudemos degustar outros vinhos Conde Vimioso que acompanharam o repasto.

 

 

A visita às vinhas Falua em Almeirim e a prova dos vinhos são experiências que enriquecem o conhecimento sobre a viticultura e a enologia portuguesa. A combinação de uma paisagem deslumbrante, práticas agrícolas sustentáveis e vinhos de alta qualidade fez desta visita uma jornada memorável pelos sabores e tradições do Tejo. Para qualquer amante do vinho, acreditem: a Falua oferece não apenas uma degustação, mas uma verdadeira celebração da arte de fazer vinhos.

 


 

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A casa de artigos de couro Delvaux esteve à beira da falência em 2011, mas o ex-executivo da Louis Vuitton, Jean-Marc Loubier, salvou-a e transformou-a numa marca incontornável. Loubier afirma que o seu objetivo sempre foi transformá-la numa marca de mil milhões de dólares e que resistiu à pandemia concentrando-se nos clientes locais dos principais mercados

Mas o que é a Delvaux? Sendo um segredo bem guardado da Bélgica durante quase dois séculos, atualmente trata-se de uma marca de carteiras que ganha destaque no closet de mulheres que procuram uma elegância sem logótipo. Fundada em 1829, a Delvaux é fornecedora oficial da Corte Real da Bélgica desde 1883. Conhecida pelas suas carteiras luxuosas, como a Brillant e a Tempête, a marca situa-se no topo da pirâmide do luxo. Enquanto as shopping bags listradas da Balenciaga e as versões estampadas da Dionysus da Gucci ganhavam peso nas passarelas e no street style nas últimas semanas de moda, esta marca belga conquistou mulheres elegantes que não querem saber da it bag da estação, procurando antes um acessório que não "grite" luxo no logótipo.

A Delvaux nasceu como um atelier de malas e permaneceu durante quase dois séculos como uma marca essencialmente local. Visionário, Charles Delvaux fundou a empresa batizada com o seu apelido em 1829 - oito anos antes de a Hermès ser criada e 25 antes da Louis Vuitton -, já prevendo o desenvolvimento do sistema ferroviário. Seis anos depois, a primeira linha de caminhos de ferro para passageiros seria inaugurada no país ligando Bruxelas a Mechelen - em 1875, a Bélgica já contava com a maior rede de carris do mundo. Percebendo a necessidade de as mulheres levarem uma mala consigo no vagão (além dos pesados baús), Monsieur Delvaux começou a desenvolver também alguns protótipos de carteiras.

De facto, Charles Delvaux começou a fabricar baús em madeira e em couro, para uma Europa que estava a começar a viajar, e a descobrir esta indústria por meio de carruagens, de comboios ou de barcos. As pessoas precisavam de baús grandes para viajar e foi assim que tudo começou… Enquanto isso, Louis Vuitton preparava-se para abrir, alguns anos depois, o seu atelier em Asnière, perto de Paris.

O grande salto aconteceria em 1933, quando a marca foi adquirida pelo belga Franz Schwennicke, que apostou no conceito de coleções sazonais da moda - assim, transformou a Delvaux numa marca de carteiras de luxo. Com Franz Schwennicke a assumir a direção da empresa, a Delvaux torna-se uma marca exclusiva e é a primeira a introduzir coleções sazonais, espelhando as práticas da Alta Costura. Sob a sua direção e, mais tarde, a da sua mulher, Solange, a Delvaux produz inúmeras obras-primas. Os ateliers de Bruxelas e de França produzem malas de mão que se destacam na história da marroquinaria, como a "Brillant", criada para a Feira Mundial de Bruxelas, em 1958.

Mergulhada no espírito do surrealismo belga, a maison Delvaux traz uma abordagem espirituosa a todas as suas criações, infundindo em cada design um toque não convencional e original. A primeira casa de marroquinaria de luxo do mundo é diferente de todas as outras. Nas mãos dos seus artesãos de pele altamente qualificados, as carteiras Delvaux tornam-se verdadeiras obras de arte.

