A madrugada de domingo, 11 de janeiro, trouxe-nos mais do que a habitual sucessão de discursos, vestidos e estatuetas douradas. Os Golden Globe Awards de 2026 foram, acima de tudo, uma cerimónia de afirmação: de narrativas mais densas, de interpretações que não pedem licença e de um cinema cada vez mais atento ao mundo real, mesmo quando se refugia na ficção.
Desde cedo ficou claro que “Hamnet” seria um dos grandes títulos da noite. O filme, inspirado na obra de Maggie O’Farrell, confirmou o favoritismo ao conquistar o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama, impondo-se pela sua delicadeza emocional e pela forma como transforma a dor íntima numa experiência cinematográfica universal. Jessie Buckley, absolutamente magnética, foi distinguida como Melhor Actriz em Drama, numa interpretação que fica connosco muito depois de o ecrã se apagar.
Mas se “Hamnet” trouxe o lado mais contemplativo da noite, “One Battle After Another”, de Paul Thomas Anderson, fez-se ouvir com força. O filme venceu na categoria de Melhor Filme – Musical ou Comédia e acumulou prémios-chave, incluindo Melhor Realização e Melhor Argumento, confirmando Anderson como um dos autores mais consistentes e inquietos do cinema contemporâneo.
Entre os momentos verdadeiramente históricos da noite, houve um que se destacou de forma especial e que merece ser sublinhado sem reservas. Wagner Moura venceu o Globo de Ouro de Melhor Actor em Filme Dramático por “The Secret Agent”, tornando-se o primeiro actor brasileiro a conquistar este prémio nesta categoria. Depois de, no ano passado, Fernanda Torres ter vencido o Globo de Ouro de Melhor Actriz em Filme – Musical ou Comédia, o Brasil afirma-se agora com ainda mais força em Hollywood.
A vitória de Wagner Moura ultrapassa largamente o mérito individual, que é imenso, e representa um reconhecimento tardio, mas decisivo, da vitalidade do cinema falado noutras línguas e de percursos artísticos que não seguem o caminho mais óbvio, nem mais confortável dentro da indústria americana. O seu discurso, contido e elegante, foi, justamente, um dos momentos mais aplaudidos e simbólicos de toda a cerimónia.
A gala, conduzida novamente por Nikki Glaser, teve um tom mais solto e auto-consciente, com humor afiado e algumas provocações que dividiram opiniões, como deve acontecer numa noite destas. Houve espaço para discursos emotivos, para recados políticos subtis e para aquela sensação de que os Globes continuam a ser um termómetro imperfeito, mas revelador, do que aí vem na corrida aos Oscars.

Glen Powell 
Hudson Williams 
Chris Pine 
Alicia Silverstone 
Jennifer Lopez 
Jennifer Lawrence 
Kate Hudson
No tapete vermelho, a moda voltou a ser um espetáculo à parte. Silhuetas clássicas reinventadas, escolhas mais ousadas e uma beleza menos rígida, mais etérea, dominaram a noite. Não se tratou apenas de “quem vestiu quem”, mas de uma afirmação clara de estilo pessoal, longe do excesso e mais próxima da identidade. Uma tendência que tem vindo a consolidar-se nos grandes eventos internacionais.
No final, os Golden Globes 2026 deixaram essa sensação rara: a de uma cerimónia que, para lá do brilho, soube refletir o momento cultural que vivemos. Um cinema mais plural, uma televisão cada vez mais ambiciosa e artistas que não têm medo de ocupar espaço com histórias relevantes. E porque no meu blog gosto sempre de fechar o círculo, aqui fica o palmarés completo da edição deste ano:
Palmarés Golden Globes 2026
![]() |
| Timothée Chalamet |
Cinema
Melhor Filme – Drama: “Hamnet”
Melhor Filme – Musical ou Comédia: “One Battle After Another”
Melhor Realização: Paul Thomas Anderson – “One Battle After Another”
Melhor Argumento: “One Battle After Another”
Melhor Actriz – Drama: Jessie Buckley – “Hamnet”
Melhor Actor – Drama: Wagner Moura – “The Secret Agent”
Melhor Actriz – Musical ou Comédia: Rose Byrne - “If I Had Legs, I’d Kick You”
Melhor Actor – Musical ou Comédia: Timothée Chalamet – “Marty Supreme”
Melhor Actriz Secundária: Teyana Taylor – “One Battle After Another”
Melhor Actor Secundário: Stellan Skarsgard - “Sentimental Value”
Melhor Filme de Animação: “KPop Demon Hunters”
![]() |
| KPop Demon Hunters |
Televisão
Melhor Série – Drama: “The Pitt”
Melhor Série – Musical ou Comédia: “The Studio”
Melhor Minissérie ou Telefilme: “Adolescence”
Melhor Actriz em Série Dramática: Rhea Seehorn - “Pluribus”
Melhor Actor em Série Dramática: Noah Wyle - “The Pitt”
Melhor Actriz em Série Musical ou Comédia: Jean Smart - “Hacks”
Melhor Actor em Série Musical ou Comédia: Seth Rogen - “The Studio”
Melhor Actriz Secundária em Televisão: Erin Doherty - “Adolescence”
Melhor Actor em Série ou Filme em Televisão: Stephen Graham - “Adolescence”
Melhor Actor Secundário em Televisão: Owen Cooper - “Adolescence”
Prémios Honorários
Prémio Cecil B. DeMille: Helen Mirren
Prémio Carol Burnett: Sarah Jessica Parker









