Um super-herói de férias na Europa, mas sem qualquer descanso… No Verão, Peter Parker (Tom Holland) e os colegas de liceu resolvem partir de férias para a o continente europeu. Contudo, o prometido descanso não aparece, e Peter dá por si a tentar salvar os companheiros das garras de um vilão…

Este filme surge após os eventos de “Vingadores: Endgame” e o Homem-Aranha vê-se obrigado a dar um passo em frente e a encarar novas ameaças num mundo que mudou para sempre. Peter Parker está numa viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos, quando é surpreendido pela inesperada visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). A precisar de ajuda para enfrentar os monstros denominados como Elementais, o agente Fury convoca-o para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa ainda de lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si os seus óculos de sol pessoais, com acesso a um especial sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries.

Em “Homem-Aranha: Longe de Casa”, Jon Watts aborda Mysterio no que as suas ilusões têm de mais gráfico, e não necessariamente no seu potencial narrativo. E os leitores de BD vão reconhecer, naquele par de cenas do herói aracnídeo encurralado, os quadros claustrofóbicos em fundo todo preto em que o Homem-Aranha fica preso nas vertigens de Mysterio, sufocado por imagens que trazem à tona traumas do inconsciente. Um resultado esperado pelos fãs, e que sabe aproveitar bem o carácter banda-desenhada de situações e de caracterização de personagens.



“Homem-Aranha: Longe de Casa” possui um equilíbrio interessante entre humor, cartoon e empatia. Dos filmes do Universo Marvel, talvez seja um dos que melhor se organiza em torno de um elenco de tipos algo caricatos e em situações que se prestam mais facilmente ao riso fácil do que num episódio do Doutor Estranho ou do Thor. Além disso, este “episódio” encerra a Fase 3 do Universo Cinematográfico Marvel (UCM). Aliás, todo o aparelho do UCM funciona porque parte de um acordo de confiança com o seu público, e nesse sentido “Longe de Casa” faz o seu serviço de forma exemplar: explorando até o limite do bom senso a elegia de Tony Stark e oferecendo enlaces com filmes anteriores e futuros. Este “contrato de confiança” está bem explícito num easter egg/fan service que pode passar despercebido, quando o Homem-Aranha se balança com MJ diante de um edifício na Rua 41 de Manhattan e uma frase aparece escrita: "Mal podemos esperar para mostrar a vocês o que vem a seguir".



Que década para o super-herói aracnídeo... Depois de se consolidar nos cinemas, de uma vez por todas, com Tom Holland no papel principal, a franquia Homem-Aranha acaba de atingir mais um recorde: “Longe de Casa” já é o filme de maior bilheteira na história das adaptações do herói. Com 971 milhões de dólares arrecadados até ao momento, ele passou voando pelo valor, até então, estabelecido em Homem-Aranha 3: 880 milhões de dólares. Com menos de um mês em cartaz, especula-se que o novo ultrapassará facilmente o tão cobiçado bilião, deixando o ano da Marvel ainda mais lucrativo. Se “Longe de Casa” passar realmente da marca de 1 bilião de dólares, tornar-se-á o primeiro filme a solo do Homem-Aranha a alcançar tal patamar.



E para um filme a solo do herói aracnídeo, “Homem-Aranha: Longe de Casa” traz diversos detalhes e pistas do Universo Cinematográfico Marvel, incluindo sobre o seu futuro. Ainda não temos muitos detalhes sobre como a personagem de Tom Holland voltará a ingressar no UCM, e a Fase 4 só foi oficialmente anunciada há pouco, no Comic Com de San diego (EUA), mas há o tal pormenor que mencionei anteriormente: durante a cena pós-créditos de “Longe de Casa”, antes de prestar atenção no ecrã de notícias que acaba divulgando a sua identidade secreta ao público, ele pára em frente a um canteiro de obras. Lá, está a tal placa com a frase “Mal podemos esperar para mostrar o que vem a seguir”. O mais interessante é que a frase ainda traz os números 1,2 e 3, mas com o círculo onde o 4 viria com um ponto de interrogação…

Isso seria apenas um detalhe inofensivo, se o número 4 não significasse tanta coisa para o UCM. Por um lado, a Fase 4. O painel da Marvel Studios na San Diego Comic-Con do passado dia 20 de Julho, já anunciou a Viúva Negra, o novo Thor e Os Eternos, mas aquele sinal com um 4 certamente refere-se à Primeira Família da Marvel. Com a compra da Fox pela Disney, é apenas uma questão de tempo para que o Quarteto Fantástico se junte ao UCM, e essa pode ser a primeira pista de que Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm possam estar a chegar…

Mas depois de “Homem-Aranha: Longe de Casa”, nós ficamos com uma sensação de que realmente mal podemos esperar para ver o que a Marvel nos vai trazer…


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