A maison belga tem uma longa e rica história, que se confunde com a da Bélgica. Em 1859, Paola, a rainha, recebe para o seu casamento uma carteira feita em sua homenagem chamada “Mon Grand Bonheur”(a minha grande felicidade) e vira "febre" total no país. Desde 1829, foram criados mais de 3.000 modelos de malas de mão. Até hoje, cada nova criação continua a ser descrita, esboçada e catalogada no Livro de Ouro da Delvaux, o "Livre d'Or". Charles Delvaux foi o inventor da carteira moderna, tendo registado a primeira patente de carteira feminina em 1908.

Adquirida pela First Heritage Brands, uma empresa de investimento chinesa controlada pela família Fung, em 2011, a marca tem-se expandido muito a nível mundial, abrindo lojas próprias em Nova Iorque, Paris, Londres, Roma, Milão e Hong Kong. Após a aquisição, multiplicou as suas vendas por um factor de 10 e opera agora 45 lojas monomarca em todo o mundo. Nesse mesmo ano, Christina Zeller juntou-se à Delvaux como Diretora de Imagem e Produto, tendo desempenhado um papel decisivo na redefinição das diferentes coleções. Em 2017, à medida que o crescimento levantava vôo com aumentos anuais significativos de duas vezes por ano, a Delvaux nomeou Zeller sua Diretora Artística. Em janeiro de 2020, para além dessa função, Zeller foi também nomeada responsável pela Comunicação. Durante o seu mandato, Zeller foi fundamental para transformar a Delvaux numa verdadeira marca de luxo, misturando as suas qualidades artesanais únicas com elementos do surrealismo, fazendo referência aos grandes artistas belgas como René Magritte.

Em meados de 2020, Zeller, deixa a empresa após quase uma década na marca de luxo belga. A sua saída ocorre dez meses depois de o seu Diretor Executivo Jean Marc Loubier ter sido sucedido por Marco Probst. Loubier deixa a Delvaux, mas continua como presidente da First Heritage Brands, a holding que controla a Delvaux, na qual detém uma participação minoritária. Depois de ter sido Diretor-Geral da marca de marroquinaria de 2012 a 2018, Marco Probst é novamente o Diretor-Geral da maison. Ele guarda o seu segredo de gestão, com um rigor germânico misturado com um pouco de fantasia belga.

Jean-Marc Loubier

Jean-Marc Loubier é um executivo muito experiente no sector do luxo. Foi anteriormente Vice-Presidente executivo da Louis Vuitton, responsável pelo desenvolvimento de produtos, comunicação e distribuição, e também Diretor-Geral da Céline e, mais tarde, da Escada. Há dez anos, juntou-se a dois pesos pesados da distribuição de Hong Kong, os irmãos Victor e William Fung, para gerir o seu fundo de investimento europeu orientado para o luxo, Fung Brands, que mais tarde se tornou First Heritage Brands, no qual o fundo soberano de Singapura Temasek também tem uma participação. "Comprei a Delvaux em 2011, quando a maison estava em grandes dificuldades. Atualmente, a empresa tornou-se rentável e gera uma receita muito superior a 100 milhões de euros. Tomei conta da Delvaux durante algum tempo, quando Marco Probst saiu, para acelerar a sua diversificação em termos de produtos e mercados, e para a transformar numa marca global. Decidi agora voltar a dedicar-me a tempo inteiro ao papel de presidente e acionista da First Heritage Brands", declarou Loubier. Quando o empresário de luxo francês Jean-Marc Loubier comprou a casa de marroquinaria Delvaux em 2011, a marca belga estava a morrer. A sua oficina estava prestes a encerrar e as carteiras da empresa, outrora veneradas, eram vistas como malas que as avós poderiam usar. Muitas vezes referida como a "Hermès da Bélgica", a marca de malas de luxo Delvaux conseguiu com Loubier um regresso incrível, com a China a ser a chave. "Sem os meus parceiros chineses, a Delvaux não existiria hoje. Eles assumiram o risco", defende Loubier, que desde que assumiu o controlo da empresa aumentou dez vezes a sua dimensão.

