Quando fui à ante-estreia deste filme, a convite, não tive tempo de procurar nada sobre ele, logo, não sabia ao que ia. E eis que me deparo com uma história marcante e encantadora…

Baseado no bestseller homónimo do New York Times, de R. J. Palacio, “Wonder – Encantador” conta a inspiradora e emocionante história de August Pullman, um rapaz que nasceu com uma deformidade facial e, por esse motivo, sempre foi muito protegido e isolado da escola e das crianças da sua idade. Porém, é chegado o dia em que Auggie se torna o mais improvável dos heróis ao entrar pela primeira vez, no 5º ano de escolaridade, numa escola pública… e, claro, sente-se completamente apavorado! Tal como a sua família, os seus novos colegas de turma e toda a comunidade enfrentam a capacidade do poder da compaixão, da aceitação e da não-discriminação. O maior sonho de Auggie é que o aceitem. Numa extraordinária jornada, Auggie vai tentar conseguir com que todos se unam pela mesma causa e provar que todas as crianças são únicas, especiais e nasceram com um dom encantador de se destacar, de amar e serem amadas. Um filme com uma história enternecedora para toda a família que vai abrir os nossos olhos e corações e, certamente, fazer de nós pessoas mais encantadoras!

Realizado por Stephen Chbosky, com Julia Roberts e Owen Wilson nos principais papéis e um fantástico Jacob Tremblay, “Wonder – Encantador” traz-nos uma incrível história que encerra uma mensagem de esperança sobre a aceitação da diferença. Diria que, sem ser natalício, é perfeita para esta Quadra. Auggie nasceu com uma malformação facial e até aos 10 anos, a família defendia-o muito, isolando-o da vida normal como forma de o proteger. Mas quando ele vai finalmente para a escola, o que mais temiam acaba por acontecer: passa a ser alvo de bullying por parte de alguns colegas…

“Quando eu estava na barriga da minha mãe, ninguém fazia ideia de que eu iria nascer com esta cara”, conta o protagonista de “Wonder – Encantador” logo na abertura. O “esta cara” era o rosto de um menino nascido com a síndrome de Treacher-Collins, uma má formação cranio-facial congénita, que fez com que fosse operado 27 vezes e, após anos a ser educado em casa pela mãe e apenas saindo à rua "escondido" por um capacete de astronauta, narra a sua primeira experiência num liceu, com outros meninos da sua idade.

Apoiado por formidáveis actuações, com uma sempre fantástica Julia Roberts e um magnífico elenco infantil encabeçado por Jacob Tremblay, o realizador consegue um bom equilíbrio, não pendendo demasiado para o drama, nem se excedendo na comédia. Porém, acreditem, resulte impossível não soltar algumas lágrimas… Mesmo os seus laivos de fantasia – com um menino que se refugia numa realidade paralela, a de Star Wars, para fazer frente às batalhas diárias que o esperam – e o seu sentido de humor sempre contrabalançam o filme, que no conjunto apresenta-se-nos elegante e respeitoso. Q.b. Tal como o diálogo entre o Auggie e um amigo, que bem pode dar a tónica deste admirável filme: “– E tu, não poderias fazer uma cirurgia estética?”, ao que Auggie responde: “– Olha, esta cara que eu tenho é graças à cirurgia estética.”

Por isso, digo que é um filme ideal para toda a família. A força interior de Auggie e a capacidade de mostrar a sua verdadeira essência acabam por fazer com que todos entendam que ele é apenas mais uma criança comum, e que a beleza não está na aparência. Uma grande lição para todos nós.

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Sim, já devem estar familiarizados com o nome e com a pessoa... Valéria Carvalho é uma actriz com reconhecimento nacional, mas o que não sabiam é que também era cantora. Brasileira oriunda do estado de Minas Gerais, tem muita admiração em Portugal, onde se radicou em 1991, sobretudo pelo seu desempenho no teatro, na TV e no cinema. Na televisão portuguesa, já trabalhou em várias novelas, séries e talk shows. Valéria nunca pára! A última novela onde participa ainda está a passar na SIC, e chama-se “Espelho d’Água”.

