Foi lançado, no passado mês de Setembro, em Nova Iorque, a campanha da ONU Mulheres HeForShe – “ElePorEla”, na tradução à letra, um dos maiores movimentos de solidariedade do século XXI. Mas, por alguma razão, por cá pouco ou nada se tem feito… E como sou apologista de causas meritórias, aqui me têm a dar conta, pois ainda está a decorrer.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e a Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, a actriz Emma Watson, abriram um evento repleto de personalidades com grande popularidade entre homens e crianças ao redor do mundo, para repercutir a igualdade de género e o poder das mulheres nos dias de hoje. “Ao longo dos anos, os homens têm apoiado o movimento das mulheres. Mas, para a maioria, era apenas isso: um movimento de mulheres quando, na realidade, a igualdade de géneros é da responsabilidade de todos”, disse o Secretário-Geral no seu discurso de abertura.
Mediada pelo apresentador da CNN, Wolf Blitzer, a campanha HeForShe tem como objetivo colocar homens no centro do activismo e do diálogo para acabar com as persistentes desigualdades enfrentadas pelas mulheres e meninas em todo o mundo. Ao longo de 12 meses (a contar de Setembro último) pretende mobilizar um bilhão de homens e rapazes como defensores e agentes de mudança para a igualdade de género.

“Os países têm a obrigação de combater qualquer violência contra a mulher. Mas também é preciso mudar atitudes”, afirmou Ban Ki-Moon, chamando à atenção de que uma em cada três mulheres é vítima de violência. “Os homens são responsáveis pela maioria das ameaças e violência contra as mulheres. Geralmente, estes homens até são bem próximos das suas vítimas: pais, maridos, namorados ou chefes”, concluiu. Ban também aproveitou para fazer um apelo: “Precisamos dizer aos homens e rapazes: Não levantem as vossas mãos pela violência, levantem, sim, as vossas vozes para pará-la e para promover os direitos humanos para todos”. Num ponto alto do lançamento, Ban ativou o mapa HeForShe, um gráfico em tempo real com um localizador GPS que acompanhará a participação dos homens com a iniciativa em todo o mundo, ao longo de doze meses. O chefe das Nações Unidas foi contado como o número um e Blitzer tornou-se “número dois”.

Já no seu discurso, a Diretora Executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, disse que a HeForShe é para todo o homem, rapaz ou indivíduo, onde quer que estejam. Apesar das estatísticas terríveis sobre a violência contra as mulheres e a desigualdade de género, “os homens e os rapazes podem mudar o curso da história”, defendeu. Estimulando políticos, artistas, actores e desportistas do sexo masculino para “acordarem”, para que, através deles, os jovens e adolescentes vejam modelos a seguir, dispostos a ajudar na mudança da sociedade. Phumzile disse que as pessoas de todas as esferas são convidadas a trabalhar no sentido de criar um mundo de justiça e igualdade de oportunidades, sem discriminação.

Por seu turno, Emma Watsom fez um inspirador apelo, onde falou sobre a importância do feminismo, alertando para os malefícios, inclusive aos homens, que a desigualdade dos géneros acarreta. Ao longo do seu discurso, enquanto embaixadora das Nações Unidas, a atriz britânica disse que o feminismo não é sinónimo de ódio aos homens, mas sim a crença de que ambos devem ter os mesmos direitos e oportunidades. “Estou a pedir para si, porque nós precisamos da sua ajuda. Queremos acabar com a desigualdade de género e precisamos de todos os envolvidos “, disse Emma, ressaltando que a campanha HeForShe é, mais do que falar, tratar de alcançar resultados tangíveis.

E eu, sugiro, vamos dar voz a esta campanha! Vamos partilhar no Facebook, no Instagram, e noutras redes sociais! Não deixem morrer esta iniciativa, pois ainda faltam alguns meses.

Mais info em http://www.heforshe.org/


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Pois é, como homem, reconheço a importância desta tendência… Na maior parte das vezes, as passarelas mostram fantasias que pouco têm a ver com a realidade. Mas os recentes desfiles masculinos demonstraram o contrário e coincidiram numa coisa: a bolsa masculina. Omnipresente nos fashion shows, tornou-se peça regular e assídua também nas ruas. Para que tenham uma ideia, em 2014 foram vendidas cerca de 6 milhões ao redor do mundo, segundo a Euromonitor. E refiro-me apenas às bolsas masculinas de luxo, um sector que duplicou na última década e cujas vendas, actualmente, chegam muito perto da cifra 5,5 bilhões de euros. Com este ritmo, calcula a mesma consultora, poderá exceder os 7 bilhões em 2019.