 Marco Probst

Por seu turno, o novo Diretor-Geral da Delvaux, Marco Probst, é um nome bem conhecido no mundo das marcas de luxo. Antes de passar pela Chloé, propriedade da Richemont, esteve na Hugo Boss durante sete anos e ocupou vários cargos de chefia nos Países Baixos, Japão e Hong Kong. Em junho de 2021, o grupo suíço de luxo Richemont, por detrás de casas premium como a Cartier e a Van Cleef & Arpels, adquiriu a Delvaux por um montante não revelado à First Heritage Brands. Loubier, que já tinha saído, mas permanecia como acionista, foi o homem por detrás do negócio.

A centelha inovadora de Charles Delvaux transformou esta maison sediada em Bruxelas numa pioneira em artigos de couro de luxo, impulsionando-a para a vanguarda com um compromisso infalível com a qualidade. As malas Delvaux não existem apenas, elas nascem - de um esboço no seu venerado "Livre d'Or", descritas, catalogadas e amadurecidas pelas mãos hábeis dos seus artesãos e, finalmente, aventurando-se no mundo como uma peça de arte não convencional, mas original.

Atualmente, as carteiras Delvaux são preferidas por muitas celebridades, incluindo a Rainha Mathilde da Bélgica, Amal Clooney, Olivia Palermo ou Adele. E faltam apenas cinco anos para a Delvaux completar dois séculos de história. Como enfatiza o grupo Richemont, ela é considerada a mais antiga do mundo no segmento de artigos de couro de luxo, anterior até mesmo à Hermès (1837) e à Louis Vuitton (1854). A empresa também é pioneira em outros aspectos. Foi, conforme já referido, a primeira marca a patentear malas de mão de couro, em 1908.

 

“Expressões poéticas de emoção e habilidade, os designs de Delvaux são feitos à mão por artesãos que transmitiram as suas habilidades de geração em geração. Linhas esculturais e couros sensuais há muito definem as criações da maison, imediatamente reconhecíveis pela sua qualidade, sofisticação e atenção aos detalhes”, descreve a Richemont em comunicado.

Ao que tudo indica, parece que a “avó” das it bags vai continuar de vento em popa, a singrar pelos mares das carteiras de luxo. A sua última coleção é um deslumbre! A Delvaux e o artista plástico Kasper Bosmans uniram forças para criar a coleção primavera/verão 2024 da casa belga de marroquinaria, actualizando as suas carteiras clássicas. Uma troca de ideias e de estética entre a maison e o artista, inspirada no mutualismo - a interação benéfica entre diferentes espécies. Tal como as abelhas e as flores, ou as algas e os corais, Delvaux e Bosmans alimentam-se mutuamente, encontrando simetria na sua ousada busca da beleza.

E embora seja sempre uma boa ideia investir em clássicos como a Birkin da Hermès, a Flap da Chanel ou Lady Dior, há que admitir que pode se tornar um pouco monótono ver as mesmas malas e logótipos aos ombros de toda a gente. Por vezes, a melhor forma de se destacar é usar peças que não são imediatamente reconhecíveis, mas que são difíceis de passar despercebidas, graças ao seu fabrico de alta qualidade. Chama-se a isso de luxo discreto (quiet luxury) e, nesse campo, a Delvaux dá cartas.

À medida que a maison continua a misturar a sua rica herança com sensibilidades modernas, a marca permanece na vanguarda da indústria da moda de luxo. E as carteiras Delvaux não são apenas acessórios; são símbolos de um legado que, conforme já vimos, se estende por quase dois séculos. A combinação de artesanato belga, materiais de alta qualidade e design intemporal fez da Delvaux uma das favoritas entre mulheres exigentes e celebridades. Quer seja transportada no braço de um membro da realeza ou de uma estrela de Hollywood, uma carteira Delvaux é mais do que uma afirmação de moda; é um testemunho do fascínio duradouro do luxo e da elegância.


 

 

 



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O que significa fazer 100 anos? É um feito único, verdade? Porém, é uma realidade. Walt Disney e o seu irmão Roy fundaram a casa do Rato Mickey há um século — hoje em dia, porém, a empresa é, inevitavelmente, bem diferente… Para além do cinema, a Disney hoje controla um conglomerado de entretenimento que vai de parques temáticos a canais de televisão, passando por plataformas de streaming e canais de desporto, como a ESPN. A icónica empresa ostenta uma trajetória singular que a avaliza como uma referência no mundo do entretenimento.