Valéria é também a criadora e a directora da Casa da Língua Portuguesa. Mas é graças ao seu trabalho no teatro, e ao êxito dos seus espectáculos, que tem vindo a ganhar a atenção e a admiração dos meios culturais, como é o caso de “Chico em Pessoa” (2012), em torno da obra de Pessoa e Chico Buarque de Holanda, que esteve patente na Casa Fernando Pessoa e em diversos festivais.

A génese deste seu primeiro trabalho discográfico situa-se em 2014, quando apresentou o espectáculo musical e original "Rui Veloso em Jeito de Bossa" no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Na sequência do êxito deste espectáculo e do que o mesmo desencadeou na própria Valéria, surge agora o álbum "Rui em Jeito de Bossa". Valéria, acompanhada de músicos de excelência, e também vozes, como é o caso de Mafalda Veiga, toca e canta músicas de Rui Veloso num arranjo original, integralmente em bossa nova, e contou com o apoio incondicional do próprio.

Sobre este novo trabalho, Valéria diz: «A obra do Rui marcou todo meu percurso de vida aqui... Como actriz, o seu trabalho sempre me fascinou... O Rui é uma espécie de compositor encenador, ele cria um cenário musical para as letras... Depois de fazer o espectáculo Chico em Pessoa, não resisti em fazer o "Rui Veloso, em Jeito de Bossa"».

Por seu turno, Rui Veloso afirma: «Tenho vindo a acompanhar, há muitos anos, o percurso de Valéria Carvalho, sobretudo no teatro. Aprecio o seu profissionalismo, a seriedade e a forma inteligente com que ela aborda os temas que escolhe. Em relação ao projeto “Rui em jeito de Bossa”, apoiei-a logo de início, aquando da sua intenção de fazer o espetáculo, que resultou no disco. A Valéria está em Portugal há mais de 20 anos, e penso que isso contribuí para que ela tenha a sensibilidade para interpretar as canções sem as deturpar, de uma forma doce, leve e muito própria. Para além da sua vertente como atriz, que no palco ajuda muito à sua performance com os poemas do Carlos Tê, que ela faz brilhantemente, tudo resulta num espetáculo muito bonito e de grande qualidade musical. Simpatizo muito com este projeto e ele tem o meu apoio incondicional.»

Não deixem de adquirir e conhecer o trabalho musical e a fantástica voz desta brasileira de nascimento e portuguesa de coração que é a Valéria Carvalho. "Rui em jeito de Bossa" já está à venda na Fnac.



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As animações da Disney mostram sempre uma realidade contrária à sociedade atual. E talvez sejam tão encantadoras justamente porque carregam com elas a magia de contar histórias que acontecem no passado. Por exemplo, um dos principais clássicos, “A Bela Adormecida”, passa-se no século XIV, enquanto a "Branca de Neve" acontece no ano 1500… Por isso, e obviamente, em épocas tão remotas, não havia tecnologias ou outro tipo de distracção que tirassem o foco de príncipes e princesas, senão, ao invés de viverem “felizes para sempre”, provavelmente estariam a tentar encontros no Tinder, a fazer selfies ou qualquer outra coisa.

Vai daí, um designer gráfico do Reino Unido, que atende pelo nome de Tom Ward, resolveu recriar algumas personagens como se elas vivessem em pleno ano de 2017. Mas, apesar de ser interessante ver os desenhos como se estivessem a viver na atualidade, também resulta algo alarmante. Tom aproveita por fazer uma crítica à sociedade atual, que está refém da tecnologia e vive de maneira bem diferente da época em que essas histórias aconteciam.

