A Rainha da Pop lançou hoje, finalmente, o seu 13.º disco de estúdio, revelando a artista pioneira e provocadora que sempre foi, mas igualmente sensível, pensativa e fora dos padrões, mesmo aos 56 anos de idade. Com “Rebel Heart”, Madonna prova que veio para ficar, como força criativa e ícone pop atemporal. Este seu novo álbum, que revela facetas ousadas e outras mais suaves, é um retrato revelador da eterna Material Girl, voltando a mostrá-la como uma cantora pioneira e provocadora, mas também delicada, preocupada, inquieta e totalmente fora dos padrões normais.

A vencedora de prémios Grammy confirmou que o título deste novo trabalho reflecte a sua intenção original de fazer um disco de dois lados, com 10 canções em cada um. “Um lado seria a minha parte mais rebelde, provocadora, que rompe barreiras, e o outro a minha parte mais romântica, vulnerável, e eles acabam por se misturar”, disse. “Rebel Heart”, o seu primeiro álbum desde MDNA, de 2012, que chegou ao topo da lista Billboard 200, também é algo autobiográfico, especialmente em faixas como “Veni Vidi Vici”, que repassa a sua carreira e sentimentos pessoais e reveladores de insegurança, perda e decepções amorosas. Aqui, a cantora acena para o passado e cita inclusive alguns dos seus êxitos anteriores, com versos confessionais do rapper Nas.

Entre as 19 canções da versão Deluxe (a standard tem apenas 14 temas), estão baladas sofisticadas e poéticas como “Devil Pray”, “Ghosttown” e “Joan of Arc”, que reflecte sobre o sentido da vida, finais de relacionamento e o amor em geral. “De cada vez que eles escrevem uma palavra de ódio/Arrastando a minha alma na lama/Eu quero morrer/Nunca admito, mas dói”, canta em “Joan of Arc”. Mas Madonna também solta as rédeas em canções de dança e contagiantes como “Living for Love” e “Unapologetic Bitch”, uma colaboração com o DJ Diplo. “Ele gosta de fazer as pessoas se levantarem e dançar, e fá-lo”, comentou a cantora a respeito de Diplo.

“Living for Love”, a primeira música do disco, tem uma batida forte, com letras sobre a dor de um rompimento amoroso e a dar a volta por cima para reencontrar o amor. Madonna ainda retoma temas de sexo e da religião, que ela considera tópicos infinitamente interessantes.“Eles são tão importantes para as pessoas, quanto são mal compreendidos”, explicou. “Ambos trazem muita luz para o mundo e muita escuridão. Por essas razões, eu gosto de explorá-los”.
“As mulheres, em geral, quando chegam a uma certa idade, aceitam que não devem se comportar de uma certa maneira. Mas eu não sigo regras. Nunca o fiz e não vou começar agora”, disse à revista “Rolling Stone”. Auto-afirmativa, “Bitch I’m Madonna” é tão bem-humorada quanto qualquer outro tema assinado por Diplo e cresce com a inserção de Nicki Minaj. Já a colaboração de Chance the Rapper em 'Iconic' não diminui a clássica mensagem passada, de que o estrelato está ao alcance de todos. Também não reduz o inusitado da introdução de Mike Tyson para a faixa. 'Illuminati' traduz o humor afiado da cantora numa crítica às teorias da conspiração, mas também simboliza a sua primeira aproximação bem sucedida com o hip-hop, graças ao trabalho de Kanye. “Hold tight”, “Inside out” e a excêntrica “Body shop”, de inspirações orientais, respondem pelo vanguardismo das produções, enquanto “S.E.X.” e “Best night” mantêm viva a persona sensual de “Erotica” (1992).

“Devil pray” é o exemplo de canção que só parece funcionar sob a assinatura de Madonna, com a sua mistura de referências religiosas e menções ao uso de drogas. A produção de Avicii é dobrada à vontade da intérprete, revivendo a mescla de violas e batidas eletrónicas que surpreendeu fãs e críticos na época de 'Music' (2000). A auto-rreferência é um dos elementos básicos de 'Rebel heart', mas surge de modo mais fluido que nos discos anteriores. Em “Holy water”, chega a usar um trecho de “Vogue”.

As letras não eram tão intimistas desde “American Life” (2003), o que garante baladas honestas após longo período de produções superficiais. Entre estas, “Wash all over me” brilha pela percussão exótica e por versos maduros. Mas em “Queen”, temos um discurso franco de Madonna sobre a própria carreira, que levanta a questão: “Quem a vai substitur?”.
Quando se trata de Madonna, sabemos que não existe, no actual mundo da pop, lugar para estrelas como ela: maduras, lendárias, antigas e, ao mesmo tempo, modernas, multifacetadas e com energia a rodos. Madonna pertence ao palco, aos holofotes, e isso dificilmente alguém lhe poderá tirar. Ela sabe exactamente o seu lugar no panorama actual. E a atitude rebelde, que lhe vem de dentro e lhe é natural, continua a manifestar-se…

A queda que interrompeu a actuação de Madonna no encerramento dos Brit Awards, no mês passado, representa o caos ordenado em que a rainha do pop escolheu envolver-se para a criação de “Rebel Heart”. Derrubada com o puxão de uma capa amarrada ao pescoço, a cantora levantou-se logo em seguida e prossseguiu a interpretação de 'Living for love', single de lançamento do álbum, sem demonstrar abalo após o acidente, que lhe causou uma entorse cervical. “Se eu não estivesse em boa forma, não teria sobrevivido àquela queda. Mas sou forte”, disse a cantora ao The New York Times. A agilidade com que retomou o seu número é a mesma que demonstrou ao combater o download ilegal de 13 músicas de “Rebel Heart”, ainda em estágio inicial, no final de 2014. Madonna antecipou o lançamento de seis faixas já finalizadas pelo iTunes, tornando-se player no jogo ditado pela velocidade da internet. Essa medida acabou por render a Madonna o primeiro lugar do top daquela plataforma em 44 países, incluindo Portugal. E essa “degustação” já dava ideia de um trabalho mais interessante que os seus dois anteriores (“Hardy Candy” e “MDNA”). As críticas foram unânimes! “Rebel Heart” é o melhor álbum de Madonna em 16 anos", é a opinião de quase todos os meios, mas esta afirmação é do site Vice, que considera o novo álbum da Rainha da Pop como melhor que “MDNA”, “Hard Candy”, “Confessions on a Dance Floor” e “Music”.

O álbum completo (25 faixas na versão Super Deluxe de dois CDs) revela uma artista ainda mais ágil em captar tendências, munida de produtores que conduziram a sua música por caminhos mais "frescos" do que os explorados na última década. Kanye West, Avicii e Diplo são os principais guias musicais de “Rebel Heart”, mas é a força de Madonna que transparece como combustível e condutora do novo trabalho. E que tem caracterizado o seu status, conquistado ao longo dos mais de 30 anos de carreira. Parafraseando o jornal i, mesmo quando cai, a Rainha continua de pé!

Madonna vai divulgar “Rebel Heart” com uma tourné internacional, que começa em Miami no dia 29 de Agosto.

Etiquetas:

Comente este artigo