 

De facto, em 2023 dois grandes estúdios do cinema chegaram ao centenário. A Warner chegou aos 100 anos no 1º semestre e a 16 de outubro, foi a vez da Walt Disney Company. Trata-se de um gigante do entretenimento que se tornou um potente interlocutor na formação cultural e social de indivíduos em todo o planeta. Eu, incluído. Cresci com a fantasia da Disney. Razão pela qual não poderia deixar passar em branco tão importante marco. Mesmo que tardiamente...


 

Tudo começou em 16 de outubro de 1923, quando os irmãos Walt e Roy Disney fundaram uma das mais célebres empresas da história do cinema. Ou seja, no final do ano passado comemoraram-se 100 anos do nascimento dos estúdios Disney, originalmente chamados Disney Brothers Studio, que mais tarde se tornariam The Walt Disney Company. Um dos marcos mais significativos da sua trajetória foi a criação do primeiro desenho animado com som, o famoso “Steamboat Willie”, protagonizado pelo icónico Mickey Mouse. Este acontecimento deu-se em 1928 e inaugurou uma nova era para a indústria do cinema. Outro marco notável foi o lançamento da primeira longa-metragem de animação: “Branca de Neve e os Sete Anões”, em 1937. O êxito do filme consolidou a Disney como uma produtora inovadora, capaz de encantar audiências de todas as idades.

 

Sem dúvida, muitas vezes ao se pensar na Disney, evocamos automaticamente os grandes clássicos de animação dos primeiros tempos dos estúdios — incluindo o já referido "Branca de Neve e os Sete Anões" (1937), "Pinóquio" (1940) e "Bambi" (1942). Tal pode levar a crer que estamos perante uma empresa eternamente dedicada aos desenhos animados e à mitologia de "Mickey e seus amigos". No entanto, a verdade é que a marca Disney há muito se diversificou para além dos moldes e das histórias que Walt Disney criou e desenvolveu. A produção da última longa-metragem que Walt acompanhou foi "Mary Poppins", lançada em 1964 — Walt viria a falecer cerca de dois anos depois, a 15 de dezembro de 1966, com 65 anos.

 

 

Hoje, basta ver o vídeo oficial de comemoração do centenário (onde as personagens adoradas dos Walt Disney Animation Studios se reúnem para uma espetacular foto de grupo) para perceber que a "fábrica dos desenhos animados" se transformou, integrando (ou seja, adquirindo) marcas como a Pixar, os estúdios Marvel e a Lucasfilm. Por outras palavras, desde os amigos aventureiros de "Toy Story" até aos descendentes de "Star Wars", passando pelos efeitos especiais de "Avatar", "Homem de Ferro" e "Guardiões da Galáxia", tudo ostentando agora o selo Disney.

 

Com esta perspectiva, e tendo em conta as muitas ramificações dos produtos Disney — desde parques temáticos a brinquedos, programas de televisão e banda desenhada —, pode-se dizer que já não estamos perante um estúdio de cinema clássico, mas sim um conglomerado de produções e marketing que, com maior ou menor sucesso, ilustra um conceito de "entertainment" consolidado desde a viragem determinante iniciada com a gestão de Jeffrey Katzenberg; foi este gestor que lançou "A Pequena Sereia" em 1989, seguindo-se os gigantescos sucessos dos anos 90, como "A Bela e o Monstro" e "O Rei Leão".

 

 

Mas para se ter uma ideia mais abrangente, vale a pena recordar que títulos como "Tron" (Steven Lisberger, 1982), "A Cor do Dinheiro" (Martin Scorsese, 1986), "O Clube dos Poetas Mortos" (Peter Weir, 1989), "Dick Tracy" (Warren Beatty, 1990) e "Lincoln" (Steven Spielberg, 2012) ostentam todos a marca Disney. São produções diretas dos respetivos estúdios ou foram geradas através de outras empresas que fazem parte do império Disney. Existem outras formas de enaltecer tudo isto. Por exemplo, é importante lembrar que a empresa emprega mais de 200 mil pessoas e que a sua capitalização de mercado ultrapassa os 150 mil milhões de dólares (cerca de 142 mil milhões de euros). Além disso, os seus filmes já receberam 135 Óscares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, dos quais 26 foram para o próprio Walt Disney, ainda recordista absoluto nessa categoria.

 

Pode-se ainda acrescentar mais um exemplo. "Poor Things", o filme de Yorgos Lanthimos que venceu o Leão de Ouro em Veneza e recebeu quatro Óscares na última cerimónia, surgiu da empresa produtora Searchlight Pictures, uma entidade de espírito independente criada em 1994 no seio dos estúdios da 20th Century Fox (onde, em 1977, nasceu a saga "Star Wars"). Estes estúdios pertencem agora à Disney, uma vez que a companhia adquiriu a 20th Century Fox em 2017, renomeando-a para 20th Century Studios.

 

 

Aqui vos deixo com os principais momentos da história da Disney:

• Fundação do estúdio: Em 1923, Walt Disney e seu irmão Roy fundaram a Disney Brothers Cartoon Studio, que mais tarde se tornaria a Walt Disney Company.

• Criação de Mickey Mouse: Em 1928, Walt Disney criou Mickey Mouse, que se tornaria uma das personagens mais famosas do mundo.

• Expansão para outros setores: Nos anos 1950, a Disney começou a expandir-se para outros setores, incluindo parques temáticos, televisão e merchandising.

• Criação da Disneylândia: Em 1955, a Disney abriu o seu primeiro parque temático, a Disneylândia, em Anaheim, Califórnia.

• Criação do Disney Channel: Em 1983, a Disney lançou o Disney Channel, um canal de televisão por cabo que transmite programas de televisão, filmes e séries da Disney.

• Criação da Touchstone Pictures: Em 1984, a Disney criou a Touchstone Pictures, uma divisão do estúdio que produz filmes voltados para um público adulto.

• Miramax Films: Em 1989, a Disney adquiriu a Miramax Films, um estúdio de cinema independente responsável por filmes como “Pulp Fiction” (1994) e “O Sexto Sentido” (1999).

• Aquisição da Pixar: Em 2006, a Disney adquiriu a Pixar, um estúdio de animação por computador responsável por filmes como “Toy Story” (1995), “Monstros S.A.” (2001) e “Wall-E” (2008).

• Aquisição da Marvel Entertainment: Em 2009, a Disney adquiriu a Marvel Entertainment, a empresa de entretenimento que publica BDs, filmes, séries de televisão e outros produtos relacionados à Marvel Comics.

• Aquisição da Lucasfilm: Em 2012, a Disney adquiriu a Lucasfilm, empresa de entretenimento que produz filmes, séries de televisão e outros produtos relacionados à franquia Star Wars e Indiana Jones.

• Aquisição da FOX: Em 2017, a Disney comprou o estúdio 20th Century Fox e suas subsidiárias, como a Fox Searchlight e todo o catálogo de entretenimento da empresa, incluindo filmes e séries

• Criação do Disney+: Em 2019, a Disney lançou o Disney+, serviço de streaming que oferece um catálogo de filmes e séries da Disney, Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic.

• Star+ e Hulu: Com a aquisição da FOX, a empresa decidiu lançar uma plataforma de streaming para adultos com forte presença do conteúdo da FOX. O Star+ foi lançado em 2021.


 

Disneyland Paris prepara grande renovação para 2025

 

A Disneyland Paris está a transformar completamente os seus parques, adotando o nome Disney Adventure World e prometendo uma experiência revolucionária com áreas dedicadas aos filmes Frozen e à Marvel, entre outras. Esta mudança faz parte de um projeto ambicioso que inclui não só a renovação das atrações existentes, mas também a criação de novas experiências temáticas que irão transformar a forma como os visitantes interagem com o mundo da Disney.