Assim, na sua série de desenhos, que Ward apelidou de “Alt Disney”, ele faz uma ligação dos filmes clássicos da Disney com questões sociais modernas, criando uma visão perturbadora sobre a realidade. As imagens falam por si: poluição da água, exploração aos animais, obsessão por tecnologia e outros assuntos. Tom refere que as suas recriações favoritas são aquelas que criticam a nossa obsessão pelos telemóveis - nas imagens de “Pinóquio”, “Cinderela” e Artur de “A Espada era a Lei”. Em meio de críticas, o ilustrador também recriou uma imagem positiva de Gaston e Lefou a segurarem uma bandeira LGBT. "Eu gosto da alegria de Gaston e de LeFou sobre o orgulho gay. Essa foi a minha ideia mais recente...", afirma.

Sobre a ideia do projecto em si, Tom diz: "As personagens da Disney são tão icónicas que achei que transportá-las para o nosso mundo poderia ajudar-nos a vê-lo com outros olhos. Eu sempre apreciei imagens que nos pareçam familiares, mas que nos digam algo novo".

Vejam, a seguir, os desenhos de Tom Ward e analisem por vós próprios…
























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Impulsionado pela restauração da sua fé na humanidade e inspirado pelo acto altruísta do Super-Homem, Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca a sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot) para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha procuram e recrutam com agilidade uma equipa de meta-humanos, mas mesmo com a formação desta liga de heróis sem precedentes - Batman, Mulher-Maraviha, Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) -, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque… Amber Heard (Rainha Mera), J.K. Simmons (Comissário Gordon), Jeremy Irons (Alfred), Diane Lane (Martha Kent) e Willhem Dafoe (Nuidis Vulko), Amy Adams (Lois Lane) para além de Henry Cavill (Super-Homem), que já não se trata de spoiler, também integram o elenco.

Finalmente, aconteceu esta reunião no universo cinematográfico da DC, seis anos após a Marvel ter conseguido a proeza de reunir Os Vingadores no cinema. Não estamos perante o primeiro bom filme do estúdio – a Mulher-Maravilha já tinha feito brilharete neste sentido -, mas, pela primeira vez, há de facto a sensação de que estamos perante algo maior, algo que vale a pena ser mais explorado… Batman vs Super-Homem iniciou a formação desta super-equipa, mas só agora a mesma se une em prol da humanidade, por isso é realmente bom e empolgante ver personagens da DC a ganhar destaque e profundidade em cena. E é justamente este o prato principal: desenvolvimento de personagens. A Warner conseguiu fazer com que o público se interessasse por todos os protagonistas, criando um cenário em que todos são importantes para a história e onde todos ganham espaço para brilhar.

O que ganha grande sentido são as piadas e o descompromisso de Flash, Aquaman e até do próprio Batman. Os heróis de Liga da Justiça proporcionam um bom filme, ao lado do Super-Homem, que é retratado de forma clássica - um símbolo de esperança e poder. Henry Cavill retorna como Super-homem e obtém a sua melhor participação no papel. O Homem de Aço, que sempre fora um herói algo problemático, devido ao facto de ser praticamente imbatível, aqui surge de forma imponente, mas também marcada pela sua morte. O retorno do herói é um dos pontos mais alto da produção, propiciando uma excelente cena de acção e um tocante reencontro. Mas seria um erro fazer um “Liga da Justiça” em que apenas Batman, Super-Homem e Mulher-Maravilha fossem importantes. Obviamente, são dos nomes mais reconhecidos, mas para nosso gáudio, Flash, Aquaman e até Cyborg ganham o seu espaço em cena.

No final, temos duas cenas pós-créditos, uma cómica, sem importância, e uma realmente importante. É fundamental que permaneçam na sala até ao último momento. “Liga da Justiça” pode não ser um filme perfeito, mas é uma luz de esperança no universo da DC no cinema e traz algo positivo para o futuro: o Super-Homem. Esta primeira aventura da Liga serve para recuperar o primeiro dos super-heróis, para nos divertir e dar-nos confiança. É uma obra que vai ficar na história de qualquer fã do género e que agrada mesmo quem não for. Mas do que um ponto de chegada, é um óptimo ponto de partida...


