"Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália está ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma pequena aldeia habitada por irredutíveis gauleses resiste, ainda e sempre, ao invasor. E a vida não é fácil para as guarnições de legionários romanos". Quem não se lembra? É assim que começam todas as aventuras de Astérix, o gaulês nos seus livres de banda desenhada. Desta feita, temos um novo filme baseado nas divertidas personagens criadas pelos franceses René Goscinny e Albert Uderzo, uma comédia de animação realizada por Louis Clichy e Alexandre Astier, a dupla que também foi responsável por “Astérix: O Domínio dos Deuses”, de 2014, também em animação.

Nesta nova aventura na telas, depois de sofrer uma queda aparatosa que poderia ter sido fatal, Panoramix, o druida da aldeia dos mais corajosos gauleses, percebe que é chegado o momento de encontrar um sucessor mais jovem a quem seja possível revelar o segredo da poção mágica. Porém, de forma a assegurar que a receita não caia em mãos erradas, a seleção não pode ser feita de ânimo-leve. E então, devido a isso, o grande e velho sábio decide fazer uma longa viagem por toda a Gália, numa busca por um jovem e talentoso druida que possa ser treinado e que seja digno de conhecer o segredo da poção mágica, na companhia de Astérix e Obélix, dois dos seus mais fiéis e íntimos amigos.



Embora já esteja nos cinemas desde 10 de janeiro e eu tenha ido à sua antestreia, só hoje me dignifiquei a dar-vos conta deste filme, em parte devido às minhas atividades profissionais que não me permitem escrever tanto quanto gostaria... mas este filme surpreendeu-me. Talvez por ter sido a primeira animação de Asterix que tenha visto no cinema. Comecei logo por ficar estupefacto ao ver o nosso velho Panoramix convertido em perito numa colheita acrobática do visco nos galhos dos carvalhos que povoam a floresta em torno da Aldeia dos Irredutíveis gauleses. Por uma vez, ao calcular mal o movimento e dando uma queda aparatosa, tal dá-lhe que pensar... e a nós! O que aconteceria se ele se visse impedido de preparar a sua beberagem mágica?



Resulta interessante o facto de o filme se centrar em Panoramix, uma das personagens mais conhecidas da obra de Goscinny e Uderzo, uma vez que é a personagem que conta com mais tempo de exposição e aquela que desencadeia várias ações. Para além disso e também resulta curioso, há que falar da jovem Pectina, uma rapariga discípula que venera Panoramix, sendo a primeira personagem feminina a ter um papel principal nas histórias de Astérix e Obélix, neste filme que traz uma aventura inédita, não existente em nenhum livro. No final, acaba por ser Pectina a resolver vários problemas, então é curioso o crescimento desta personagem, que se revela ser uma boa surpresa.
E como em equipa vencedora não se mexe, devido aos cerca de 3 milhões de bilhetes vendidos por “Astérix – O Domínio dos Deuses”, corealizado por Alexandre Astier e Louis Clichy, e por ter sido um dos maiores sucessos cinematográficos de 2014, trata-se da mesma dupla que se pôs em ação para este “Astérix – O Segredo da Poção Mágica”. Louis Clichy é um sobredotado da animação que se iniciou nos estúdios da Pixar com filmes como “Up” e “Wall-E”. Alexandre Astier é, entre outras coisas, o célebre criador de Kaamelott.



A animação é bastante viva e colorida, o que também torna o “Astérix – O Segredo da Poção Mágica” atraente. No que toca à história temos um filme que segue bastante o ritmo do seu antecessor: temos vários momentos divertidos, especialmente os musicais, como nos primeiros minutos do filme. Pessoalmente e não tendo nada contra as dobragens portuguesas, teria preferido ver o filme no original, com as falas em francês.



“Astérix - O Segredo da Poção Mágica” resulta num filme bem animado e divertido, especialmente para os mais novos, que são definitivamente o seu público-alvo. Nós, os mais adultos ficamos felizes por sentirmos uma certa nostalgia, de quando líamos os álbuns destas carismáticas personagens.




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