O parque está a preparar-se para oferecer um mundo de aventura sem precedentes. Esta grande renovação tem como objetivo não só melhorar a experiência do visitante, mas também redefinir o futuro do entretenimento temático na Europa. De facto, a Disney está a preparar uma revolução na sua oferta de entretenimento com a transformação completa do Walt Disney Studios Park. O parque, que passará a chamar-se Disney Adventure World, promete oferecer experiências totalmente imersivas a partir da primavera de 2025. A Disneyland Paris, inicialmente conhecida como Euro Disney Resort, foi inaugurada a 12 de abril de 1992, tornando-se o primeiro parque Disney na Europa. Situado a cerca de 32 quilómetros a leste de Paris, este complexo foi o resultado de uma ambiciosa expansão internacional da Walt Disney Company. A sua abertura não foi isenta de desafios, incluindo controvérsias culturais e problemas financeiros que levantaram dúvidas sobre a sua viabilidade. No entanto, ao longo dos anos, a Disneyland Paris conseguiu ultrapassar estes obstáculos, adaptando-se às preferências europeias e alargando a sua oferta com a adição do Walt Disney Studios Park em 2002. Atualmente, a Disneyland Paris não é apenas um destino turístico de topo na Europa, mas também um poderoso testemunho da capacidade da Disney para criar mundos mágicos que captam a imaginação de crianças e adultos.

 


Cerca de 90% da área existente do parque será modificada, incluindo as atrações, as áreas temáticas e os serviços. A remodelação do parque inclui também uma nova entrada e uma avenida principal renovada, que funcionará como a espinha dorsal do parque e um ponto de encontro para as várias franquias. Esta avenida prestará homenagem às personagens e aos filmes mais emblemáticos da Disney, oferecendo um passeio inesquecível pelo universo Disney antes de passar para áreas temáticas específicas. A remodelação não se limitará às atrações e aos espetáculos, mas abrangerá também as zonas de serviço, como as lojas e as áreas de descanso. Estas receberão um design de acordo com o novo tema do parque, procurando melhorar a experiência global dos visitantes e oferecer um ambiente mais acolhedor e funcional.

 

Com a abertura do World of Frozen, o segundo parque mudará de nome para Disney Adventure World. Isto faz parte de um extenso projeto de renovação de todo o destino, incluindo os seus parques, a Disney Village e os hotéis. A nova visão do Disney Adventure World promete aventuras inovadoras, como treinar como um super-herói ou encolher até ao tamanho de um brinquedo. O Marvel Avengers Campus e o Pixar World serão alargados e melhorados, integrando tecnologias de ponta para uma experiência mais envolvente e emocionante. Os visitantes poderão também descobrir a nova área temática Frozen Ever After e conhecer Elsa e Anna num ambiente real. A transformação tem como objetivo proporcionar experiências únicas e inaugurar uma nova era para o Disney Adventure World, onde a imaginação de novas aventuras ganha vida.



Os espetáculos noturnos, uma das imagens de marca dos Parques Disney, também serão objeto de uma grande reformulação. Estão confirmados um novo espetáculo baseado em Alice no País das Maravilhas e um espetáculo atualizado dos Vingadores da Marvel. Em termos de atrações, destaca-se uma nova versão das clássicas canecas giratórias, agora inspiradas no festival de luzes do filme “Entrelaçados”.

 

O Disney Adventure World representa não só uma expansão física do parque, mas também uma reinvenção da experiência Disney na Europa. Com inauguração prevista para a primavera de 2025, o parque tornar-se-á uma nova referência mundial em matéria de entretenimento temático, dando início a uma nova era para a Disneyland Paris e para o prazer das famílias e dos fãs da Disney em todo o mundo.

 


 

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A edição de 2024 apresenta capas especiais em homenagem ao especial anual de fatos de banho. Este ano, Chrissy Teigen, Hunter McGrady, Kate Upton e Gayle King estão a embelezar separadamente quatro capas para a revista em honra do 60º aniversário da Sports Illustrated Swimsuit. Além disso, apresenta ainda uma trilogia especial de capas fotografadas na sessão da Sports Illustrated Swimsuit's Legends, com os nomes acima mencionados e muito mais, não em fato de banho, mas com vestidos de gala. Com tal, a edição deste ano celebra 52 mulheres incríveis e pioneiras, bem como os 60 anos da marca.