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As estações podem mudar num piscar de olhos. Ao contrário daqui, no hemisfério (mais a ) norte, o Inverno está-se a aproximar rapidamente. Por isso hoje,com a ajuda da National Geographic e da Mãe Natureza, aqui vos deixo algumas fotos para nos ajudarem a saborear a beleza das estações, na sua mudança. Neste caso, Outono-Inverno. Estas incríveis imagens têm a ver com a promoção do concurso Nature Photographer of the Year 2017 da revista.

Não percam esta temporada fugaz e colorida e mergulhem nestas deslumbrantes fotografias...



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Baseado em factos reais, este filme marca a estreia do actor Andy Serkis como realizador. Para quem não o conheça pelo nome, Serkis ficou especializado em várias personagens digitais como o Gollum de “O Senhor dos Anéis” ou o Cesar de "O Planeta dos Macacos". Por outro lado, foi produzido por Jonathan Cavendish (filho da personagem principal, Robin). Produtor britânico que detém a trilogia “Bridget Jones”, “Elizabeth - A Era de Ouro” e “Jungle Book”, entre outros, no currículo, Jonathan decidiu contar a história dos seus pais no cinema.

No ano de 1958, Robin Cavendish (Andrew Garfield), carismático e aventureiro comerciante britânico, vê-se, de repente, paralisado pela poliomielite, uma doença viral e infecciosa que lhe atinge o sistema nervoso central, contraída em viagem de trabalho ao Quénia. Grávida do primeiro filho, a sua mulher, Diana Cavendish (Claire Foy), ouve dos médicos que ele nunca mais deixará a cama e que não deverá viver por muito mais tempo. Em profunda depressão por não mover nada abaixo da cabeça, incapaz de respirar pelos seus próprios meios, Robin, com apenas 28 anos, só deseja morrer. Mas o inabalável amor de Diana e o filho de ambos, fá-lo olhar de outra maneira para a sua situação e a desafiar os limites impostos.

Após o internamento por um ano de Robin, totalmente dependente dos cuidados médicos e de uma máquina que lhe possibilita respirar, Diana resolve fazer o impensável: ignorar os pareceres médicos e levá-lo para casa, onde dá início a uma demanda para melhorar as condições de vida dele e de todas as pessoas afectadas com paralisia. Na recusa em encarar a doença como algo que o impedia de viver, em 1962, quatro anos após o início da doença, Robin junta-se ao seu amigo Teddy Hall, um professor da Universidade de Oxford, para criar um protótipo de cadeira de rodas com respirador incorporado. Mais tarde, esse modelo veio a ser usado por milhões de pessoas com as mesmas dificuldades. Com o passar dos anos, usando a sua própria experiência como exemplo, Robin Cavendish acaba por ajudar vários técnicos a desenvolver aparelhos destinados a melhorar a qualidade de vida de pessoas que, de outra forma, estariam confinadas a uma cama, completamente dependentes dos cuidados de profissionais.

Com argumento de William Nicholson, este drama biográfico que marca a estreia na realização de Andy Serkis e que tem na cadeira de produtor Jonathan Cavendish, o único filho de Robin e Diana Cavendish, é interpretada por Andrew Garfield, Claire Foy, Hugh Bonneville, Tom Hollander, Ed Speleers e Dean-Charles Chapman. A composição de Andrew Garfield é notável, um dos grandes trunfos do filme, capaz de transfigurar a quietude da personagem numa energia expressiva, valorizando, dessa forma, o papel real e decisivo que Cavendish teve na evolução das condições de tratamento das pessoas com as mesmas limitações.

Composto por alguns divertidos trechos a la road movie, “Vive” trata-se de uma história real, muito inspiradora e instrutiva, cumprindo um papel informativo e esclarecedor. Para o filho de Robin, certamente serviu de catarse. Para nós, será sempre a inspiração de que nunca deveremos baixar os braços perante as adversidades...


