
Este é o terceiro filme do fenómeno global “Annabelle”, que conta a história da infame e sinistra boneca pertencente ao Universo “The Conjuring”.
Determinados a evitar que Annabelle cause mais danos, os demonologistas e investigadores de fenómenos paranormais, Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga), decidem trancar a boneca possuída na sala de artefactos de sua casa, colocando-a “em segurança” dentro de uma vitrina benzida pelo Padre Gordon (Steve Coulter). Quando os Warren deixam a sua casa durante um fim-de-semana, a filha de dez anos do casal, a pequena Judy (McKenna Grace), é deixada aos cuidados da sua babysitter Mary (Madison Iseman). Porém, quando Daniela (Katie Sarife), uma amiga da babysitter de Judy entra no quarto proibido, a boneca desperta, assim como todos os espíritos malignos presentes no local. E uma noite profana de terror vai acontecer, pois Annabelle e os aterrorizantes espíritos da sala, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora de jogo, voltam-se para novos alvos - a filha dos Warren e as suas amigas.

Boa parte da razão pela qual o universo “The Conjuring” se tem vindo a sustentar tão bem não reside apenas na produção de um bom terror que distribui entretenimento entre sustos bem construídos, mas também por conta do aproveitamento das entidades que nos vão sendo apresentadas através do casal Lorraine e Ed Warren. E de entre todas as que já vimos, passando pela Freira e a Mulher que Chora, é Annabelle quem mais se destaca – especialmente pelo facto de ela ser um veículo para outros espíritos poderem entrar no nosso mundo. Já no seu terceiro filme (ultrapassando até os próprios filmes de “The Conjuring”), a boneca maligna retorna, desta vez para uma história que pouco fala sobre si, servindo-nos uma atmosfera sombria, muitos sustos e algumas entidades para nos meterem medo no seu lugar.

O diferencial e interessante neste terceiro capítulo vem-nos de alguém inesperado - a pequena Judy. O facto da filha de Lorraine e Ed também ser médium resulta bem na história, e a clareza para com o seu "dom" e o discernimento com que lida com a fama dos pais não só é aliciante de ver como também dá um ar maduro à personagem, sem nunca sair do tom. Por isso, a mais nova do trio feminino é justamente a mais coerente e corajosa, sendo também o polo mais firme quando o terror se instaura no seu lar. Daniela, responsável por iniciar todo o caos ao tentar invocar a alma do seu pai na sala de artefactos dos demonologistas, é também uma personagem de peso.

Passando-se na década de 70, o ambiente do filme aproxima-se de filmes de terror de décadas passadas por se passar basicamente num único local e usufruir do mesmo ambiente para criar todo o suspense. Sendo o local o palco para as criaturas libertadas terem o seu momento, basicamente um ou dois espíritos são apresentados mais a fundo e têm a oportunidade de efectivamente aterrorizar. Annabelle, como sempre, assusta mais do que todos, mesmo tendo um papel quase secundário.

O enredo vai ao limite para se contextualizar na cronologia, passando-se após o primeiro filme principal e Annabelle (2014), mas situa-se antes do segundo “The Conjuring” (2016). O realizador Gary Dauberman – que também escreveu o argumento – segue, em partes, o estilo que James Wan caracterizou e tornou a franquia tão elogiada. Dauberman – tendo tido “It: A Coisa” como o seu primeiro trabalho no comando - usa a simplicidade narrativa para desenvolver a tensão com cuidado. O resultado é um filme de terror puro, mais sóbrio, com atenção especial para a construção de uma atmosfera de medo, o que compensa a previsibilidade da fórmula da série e que nos deixa em constante estado de alerta. Cria um clima muito mais pesado do que qualquer um dos seus antecessores.

Por isso, “Annabelle 3” pode bem ser o melhor derivado do universo “The Conjuring”. E é sempre bom ver a dupla Patrick Wilson (Ed Warren) e Vera Farmiga (Lorraine Warren) novamente de volta. Nesse sentido, o futuro próximo parece ser bastante animador: Wilson e Farmiga já estão a filmar “The Conjuring 3”. Até lá, temos este belo episódio da boneca com sede de almas…

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