"Um 60º aniversário é uma grande coisa. Pode não ser reconhecido tão prodigiosamente como o número 50, mas sentimos que também devíamos celebrar o 60º aniversário com todo o coração, por uma razão simples: porque a viagem que fizemos nos últimos 10 anos é algo que consideramos humildemente revolucionário", afirma MJ Day, editor-chefe da Sports Illustrated Swimsuit. "Quebrámos estereótipos. Abraçámos a diversidade. Defendemos a inclusão. A cada ano que passa, desafiamo-nos a ultrapassar os limites e a redefinir o que significa ser a Sports Illustrated Swimsuit."

Chrissy Teigen é uma cover girl recorrente: depois da sua estreia na edição em 2010, reapareceu na revista em 2017, tendo também agraciando a capa em 2014 para a edição do 50º aniversário da revista. Para esta sua capa, Teigen usa um fato de banho verde e é vista a sorrir para a câmara enquanto posa na água em Los Angeles. Tal como Teigen, McGrady é também uma modelo experiente da Sports Illustrated Swimsuit. Em 2017, foi descoberta através do programa Model Search da marca e agora é co-apresentadora de um podcast chamado "Model Citizen", onde tem conversas sem filtros sobre a sua vida na indústria de modelos. Para a fotografia de capa, McGrady mostra todas as suas curvas numa praia do México.

 

Quanto a Gayle King, toda a América a conhece pela sua voz autoritária e pelo seu trabalho no sector do jornalismo. Mas a co-apresentadora de longa data do programa televisivo CBS Mornings é tão poderosa perante as câmaras em fato de banho como em fato de treino, e a sua alegria, confiança e brilho são palpáveis. King representa uma mulher de cor multifacetada, cujo sucesso, ética de trabalho e humildade impressionam todos os dias. A sua capa é um sinal de que as mulheres de todos os sectores da vida não só devem ser vistas e ouvidas, como também celebradas. Tal como McGrady, Kate Upton também optou por uma fotografia de praia. Uma das modelos mais icónicas da história da Sports Illustrated Swimsuit, a primeira capa de Upton em 2012 gerou controvérsia. Apesar da sua inegável beleza e do facto de que colocá-la na capa da revista era uma decisão óbvia, a inesperada reação negativa ao seu tipo de corpo levou a revista a reavaliar quem deveria aparecer em futuras capas. Parece apropriado ter o catalisador de tanta mudança de volta numa publicação que agora celebra mulheres de todas as esferas da vida.

De facto, a edição deste ano também recebeu de volta algumas das suas antigas capas, incluindo Tyra Banks, Winnie Harlow, Martha Stewart, Christie Brinkley, entre outras, que tiveram um enorme impacto na indústria e nas edições especiais de fatos de banho.

"Criámos três capas, um tríptico que fala da força colectiva, do poder, da beleza e da diversidade que é o aspeto da Sports Illustrated Swimsuit aos 60 anos", afirma Day. "Claro, olha para trás, para a história. Mas, mais importante, é uma janela para o presente - onde estamos agora - e uma esperança para o futuro."

Assim, Brenna Huckaby, Brooklyn Decker, Brooks Nader, Camille Kostek, Christie Brinkley, Danielle Herrington, Hailey Clauson, Halima Aden, Jasmine Sanders, Kate Love, Leyna Bloom, Lily Aldridge, Martha Stewart, Maye Musk, Megan Rapinoe, Molly Sims, Nina Agdal, Paige Spiranac, Paulina Porizkova, Roshumba Williams, Sue Bird, Tyra Banks e Winnie Harlow, bem como as quatro modelos de capa individuais de 2024, reuniram-se na Florida para uma sessão fotográfica épica. Estas mulheres são mais do que apenas caras bonitas. São mães, empresárias, atletas olímpicas, actrizes, activistas e inspirações de várias gerações.

 A  Sports Illustrated Swimsuit está aí, para todos poderem ver, apreciar e celebrar.



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