Foi descoberta uma nova espécie de ave nos Açores. Trata-se do painho-das-tempestades-de-Monteiro (Monteiro’s Storm-Petrel). Foi assim denominada para prestar homenagem ao seu investigador e cientista, Luis Monteiro. O Departamento de Oceanografia e Pescas, da Universidade dos Açores e a Royal Society for the Protection of Birds autenticaram a descoberta desta nova espécie de ave.

É com orgulho que vejo reconhecido, desta forma, o trabalho desenvolvido pelo Luis Monteiro, meu conhecido e amigo, que faleceu no fatídico acidente ocorrido com um avião da SATA, na ilha de S. Jorge, em Dezembro de 1999. A infeliz partida do Luis, para além de deixar mais pobre a investigação científica portuguesa, tornou mais pequena a sua família: a sua mulher, Arquitecta Ana Veloso e a filha de ambos, Eva (assim chamada porque, para além de se tratar de um bonito nome, resulta em Ave quando se inverte).

Antes da sua morte, o Luis estava, sobretudo, dedicado à investigação de umas outras aves especiais, os Cagarros, mas foi o primeiro a identificar o “novo” painho-das-tempestades-de-Monteiro. Apenas existente nos ilhéus da Graciosa, esta espécie endémica do arquipélago açoreano apresenta ligeiras diferenças em relação à ordinária espécie painho-das-tempestades, de tal maneira que não as permite reproduzirem-se entre si. Esta nova espécie mostra-se diferente, tanto genéticamente, como ao nível comportamental, da espécie já conhecida (Madeiran Storm-petrel).

Estudos recentes, têm demonstrado que existem duas distintas populações nidificantes de painho-das-tempestades (Oceanodroma-petrels) nos Açores. Em 1996, foram identificadas por terem épocas distintas de reprodução. O "Madeiran Storm-petrel Oceanodroma castro" é um reprodutor outonal, enquanto o "Monteiro’s Storm-petrel O monteiroi" é um reprodutor de primavera. Ambos se encontram nas suas colónias, em Agosto e Setembro, mas separados em termos de área.

Por outro lado, ambas as espécies apresentam distinções nos tamanhos e nas vocalizações, outras características que incompatibilizam estas duas populações, agora tornadas espécies, graças à certificação efectuada por análise genética. Os trabalhos que permitiram identificar a nova espécie tiveram início na década de 90, com Luís Monteiro, o que justifica o seu baptismo – Monteiro's Storm Petrel ou, no nosso português, painho-das-tempestades-de-Monteiro. O total da sua população era de 250–300 pares, segundo dados de 1999.

Com apoio do Governo dos Açores, através das Secretarias Regionais do Ambiente e do Mar e da Educação e Ciência, foram desenvolvidos, entretanto, os trabalhos que o investigador Mark Bolton e colegas publicaram agora, sobre este feito, na revista científica "Ibis".

É bom ver que uma das aves marinhas estudadas pelo Luis Monteiro leva o seu nome para todo o sempre. O painho-das-tempestades-de-Monteiro é o seu legado, bem como a sua filha Eva, que adoro. Aqui fica, também em jeito de homenagem, esta notícia, com uma fotografia da ave em questão e da família que deixou. Luis, estamos todos orgulhosos de ti!

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