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Começou a 27 de Outubro e termina amanhã, 12 de Novembro. A Amadora voltou a ser o epicentro das atenções dos fãs de banda-desenhada. E, claro, cumprindo-se a tradição, com o regresso do Festival Amadora BD, lá fui em “romaria” com os meus amigos e o de sempre, José Luís Alves. Na sua vigésima oitava edição, não há equívoco: visitar o Amadora BD é um verdadeiro ritual, que se repete quase sob obrigação.

O Amadora BD é mesmo local de peregrinação obrigatória para o verdadeiro apreciador de banda-desenhada. Apesar de já haver por solo luso outros eventos dedicados ao género, como é o caso do Iberanime, Comic-Con, Festival de Beja e outros, esta é a altura obrigatória para fazer uma visita à Brandoa, sempre com o GPS ligado.

Nesta edição do Festival podem encontrar três grandes exposições temáticas: uma retrospectiva do Nuno Saraiva, autor do cartaz deste ano, sob o título “Tudo isto é Fado”; a exposição “Revisões” que recupera a memória da revista Visão dos anos 70 e o trabalho plástico de Jan Bauer para “O Rio Salgado”, da Polvo, bem apresentado no seu espaço específico.
Temos, ainda, a banda-desenhada como registo jornalístico. “Contar o Mundo – A reportagem em banda desenhada”, conta com um vasto acervo que mostra as várias vertentes da BD documental. Antes da zona das editoras de livros e dos autógrafos, vale a pena visitar a exposição “Teto da Biblioteca”, da autoria de Rui Pimentel, que reproduz caricaturas de quase todas as personagens de literatura e banda desenhada que este arquitecto desenhou, numa ode aos ricos tectos de igrejas e bibliotecas antigas, como no caso da Capela Sistina.

No piso -1 do Fórum Luís de Camões, encontramos espaços com exposições temáticas sobre autores e obras. É o caso de Will Eisner, autor de “The Spirit”, e de Jack Kirby, que deixou um considerável legado no mundo dos super-heróis Marvel e DC. Dignos de se visitarem, onde, mais uma vez, o trabalho de decoração da organização é exímio.

Não deixem de visitar!


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Ultimamente, tem-se ouvido falar muito de Halloween. E, cada vez mais, há festas e jantares temáticos em sua “honra”. Mas que fenómeno é este que tem vindo a tomar conta desta altura do ano? As casas ficam “assombradas”, os fantasmas ganham vida, as bruxas saem à rua e os vampiros levantam-se do caixão... Tudo se congrega naquela que é a noite mais assustadora do ano. Também se comem guloseimas, pregam-se partidas e contam-se histórias de terror. Há cada vez mais Halloween e menos “Pão por Deus”, num fenómeno a que se chama comummente de "aculturação". Vejamos como tudo começou...

Também conhecido como o Dia das Bruxas, o Halloween é conhecido mundialmente como um feriado que começou a ser celebrado, principalmente, nos Estados Unidos. Porém, hoje em dia ele é celebrado também em diversos outros países, inclusive Portugal, onde hábitos como o de ir de porta em porta atrás de doces, enfeitar as casas com adereços "assustadores" e participar em festas de máscaras tem-se vindo a tornar mais comum.

Mas a sua origem pouco tem a ver com o senso comum de hoje em dia sobre esta festa popular. O Halloween tem as suas raízes não na cultura americana, como muitos pensam, mas no Reino Unido e os eu nome deriva de "All Hallows' Eve", sendo que "Hallow" é um termo antigo para "santo" e "eve" é o mesmo que "véspera". Este termo designava, até o século XVI, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado no dia 1 de Novembro.

Já percebemos da etimologia de seu nome, mas outra completamente diferente é a origem do Halloween atual. Desde o século XVIII, alguns historiadores apontam para um antigo festival pagão Celta quando se fala da origem do Halloween: o festival celta de Samhain (termo que significa "fim do verão"). O Samhain durava três dias e começava a 31 de Outubro. Segundo os mesmos, tratava-se de uma homenagem ao "Rei dos mortos" e tinha entre as suas maiores marcas as fogueiras, celebrando a abundância de comida após a época de colheita. Reza a lenda que na noite do dia 30 de Outubro os mortos voltavam a povoar a terra e personificavam a figura do fantasma. O objectivo era que os familiares dos mortos deixassem à porta de casa comida e bebida para a recepção e apaziguação dos espíritos. Nessa noite, os que se atreviam, só podiam sair de casa se estivessem mascarados de fantasma para conseguir passar despercebido entre eles, os “reais”.