O fenómeno corresponde a um crescente interesse no mundo da moda por parte dos homens. “A venda de moda masculina aumentou 70% desde 1998. Até então, representava uns 38% da indústria têxtil. E em 2013, o menswear já atingiu 42% e é esperado que continue a crescer", dá conta a Euromonitor. Os estudos da consultora mostram que o crescimento da moda masculina superou a feminina nos principais mercados. O certo é que os homens respondem, cada vez mais, às tendências. E estão dispostos a experimentar coisas que anteriormente não ligavam nenhuma e, acima de tudo, a investir mais dinheiro no seu guarda-roupa.

As 6 milhões de bolsas de homem vendidas em 2014 podem parecer uma anedota, quando comparadas com as 25,6 milhões do departamento feminino. Mas, como bem sabemos, no terreno do mercado de luxo, o segredo do sucesso é a qualidade, não a quantidade... E por estes dias, a ala masculina representa quase um quarto do negócio, de acordo com o último relatório publicado pelo consultora NPD. E com preços que variam dos 325 euros por uma clutch básica da Balenciaga aos 7.000 euros de uma shopping bag em pele de tubarão da Valextra, o certo é que estas peças não saem nada baratas. Excentricidades à parte, claro, como a Birkin XXL em pele de crocodilo roxo que Pharrell Williams encomendou à Hermàs, pelo valor de 61.000 euros.

Portanto, uma coisa está clara: o homem actual está disposto a desembolsar a soma necessária para aproveitar, para si, uma parte da moda que, até então, não lhe estava reservada. De facto, enquanto o mercado global de gama alta cresceu apenas 3% no ano passado (foi a quota mais baixa dos últimos cinco anos, provocando um alarme geral), os especialistas prevêem um retorno, impulsionado pela venda de acessórios. Mais especificamente, os masculinos, um departamento onde a bolsa é a estrela. “De há uns tempos para cá, a indústria tem-se vindo a masculinizar. “Há alguns anos atrás, acharíamos estranho ver um homem a andar pela rua com um tote da Mulberry pendurado ao ombro, mas hoje é uma imagem comum”, explica Fflur Roberts, gerente de bens de luxo da Euromonitor. Já segundo Jean Cassegrain, CEO de Longchamp, “a bolsa masculina tornou-se mais um elemento do guarda-roupa de um cavalheiro”. Jean viveu na pele, e nas suas próprias contas, os benefícios de ampliar a sua linha de acessórios masculinos: a empresa fechou o ano com um crescimento de 8% e um rendimento de 495 milhões de euros.

E então, senhores, vão resistir a esta tendência? A moda lembrou-se de nós e até nos dá uma ajuda. Afinal, agora temos onde guardar os nossos gadgets, smartphones e até tablets ou laptops…

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Ainda não dá para perceber se “Focus” será um grande sucesso de bilheteira, capaz de colmatar os últimos insucessos de Will Smith, mas, pelo menos, em termos de qualidade , houve uma clara evolução. O filme pode não ser extraordinário, mas cumpre bem a sua função de entreter o espectador. Em “Focus”, Will interpreta Nicky, um trapaceiro profissional, que vive de pequenos golpes, mas possui uma verdadeira quadrilha organizada que o apoia nas actividades ilícitas. Eis que ele conhece uma golpista, Jess (Margot Robbie) bem menos experiente. Ela vê nele a possibilidade de aprender mais sobre a sua "profissão" e ele, vendo potencial nela, começa a treinar a novata. Jess faz uso de toda a sua beleza para os golpes só que, aos poucos, vai conquistando o coração de Nicky. Entrando numa grande confusão, para ter a rapariga estonteante nos seus braços, Nicky não mede esforços e acaba por ter de enfrentar um empresário milionário (interpretado pelo actor brasileiro Rodrigo Santoro).

