Um submergível de alta profundidade – de um programa internacional de observação submarina nas Fossas das Marianas – é subitamente atacado por uma criatura gigante e encontra-se agora inutilizado na parte mais profunda do Oceano Pacífico… com a sua equipa de cientistas presa no interior. Com o tempo (e o oxigénio) a escassear, o experiente mergulhador de resgate em alto mar, Jonas Taylor (Jason Statham) é recrutado por um visionário oceanógrafo chinês (Winston Chao), a partir da base de pesquisa marítima Mana One e contra os desejos da sua filha Suyin (Bingbing Li), para salvar a equipa – e o próprio oceano – da recém-descoberta ameaça implacável: um tubarão pré-histórico com 22 metros de comprimento, conhecido como Megalodonte, que se julgava extinto. O que ninguém poderia imaginar é que, anos antes, Taylor já se tinha cruzado com essa terrível criatura. Agora, juntamente com Suyin e toda uma nova equipa (o elenco conta ainda com as participações de Rainn Wilson, Cliff Curtis, Page Kennedy e Ruby Rose), ele terá que confrontar os seus medos e arriscar a sua própria vida para salvar todos os que se encontram encurralados no fundo do mar… e deparar-se, uma vez mais, cara-a-cara com o maior predador alguma vez visto na face da Terra.
O carcharodon megalodon (também chamado de megalodonte ou, simplesmente, tubarão branco-gigante) foi uma espécie de tubarão que viveu entre 20 e 16 milhões de anos atrás no Oceano Pacífico e que usualmente media entre 15 e 20 metros, podendo chegar a pesar 50 toneladas. Ora, é este “humilde” animal o grande protagonista deste “The Meg”
As aberrações monstruosas têm constituído um dos patrimónios culturais da sétima arte. Desde ataques de um gorila gigante até ao Godzilla, o fascínio pelo caos e destruição conquista e amedronta o público há vários anos. Nesta espécie de obsessão pelo terror, o tubarão parece reinar como figura principal dos “monster movies”, cuja ameaça e presença geram material para situações aterrorizantes desde quando Steven Spielberg demonstrou tal potencial em ação em 1975 (de que aqui no blog já dei conta). É por isso que este Tubarão Gigante, onde o nome por si só já remete para a ideia, parece perfeito, especialmente nesta época de blockbusters. Tendo estreado nos cinemas portugueses ontem, 23 de agosto, nos Estados Unidos já ultrapassou “Missão Impossível” nas bilheteiras. Sem dúvida, “Meg – Tubarão Gigante” apresenta-se como o blockbuster surpresa deste verão.

Baseado no livro de Steve Alten, que escreveu mais cinco sobre este tipo de tubarão, “Meg – Tubarão Gigante” foi filmado em sítios como a ilha Hainan na China, o golfo de Hauraki, na Nova Zelândia e ainda em dois tanques de água construídos de propósito para o efeito, em Auckland. O principal megalodonte no filme tem aproximadamente 23 metros de largura o que equivale a quatro vezes maior do que um tubarão branco. Já a barbatana dorsal tem cerca de 2.5 metros de altura. Algumas das criaturas que ocupam as profundezas do oceano neste filme foram inventadas pela equipa de efeitos especiais que se basearam em formas de vida marinhas já existentes. Aliás, durante todas as cenas iniciais, onde os pesquisadores exploram o fundo do mar, a realização de Jon Turteltaub faz um uso exímio de planos mais intimistas e sufocantes para nos fazer passar um efeito de isolamento em meio à imensidão do oceano.
No cinema, os tubarões têm gozado de dois tipos de protagonismo: Antes de Spielberg e Depois de Spielberg. Antes deste realizador, os tubarões eram apenas perigosos e apareciam como protagonistas secundários nos filmes de ação e aventuras ou de James Bond. A partir de Spielberg e do seu “O Tubarão”, conforme já aqui me referi, os tubarões transformaram-se em monstros marinhos privilegiados do cinema de terror. Houve algumas produções menores a seguir, infelizmente, mas desde há um par de anos, parece que este género de terror marítimo ressurgiu. Mais recentemente, com o magnífico “Águas Perigosas” (The Shallows) com Blake Lively e “47 Metros de Terror” (47 Metres Down), sem esquecer os também melhor sucedidos “Perigo no Oceano” (Deep Blue Sea) e “Em Águas Profundas” (Open Water), baseado em factos reais. Em homenagem ao novo filme, estes são os melhores filmes do género feitos na era Depois de Spielberg – genuinamente tensos e bem-feitos que, por isso, nos divertem. Tal como agora “Meg – Tubarão Gigante”.

Remetendo-nos também para “No coração do mar”, a história do afundamento do baleeiro Essex em 1820, que inspirou Herman Melville a escrever «Moby Dick», protagonizado por Chris Hemsworth e realizado por Ron Howard, pois há um constante ajuste de contas entre um homem e uma criatura gigantesca e maligna, o filme segue a mesma estrutura usada em quase todo o filme clássico de Steven Spielberg, que é esconder ao máximo o animal e fazer-nos sentir terror só pela imaginação da sua existência, criando um estado de grande suspense e tensão. E apesar de querermos ver o monstro o mais rapidamente possível, não deixamos de dar alguns pulos de susto nas cadeiras. Resumindo e concluindo, “Meg – Tubarão Gigante” é uma produção bem trabalhada, com acção envolvente q.b. e excelentes efeitos especiais, que resulta em exatamente aquilo que se espera deste tipo de filme: algum medo e muita diversão.

Etiquetas:
