Este mês assinalaram-se os 100 anos do nascimento de Marilyn Monroe, a mulher que nasceu Norma Jeane Mortenson a 1 de junho de 1926 e que acabaria por se tornar um dos rostos mais reconhecidos do século XX. E dei por mim a pensar em algo curioso: quantas estrelas de cinema continuam verdadeiramente presentes décadas após a sua morte?
Marilyn Monroe é um nome que não precisa de apresentação, porque nunca foi apenas uma atriz de Hollywood... Foi um fenómeno cultural. E continua a sê-lo! Mesmo quem nunca viu um dos seus filmes reconhece imediatamente o cabelo loiro platinado, o sorriso tímido, o sinal perto dos lábios ou o célebre vestido branco esvoaçante. Poucas figuras conseguiram ultrapassar o seu próprio tempo desta forma.
Não falo apenas dos cinéfilos ou dos grandes admiradores de Hollywood. Falo das pessoas em geral. Daquelas que talvez nunca tenham visto um filme dela, mas que reconhecem imediatamente o seu rosto. Marilyn Monroe é um daqueles casos raros em que a pessoa se transformou num símbolo. E talvez seja precisamente por isso que, cem anos depois do seu nascimento, continuamos a falar dela.
“A star like no other”
A verdade é que Marilyn foi muito mais do que a imagem da loira glamorosa que Hollywood vendeu durante anos. Por trás dos vestidos brilhantes, das sessões fotográficas e das passadeiras vermelhas existia uma mulher inteligente, ambiciosa e muito mais determinada do que muitas vezes lhe reconheceram em vida.
Numa época em que as atrizes tinham pouca margem para decidir o rumo das suas carreiras, Marilyn teve a coragem de enfrentar os estúdios, exigir melhores papéis e criar a sua própria produtora. Hoje, parece algo normal, mas nos anos 50 não era. Talvez por isso muitos a considerem uma mulher à frente do seu tempo.
Mas aquilo que mais me impressiona é a forma como continua a influenciar gerações que nem sequer eram nascidas quando ela morreu. Basta olhar para Madonna...
Um mito inspirador
Quem cresceu nos anos 80 recorda-se certamente do vídeo de “Material Girl”. O vestido cor-de-rosa, os diamantes, a escadaria, os bailarinos de smoking... tudo remetia para a inesquecível cena de “Diamonds Are a Girl's Best Friend”, interpretada por Marilyn Monroe no filme “Gentlemen Prefer Blondes”.
E Madonna não foi caso único. Ao longo de décadas, atrizes, cantoras, fotógrafos e designers foram recuperando elementos da sua imagem. Uns inspiraram-se no visual, outros na atitude. Outros, ainda, naquela mistura de fragilidade e força que sempre fez parte do seu fascínio.
Talvez seja essa a razão pela qual Marilyn continua tão atual. Vivemos numa época em que a imagem tem um peso enorme, em que as celebridades constroem cuidadosamente a forma como querem ser vistas pelo público. E, de certa forma, Marilyn foi uma das primeiras a perceber o poder dessa narrativa.
Claro que também ajudou o facto de ter protagonizado algumas das imagens mais icónicas do século XX. Há fotografias suas que continuam a ser reconhecidas instantaneamente em qualquer parte do mundo. Poucos conseguem isso.
Cem anos depois do seu nascimento, Marilyn Monroe continua a inspirar livros, exposições, filmes, coleções de moda e até novas gerações de artistas. E acredito que continuará a fazê-lo durante muitos anos.
Porque algumas estrelas pertencem ao seu tempo, outras acabam por atravessar todos os tempos. No fundo, talvez seja essa a maior prova da dimensão de Marilyn Monroe. Mais de seis décadas depois da sua morte, continua-se a falar dela. E isso está ao alcance de muito poucos...