Realizado por Glenn Ficarra e John Requa, realizadores responsáveis por “Amor, Estúpido e Louco” ou “Eu Amo-te Phillip Morris”, “Focus” é uma divertida mistura entre romance e (muita) vigarice. Recheado de voltas e reviravoltas, o filme leva-nos por caminhos bem diferentes do previsível e isso é o que resulta mais interessante. Com muita imprevisibilidade, a forma “deliciosa” com que nos envolve e cativa faz com que a história resulte e nos entretenha do princípio ao fim. Will Smith e Margot Robbie têm uma química excelente e parte do filme resulta por este facto. A banda sonora também não é de se deitar fora, com músicas ao nível de “Sympathy For The Devil”, dos lendários The Rolling Stones e com dois temas originais da banda portuguesa Dead Combo, “Lisboa mulata” e “Rumbero”.

“Focus” não é, nem pretende ser uma obra-prima. É apenas um filme que resulta por ser aquilo que é, ou seja, um belo filme de entretenimento. Mais info em http://www.youtube.com/WarnerBrosPortugal e www.twitter.com/warnerbros_PT


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Mais uma vez, com paixão, muita curiosidade (ou não se chamasse esta 44ª edição “Curioser”) e, certamente, grande energia criativa e motora, a ModaLisboa regressou ao Pátio da Galé, para apresentar as coleções Outono/Inverno 15/16 dos principais criadores portugueses. E por três dias, vimos modelos a passarem colecções, múltiplos convidados a observar (e a se exibirem) e as marcas associadas a aproveitarem o espaço expositivo para se mostrarem.

Sempre vocacionada na descoberta de novos talentos da moda nacional, a ModaLisboa Curiouser começou com o habitual Sangue Novo, com doze jovens designers (8 em nome individual e duas duplas) a apresentaram coleções, com estéticas bem distintas, e a provarem que o futuro da moda portuguesa é promissor. Pela passerelle, desfilaram propostas de Inês Duvale, Cristina Real, Banda, Duarte, David Catalán, Patrick de Pádua, M HKA, Patrícia da Costa, Tânia Fonseca, Rúben Damásio. E no âmbito de uma parceria entre a ModaLisboa e o festival de moda holandês Fashion Clash, Patrick de Pádua acabou por ser selecionado a apresentar a sua coleção e a representar Portugal no evento deste ano, que se vai realizar em Junho próximo, em Maastricht.

Luís Carvalho exibiu a sua mais recente coleção, integrada na secção LAB. Mas muitos outros nomes se lhe juntaram. Pudemos assistir à apresentação das propostas, sempre frescas e inovadoras, de Dino Alves, Valentim Quaresma, Ricardo Preto, Alexandra Moura, Miguel Vieira, Carlos Gil, Lidija Kolovrat, entre outros. A angolana Nadir Tati estreou-se na passerelle portuguesa e o guest designer polaco Dawid Tomaszewski, que já tinha participado na 37ª edição da Modalisboa, com boas criticas relativas à coleção da altura, voltou aos holofotes da Lisbon Fashion Week.

Filipe Faísca e as suas oito meninas em tratamento no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, que desfilaram nesta edição causaram enorme comoção na assistência. E Nuno Gama teve, mais uma vez, uma das maiores enchentes e ovações da ModaLisboa. A sua interpretação de “Os Lusíadas” deu um tom de espectáculo à última noite do certame, com aves de rapina, estandartes com a cruz de Cristo, chapéus de inspiração quinhentista e peças de design contemporâneo, numa bonita “mise en scène” que terminou com Amália e o hino português, que fez erguer todos na sala, para porem as mãos ao peito e, a seguir, aplaudirem emocionados.

E, assim, as grandes novidades da moda portuguesa foram, mais uma vez, apresentadas, pela 44ª vez na ModaLisboa… Lá para Outubro, a ModaLisboa - Lisboa Fashion Week regressará para afirmar, mais uma vez, a indústria portuguesa da moda e dos seus designers… Saibam mais em dailymodalisboa.blogspot.com e em www.modalisboa.pt

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A Rainha da Pop lançou hoje, finalmente, o seu 13.º disco de estúdio, revelando a artista pioneira e provocadora que sempre foi, mas igualmente sensível, pensativa e fora dos padrões, mesmo aos 56 anos de idade. Com “Rebel Heart”, Madonna prova que veio para ficar, como força criativa e ícone pop atemporal. Este seu novo álbum, que revela facetas ousadas e outras mais suaves, é um retrato revelador da eterna Material Girl, voltando a mostrá-la como uma cantora pioneira e provocadora, mas também delicada, preocupada, inquieta e totalmente fora dos padrões normais.

