Dinossauros, sustos a valer e uma grande diversão de verão para viver no grande ecrã. É verdade! Fui à estreia de “O Fim de Oak Street” e começo pelo mais simples: gostei. Gostei mesmo! É daqueles filmes que não precisam de reinventar o cinema para nos proporcionar duas horas muito bem passadas e que, para mim, tem tudo para funcionar como um ótimo filme de verão.
A premissa é tão improvável quanto divertida. Estamos nos anos 1980, num pacato bairro suburbano americano, onde vive a família Platt: Denise e Greg, interpretados por Anne Hathaway e Ewan McGregor, e os dois filhos, Audrey e Brian, a cargo de Maisy Stella e Christian Convery. A vida familiar está longe de ser perfeita e o casal atravessa os seus próprios problemas quando um misterioso acontecimento cósmico muda, literalmente, tudo: Todo o bairro de Oak Street é arrancado do mundo que conhece e transportada para um ambiente pré-histórico.
E aí entram os dinossauros. Não vou contar muito mais porque uma boa parte da graça está precisamente em irmos descobrindo, ao mesmo tempo que aquela família, o que raio está a acontecer. Viver o momento. Digamos, apenas, que os habitantes de Oak Street passam rapidamente de preocupações muito terrenas para uma questão bastante mais premente: como evitar ser comido por um dinossauro?
Sustos, humor e uma família muito anos 80
David Robert Mitchell, realizador de “It Follows” e “Under the Silver Lake”, escreveu e realizou o filme, que tem o conceituado J.J. Abrams entre os produtores. E percebe-se, desde cedo, que há aqui um enorme piscar de olho ao cinema americano dos anos 80: o subúrbio, a família, os miúdos, o extraordinário que invade o quotidiano e aquela mistura de aventura, ficção científica, humor e sustos que, inevitavelmente, nos faz lembrar o adorável universo de Spielberg.
Mas uma das coisas de que mais gostei foi precisamente a forma como o filme está engendrado. Quando digo que é um filme “leve”, não quero dizer que seja sossegado, muito pelo contrário. Dei vários pulos na cadeira. Há sustos muito bem esgalhados, momentos de tensão e criaturas que aparecem quando menos esperamos.
No meio de tudo isto, o filme nunca perde completamente o sentido de humor. E talvez seja aí que tenha funcionado tão bem: aceita o absurdo da sua própria premissa e diverte-se com ela. Curiosamente, nem toda a crítica internacional concordou. Houve quem considerasse esta homenagem ao cinema de Spielberg demasiado derivativa, enquanto outros viram precisamente nessa mistura de nostalgia, aventura e algum disparate um dos grandes prazeres do filme. Eu fico, claramente, no segundo grupo.
Anne Hathaway e Ewan McGregor valem sempre a viagem
Confesso, desde já, uma parcialidade: gosto muito de Anne Hathaway. E aqui ela está ótima. A sua Denise começa por ser uma mulher e mãe com as suas próprias frustrações, mas as circunstâncias obrigam-na a revelar outras facetas, algumas bastante inesperadas. Ao seu lado, Ewan McGregor funciona lindamente como o seu marido, Greg. Os dois têm química, são credíveis enquanto casal e, sobretudo, enquanto pais de uma família que, perante uma situação absolutamente impossível e inacreditável, tem de perceber muito rapidamente aquilo que realmente importa.
Maisy Stella e Christian Convery também estão muito bem como os filhos do casal e ajudam a fazer com que esta família não seja apenas um pretexto para colocar quatro pessoas a fugir de dinossauros. E depois temos Starbuck, o seu cão farrusco. Não vou dizer mais nada sobre ele porque não quero estragar nenhuma surpresa. Só direi isto: adorei-o. E ele é um herói. Quem vir o filme, irá perceber.
Um filme para nos divertirmos e isso também conta
Talvez “O Fim de Oak Street” não pretenda ser muito mais do que aquilo que é: uma grande aventura de verão, com uma família americana dos anos 80, dinossauros, humor, tensão, alguns bons sustos e um elenco que sabe perfeitamente como carregar toda esta “loucura” às costas.
E sabem que mais? Para mim, chega perfeitamente. Nem todos os filmes têm de nos deixar a discutir o sentido da vida à saída da sala. Alguns podem, simplesmente, agarrar-nos durante duas horas, fazer-nos alhear da nossa vida, fazer-nos rir, saltar da cadeira, torcer por uma família e por um cão e devolver-nos, por momentos, aquele prazer muito simples de ir ao cinema pela simples diversão, para sermos entretidos. Foi exatamente isso que este filme me deu. E eu saí da sala muito bem-disposto.
Por isso, só me resta recomendá-lo. “O Fim de Oak Street” estreou nos cinemas ontem, dia 13 de agosto. Aproveitem o fim de semana e não percam!



