E adorei! Confesso que estava com receio de que viesse a “colar-se” demasiado aos últimos trabalhos de Nelly Furtado e de Justin Timberlake, dado também ter Timbaland a produzir parte do projecto, mas não. Madonna colocou o seu cunho pessoal, como em tudo o que faz e acaba por resultar num trabalho muito original e próprio. Para nosso gáudio, ela reinventa-se, de novo!

Se em “Confessions on a Dancefloor”, Madonna revisitou o Disco Sound, em “Hard Candy” ela adiantou-se mais uns anos, ao ir buscar influências ao Funk do início dos anos 80. Refiro-me aqui ao Funk que fez evoluir a soul music e a R&B para uma nova forma de música, mais ritmada e dançável, cheia de groove, com a ajuda de sintetizadores. O tal de Bootsy Collins, Kool & the Gang ou Shakatak...

Tal como o estilo Funk derivou do desenvolvimento da Disco de finais dos anos 70, também Madonna adopta aqui um novo registo, depois do estilo discoteca do seu álbum anterior. Não foi em vão que se envolveu com talentosos produtores “negros”. Portanto, continuamos a ouvir um som dançável, mas mais à base de mexer a anca e bater o pé, nada dos “psicadelismos” e pulos de “Confessions…”. Quanto à voz, está bem e recomenda-se. Nota-se, a cada novo trabalho, que a voz de Madonna está cada vez melhor, mais segura.

Portanto, “Hard Candy” também celebra a dança, mas tipo "fim de festa", com certos tons saudosistas. Alguns ambientes também nos remetem para o seu “American Life”, sendo mais evidente em “She’s not me”. Como temas mais fortes, para lá do “4 Minutes”, destaco aqueles que tiveram a co-produção de Pharrell - "Candy Shop", "Heartbeat" e "Give It 2 Me". Num registo mais calmo e melancólico, “Miles away”. Como dizia no início, numa primeira abordagem, “Hard Candy” resulta melhor do que eu esperava.

É engraçado constatar que, se no passado, Madonna nos tinha impressionado, ao expressar-se através de William Orbit, Mirwais Ahmadzaï, Stuart Price e outros produtores, de que a maior parte dos seus fãs (e não só) nunca tinha ouvido sequer falar, em “Hard Candy” ela faz parceria com Pharrell Williams, Timbaland e Justin Timberlake, três “bons rapazes”, dos quais toda a gente está bem a par do que fazem. Mas desenganem-se. Se a faixa de encerramento, "Voices", com algum simbolismo, apresenta o dilema "Quem é o mestre e quem é o seguidor?", a resposta continua a ser óbvia. A própria Madonna!
O resultado desta combinação está à vista, ou melhor, à escuta, no próximo dia 28 de Abril!

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