Em meados do século VIII, o Papa Gregório III mudou a data do Dia de Todos os Santos de 13 de maio - a data do festival romano dos mortos - para o 1º de Novembro, a data do Samhain. Não há certezas sobre se Gregório III ou o seu sucessor, Gregório IV, tornaram a celebração do Dia de Todos os Santos obrigatória na tentativa de "cristianizar" o Samhain. Quaisquer que fossem os motivos, a nova data para este dia fez com que a celebração cristã dos santos e de Samhain ficassem unidos. Assim, tradições pagãs e cristãs acabaram por se misturar.

O Dia das Bruxas que conhecemos hoje tomou forma entre 1500 e 1800. As fogueiras tornaram-se especialmente populares a partir do Halloween, sendo usadas na queima do joio (que celebrava o fim da colheita segundo o Samhain), como símbolo do rumo a ser seguido pelas almas cristãs no purgatório ou para repelir a bruxaria e a peste negra. Comer era também uma importante componente do Halloween, assim como de muitos outros festivais. Um dos hábitos mais característicos envolvia crianças, que iam de casa em casa proferindo rimas ou rezando orações para as almas dos mortos. Como recompensa, ela recebiam bolos de boa sorte que representavam o espírito de uma pessoa que havia sido libertada do purgatório.

Em 1845, durante o período conhecido na Irlanda como a "Grande Fome", 1 milhão de pessoas foram forçadas a imigrar para os Estados Unidos, levando consigo a sua história e tradições. Não é nenhuma coincidência que as primeiras referências ao Halloween tenham aparecido na América pouco depois disso. Em 1870, por exemplo, uma revista feminina americana publicou uma reportagem em que o descrevia como feriado "inglês". E ainda hoje, no outro lado do atlântico, celebra-se igualmente o Saint Patrick's Day, herdado também da Irlanda.

A princípio, as tradições do Halloween nos Estados Unidos uniam brincadeiras comuns do Reino Unido rural com rituais de colheita americanos. O milho era uma cultura importante da agricultura americana - e acabou por entrar em força na simbologia característica do Halloween “made in USA”. De tal maneira que, no início do século XX, os espantalhos - típicos das colheitas de milho - eram muito usados em decorações do Dia das Bruxas. E foi na América que a abóbora passou a ser sinónimo de Halloween. Uma lenda sobre um ferreiro chamado Jack, que conseguiu ser mais esperto que o diabo e que vagava como um morto-vivo, deu origem às lamparinas feitas com abóboras que se tornaram uma marca “registada” do Halloween norte-americano, marcado pelas cores laranja e preta. Foi também nos Estados Unidos que surgiu a tradição moderna de "doces ou travessuras" (trick or treat). Há indícios disso em brincadeiras medievais que usavam repolhos, mas pregar partidas tornou-se um hábito nesta época do ano entre os americanos a partir dos anos 1920.

Outra celebração que o Halloween tem vindo a aculturar é a do “Dia de los Muertos”, a grande e alegre festa do México. Entre os dias 31 de Outubro e 2 de Novembro, nas casas, praças, ruas e, sobretudo nos cemitérios, adultos e crianças dançam, comem, bebem, fantasiam-se de morte e erguem altares com retratos dos seus mortos cercados com velas, flores e caveiras. São dias de alegria para receber as almas dos mortos que voltam para visitar os seus parentes.
Por tanto, a questão agora é: onde moramos, as pessoas comemoram ou não o Halloween? Em alguns lugares existem festas com nomes diferentes, mas com aspectos semelhantes: contato com espíritos dos mortos, fadas, bruxas e até mesmo anjos demoníacos…

