
Sempre atenta ao que faz sucesso para lá das telas, Hollywood não poderia deixar passar despercebido o “tsunami” promovido por Pokémon Go!, o singelo jogo de aplicativo que fez com que milhões por esse mundo fora percorressem todo o tipo de lugares à procura dos tais monstrinhos escondidos (não foi o meu caso). Focando-se neste ávido público, formado tanto por veteranos da série e dos filmes de animação, quanto pelos novos fãs que apenas os conheceram graças ao tal jogo digital, chega agora aos cinemas o primeiro live-action desse universo – “Pokémon: Detetive Pikachu”. Porém, com muitas novidades que poderiam desiludir em cheio os fãs: sem Ash, nem treinadores, e quase sem batalhas ou mesmo pokébolas.

Por isso, apesar de “Pokémon: Detetive Pikachu” estrear-se no grande ecrã com o grande peso que a franquia Pokémon poderia colocar nas costas de qualquer produto vinculado à sua marca, esperava-se um filme que agradasse ao seu público-alvo, no caso dos mais jovens, ao mesmo tempo que respeitasse aqueles que embarcaram no universo que existe há mais de 20 anos. E o resultado não poderia ser mais satisfatório… o filme já arrecadou 178 milhões de dólares a nível mundial na sua primeira semana, tornando-se o maior sucesso de bilheteira de estreia da história para um filme inspirado num jogo. Com menos de uma semana em cartaz, “Pokémon: Detetive Pikachu” já ocupava a 11ª posição na lista das maiores bilheteiras de todos os tempos para adaptações cinematográficas de games. A ponto de fazer tremer quem ocupa o trono do box office norte-americano, o filme “Vingadores: Endgame”, que domina os cinemas locais. “Pokémon: Detetive Pikachu” conseguiu incríveis números, mas não o suficiente para superar os de “Vingadores: Endgame”. Mas apesar do segundo lugar, “Pokémon: Detetive Pikachu” teve uma das melhores estreias da Warner Bros nos últimos anos. Por cá, com o absoluto domínio conseguido também por “Vingadores: Endgame” nas primeiras semanas, chegou finalmente um candidato à altura, ou pelo menos, alguém que os fez suar pela posição cimeira no box office do último fim-de-semana. A luta foi apertada, pouco mais de mil euros separam os resultados das bilheteiras de ambos no último fim-de-semana, mas o filme dos Heróis mais Poderosos da Terra acabou por cima.

Deixando as análises de lado, passemos ao filme. Baseado no jogo homónimo, “Pokémon: Detetive Pikachu” é uma reinvenção do universo canónico, mas tendo em consideração o politicamente correcto dos dias de hoje, o que faz com que as habituais batalhas entre os pequenos monstros e os seus treinadores sejam abolidas - ao menos em Ryme City, a cidade-modelo onde é situada a história. Num mundo onde pokémon e humanos vivem em harmonia, a paz é colocada à prova quando um detective morre misteriosamente, deixando para trás o seu companheiro de investigações: ninguém menos do que Pikachu. Com amnésia, o pequeno bichinho eléctrico amarelo precisa descobrir o que realmente aconteceu. Mas o desaparecimento do detective policial Harry Goodman também faz com que o seu filho Tim (Justice Smith) parta à sua procura. Ao seu lado, ele passa a contar com Pikachu, antigo parceiro Pokémon de seu pai, que perdera a memória recentemente e que adora café. Juntos, eles percorrem as ruas da metrópole de Ryme City…
Com Alex Hirsch como argumentista e Rob Letterman na realização, o elenco de “Pokémon: Detetive Pikachu” conta também com Ryan Reynolds (como a voz de Pikachu na versão em inglês), Ken Watanabe e Kathryn Newton.

Com tanto histórico na bagagem, “Pokémon: Detetive Pikachu” não se esquiva de nos dar easter-eggs que fazem a delícia do público mais fiel. A chegada a Ryme City oferece uma constelação de monstrinhos que farão exercitar a memória dos fãs mais atentos, numa busca incessante por se lembrarem do nome de cada um deles, mesmo quando pouquíssimos tenham realmente participação na história. Além disso, este live-action entrega-nos Pokémon em versão peluche, que instigam qualquer um de nós a querer agarra-los, para acariciar e apertar. Bem fofinhos...

Habilmente, Rob Letterman vai quebrando, de vez em quando, alguma monotonia da narrativa com algum alento para o fã espectador. Assim, temos uma batalha clandestina a envolver pokémon e Psyduck a roubar a cena sempre que aparece. Até mesmo Mewtwo, o vilão do primeiro filme de animação, conta com um truque narrativo que lida (mais uma vez) com a memória afectiva dos fãs.

“Pokémon: Detetive Pikachu” entrega-nos cenários multicoloridos, pokémons incríveis e muita diversão. E os veteranos, como eu, até vamos encontrando influências assumidas, desde “Gremlins” a “Avatar”. O enredo do filme é interessante e deve suprir a necessidade de quem espera uma boa narrativa. Funciona como um bom entretenimento, sem dúvida! Mas o grande trunfo do filme é o de passar a ideia de como seria um mundo onde existissem, de facto, Pokémon, graças a um trabalho incrível de efeitos especiais.

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