
Tudo aconteceu no dia 28 de Novembro de 2008, quando vários locais da cidade de Bombaim, na Índia, foram atacados por indivíduos pertencentes à Lashkar-e-Taiba, uma célula terrorista islâmica do Paquistão. Entre os alvos, o hotel de luxo Taj Mahal, bastante conhecido pela quantidade de estrangeiros e artistas que nele se hospedavam com frequência, foi o mais mediático, tendo os atacantes feito reféns funcionários e hóspedes durante dois dias. Quando se iniciam os ataques, o humilde funcionário indiano Arjun (Dev Patel) tenta ajudar todos os hóspedes a se protegerem dos atacantes, enquanto o norte-americano David (Armie Hammer) e Zahra (Nazanin Boniadi) procuram alguma forma de regressar ao quarto onde se encontram hospedados, já que nele está o seu bebé de meses e Sally (Tilda Cobham-Hervey), a sua ama.

O cinema, enquanto gerador de emoções, não podia deixar de parte mais uma tragédia humana como impulsionador de uma nova história. Baseado numa infeliz história real, esta primeira longa-metragem do realizador australiano Anthony Maras tenta, por um lado, descrever os ataques de uma maneira minuciosa, com filmagens de câmara à mão, para maior realismo, por outro, vai ficcionando os acontecimentos, criando personagens para mexerem com a nossa sensibilidade enquanto espectadores.

E nós, completamente afoitos ao desenrolar tenso do enredo, ficamos num estado aflito e esperançoso no meio do iminente desastre. E vamos ficando nervosos à medida que o filme avança, desde uma estranha acalmia, quando o grupo de terroristas chega de barco, ao crescendo da tensão, à medida que os dez atentados terroristas sincronizados vão atingindo vários pontos da cidade de Bombaim.
Quando acontecem os primeiros disparos e explosões no hotel, a confusão instala-se. Arriscando a sua própria segurança, os funcionários do Taj Mahal vão fazendo de tudo o que está ao seu alcance para minimizar o horror e controlar o pânico. Entre o dedicado pessoal do hotel, tanto o afamado chef Hemant Oberoi (Anupam Kher), que relembra aos empregados o princípio orientador do serviço que prestam: "Os hóspedes são deuses", como o já mencionado Arjun e um homem de negócios russo (Jason Isaacs), optam por colocar as suas vidas em risco para proteger os seus hóspedes. As suas acções salvaram dezenas de vidas.

O “pesadelo” estende-se ao longo de quase duas horas. Maras faz por aproximar-nos o mais possível da sensação de medo e horror vivida por aquelas pessoas, num rigoroso trabalho de ficção que foi baseado em testemunhos e, inclusive, se adensa com o uso de algumas imagens documentais reais. Aliás, a fonte principal da narrativa é mesmo um documentário televisivo. Existe uma certa claustrofobia sentida nos corredores e divisões daquele hotel, dominado por homens fortemente armados e impiedosos, graças a um primor técnico que quase nos faz esquecer que estamos perante um cenário alimentado pela mais bárbara realidade...

“Hotel Mumbai” é uma comovente história verídica de humanidade e heroísmo. Estreado no Festival de Cinema de Toronto, este "thriller" que se inspira em factos reais e que marca a estreia em realização em longa-metragem de Anthony Maras, é um filme a não perder.
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