Indiana Jones regressa aos ecrãs, 19 anos depois da sua última grande cruzada. Esta nova aventura do arqueólogo mais famoso do planeta começa no ermo sudoeste dos EUA, em 1957, em pleno auge da Guerra Fria, quando Indy (Harrisson Ford) e seu colega Mac (Ray Winstone) escapam, por pouco, a uma complicada situação que envolve perversos agentes soviéticos, numa remota base aérea.

De regresso à normalidade e à Universidade Marshall, onde lecciona, o professor Jones descobre que as coisas vão de mal a pior: o seu grande amigo e Reitor informa-o de que o Governo o está a pressionar para o demitir, devido às actividades recentes serem objecto de desconfiança. Revoltado, Indy decide abandonar o país, mas nem sequer chega a deixar a sua cidade, quando o jovem rebelde Mutt (Shia LaBeouf) se lhe cruza no caminho, com uma interessante proposta para o aventureiro arqueólogo: ajudá-lo numa missão pessoal, dando-lhe, ao mesmo tempo, a possibilidade de poder fazer uma das mais espectaculares descobertas da história – a Caveira de Cristal de Akator, um lendário objecto de superstição e muito respeito…

Indy e Mutt decidem partir para os confins do Peru, onde, entre tumbas ancestrais e a descoberta de uma suposta cidade de ouro, acabam por perceber que não estão sozinhos na exploração. Agentes soviéticos, liderados pela fria e bela Irina Spalko (Cate Blancehtt), também estão interessados em obter a Caveira de Cristal, acreditando que tal objecto lhes possa ser útil para dominar o mundo.

Muitas surpresas vão acontecendo, nomeadamente o regresso de Marion Ravenwood (Karen Allen), o primeiro amor de Indy (em “Os Salteadores da Arca Perdida”), com peripécias para despistar os implacáveis soviéticos, na senda de uma impenetrável trilha de mistério, mas, acima de tudo, assegurar que a poderosa Caveira não caia em mãos erradas… E a aventura prossegue.

Até aqui, tudo bem. Mas, se por um lado, foi muito agradável voltar a ver Indiana Jones em acção, um dos heróis cinematográficos que mais admiro, confesso que fiquei um pouco desapontado. A narrativa mais parece a de um road movie, de uma linearidade incrível, sem grandes enredos, apenas com muitos obstáculos por ultrapassar, como se de um jogo de computar se tratasse. Um pouco distante da trilogia que o antecede, cujos argumentos têm tanto peso como as personagens.

De resto, tem sempre alguns “quadros” que nos deliciam: por exemplo, a sombra de Indiana a colocar o chapéu (a indicar que se trata do próprio), o seu inevitável terror a cobras, entre outros. Como género de aventuras, entretém q.b. e as interpretações dos actores ressaltam. Harrison Ford, apesar da sua idade, volta a trazer-nos uma personagem credível, ao nível dos outros filmes, sem demonstrar desgaste no seu desempenho, conseguindo manter sempre aceso o verdadeiro espírito Indiana Jones. Por seu turno, Cate Blanchet apresenta-se magnífica e maléfica, correndo o risco de se tornar na melhor vilã da saga. Karen Allen volta a trazer-nos uma Marion sagaz que, ao entrar em cena, consegue dar um outro dinamismo à acção. E o ainda “novato” Shia LaBeouf, que poderia causar mais receios, provou estar à altura e não decepciona, integrando-se muito bem no espírito de aventura e comicidade do filme.

Portanto, pese alguma frustração sentida (talvez por a espera ter sido demasiado longa e/ou as expectativas elevadas), "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" não deixa de ser um bom filme, com Steven Spielberg como seu fiel timoneiro. Um regresso de personagens, actores e realizador que nos volta a entusiasmar e que nos volta a trazer a “magia” de Indiana Jones.

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