Hoje, o Halloween é o maior feriado não cristão dos Estados Unidos. Em 2010, superou tanto o Dia dos Namorados e a Páscoa como a data em que mais se vende chocolates. Atualmente, é considerada a segunda comemoração com mais adesão, a seguir ao Natal, nos EUA. Ao longo dos anos, foi sendo "exportado" para outros países, entre eles Portugal. Um costume muito recente em Portugal, que data dos anos 1980. “Não terá mais do que 20 ou 30 anos", afirma o sociólogo Moisés Espírito Santo, acrescentando que os portugueses "aceitaram facilmente o Dia das Bruxas". A apropriação do Halloween é resultado da globalização que o mundo tem vindo a registar. Num mundo globalizado, com a internet, as fronteiras diluem-se, as identidades tornam-se móveis e os povos adaptam facilmente os costumes de outros povos. Faz sentido? O que importa? Também existe o McDonald’s e a Coca-Cola, ou seja, a pureza cultural nunca existiu, pois segundo Jean-Martin Rabot, docente de Sociologia da Universidade do Minho, “as culturas são o resultado da confluência de vários povos, várias tradições, línguas e crenças religiosas".

Porém quando o Halloween chegou, já se pedia pão por Deus por cá. Antes de o Halloween ser “importado” pelos portugueses, já existia há vários séculos o pedido de pão por Deus em Portugal. E ainda existe em alguns sítios do Norte e do Centro do país. Um costume que está relacionado com a tradição popular portuguesa de dar bolos secos às pessoas que tinham ajudado nas colheitas. De certa forma, só importámos a palavra Halloween, pois está comprovado que já existia um costume semelhante em Portugal e na vizinha Espanha. Mas sem a parte das travessuras, uma vez que as crianças não ripostam se nenhum doce lhes for oferecido.

Mas é inegável. Em Portugal, há cada vez mais pessoas a celebrar o Halloween. E não são só as crianças e jovens. As escolas promovem concursos e desfiles, os bares e as discotecas organizam eventos. Não é uma novidade tão recente como se julga, mas tem vindo a ser implementado cada vez mais pelo comércio noturno. Por isso, nesta noite, são cada vez mais os portugueses, como eu, que se mascaram para sair à rua e se divertirem, pois é dada a oportunidade para que os adultos brinquem com os seus medos e fantasias de uma forma socialmente aceitável. O Halloween permite subverter normais sociais como evitar contacto com estranhos ou explorar o lado mais negro do comportamento humano. Une religião, natureza, morte e romance. Talvez seja esta a razão da sua grande popularidade...


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Durante a infância assistimos a uma infinidade de desenhos animados. Existem tantos tipos de desenhos animados, que os há para todos os gostos. E muitos deles agradam até ao público adulto também. Cada um possui uma história com a sua ou as suas próprias personagens, cada uma com uma característica única que fica sempre na nossa lembrança.

Pensando em tal, um artista profissional em edição e ilustração francês, chamado Sylvain Sarrailh e que assina Tohad, criou as suas próprias versões alternativas de algumas personagens famosas que toda a gente adora. E o resultado ficou realmente incrível. E assustador…

Já imaginaram ver os vossos heróis favoritos de uma forma bem diferente do original? De maneira dura e agressiva? Por exemplo, temos o Tio Patinhas e os seus sobrinhos que deram lugar a perigosos assaltantes de banco. Ou o Bart e a Lisa, com os dois irmãos Simpson bem mais radicais. Também o Ursinho Pooh está bem sanguinário nesta nova versão e Dora, a Exploradora cresceu e agora está mais aventureira do que nunca.

Portanto, encontramos no trabalho de Tohad, características mais maduras e violentas que transformaram personagens como Sailor Moon, Hello Kitty, Sonic, Rapunzel, Ronald McDonald e muitos outros em rufiões. Podem aceder às sua página estas e outras ilustrações http://badassfanarts.tumblr.com/.



Ora vejam! Grande trabalho e imaginação. Vão-se surpreender...

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