A vencedora de prémios Grammy confirmou que o título deste novo trabalho reflecte a sua intenção original de fazer um disco de dois lados, com 10 canções em cada um. “Um lado seria a minha parte mais rebelde, provocadora, que rompe barreiras, e o outro a minha parte mais romântica, vulnerável, e eles acabam por se misturar”, disse. “Rebel Heart”, o seu primeiro álbum desde MDNA, de 2012, que chegou ao topo da lista Billboard 200, também é algo autobiográfico, especialmente em faixas como “Veni Vidi Vici”, que repassa a sua carreira e sentimentos pessoais e reveladores de insegurança, perda e decepções amorosas. Aqui, a cantora acena para o passado e cita inclusive alguns dos seus êxitos anteriores, com versos confessionais do rapper Nas.

Entre as 19 canções da versão Deluxe (a standard tem apenas 14 temas), estão baladas sofisticadas e poéticas como “Devil Pray”, “Ghosttown” e “Joan of Arc”, que reflecte sobre o sentido da vida, finais de relacionamento e o amor em geral. “De cada vez que eles escrevem uma palavra de ódio/Arrastando a minha alma na lama/Eu quero morrer/Nunca admito, mas dói”, canta em “Joan of Arc”. Mas Madonna também solta as rédeas em canções de dança e contagiantes como “Living for Love” e “Unapologetic Bitch”, uma colaboração com o DJ Diplo. “Ele gosta de fazer as pessoas se levantarem e dançar, e fá-lo”, comentou a cantora a respeito de Diplo.

“Living for Love”, a primeira música do disco, tem uma batida forte, com letras sobre a dor de um rompimento amoroso e a dar a volta por cima para reencontrar o amor. Madonna ainda retoma temas de sexo e da religião, que ela considera tópicos infinitamente interessantes.“Eles são tão importantes para as pessoas, quanto são mal compreendidos”, explicou. “Ambos trazem muita luz para o mundo e muita escuridão. Por essas razões, eu gosto de explorá-los”.
“As mulheres, em geral, quando chegam a uma certa idade, aceitam que não devem se comportar de uma certa maneira. Mas eu não sigo regras. Nunca o fiz e não vou começar agora”, disse à revista “Rolling Stone”. Auto-afirmativa, “Bitch I’m Madonna” é tão bem-humorada quanto qualquer outro tema assinado por Diplo e cresce com a inserção de Nicki Minaj. Já a colaboração de Chance the Rapper em 'Iconic' não diminui a clássica mensagem passada, de que o estrelato está ao alcance de todos. Também não reduz o inusitado da introdução de Mike Tyson para a faixa. 'Illuminati' traduz o humor afiado da cantora numa crítica às teorias da conspiração, mas também simboliza a sua primeira aproximação bem sucedida com o hip-hop, graças ao trabalho de Kanye. “Hold tight”, “Inside out” e a excêntrica “Body shop”, de inspirações orientais, respondem pelo vanguardismo das produções, enquanto “S.E.X.” e “Best night” mantêm viva a persona sensual de “Erotica” (1992).

“Devil pray” é o exemplo de canção que só parece funcionar sob a assinatura de Madonna, com a sua mistura de referências religiosas e menções ao uso de drogas. A produção de Avicii é dobrada à vontade da intérprete, revivendo a mescla de violas e batidas eletrónicas que surpreendeu fãs e críticos na época de 'Music' (2000). A auto-rreferência é um dos elementos básicos de 'Rebel heart', mas surge de modo mais fluido que nos discos anteriores. Em “Holy water”, chega a usar um trecho de “Vogue”.

As letras não eram tão intimistas desde “American Life” (2003), o que garante baladas honestas após longo período de produções superficiais. Entre estas, “Wash all over me” brilha pela percussão exótica e por versos maduros. Mas em “Queen”, temos um discurso franco de Madonna sobre a própria carreira, que levanta a questão: “Quem a vai substitur?”.
Quando se trata de Madonna, sabemos que não existe, no actual mundo da pop, lugar para estrelas como ela: maduras, lendárias, antigas e, ao mesmo tempo, modernas, multifacetadas e com energia a rodos. Madonna pertence ao palco, aos holofotes, e isso dificilmente alguém lhe poderá tirar. Ela sabe exactamente o seu lugar no panorama actual. E a atitude rebelde, que lhe vem de dentro e lhe é natural, continua a manifestar-se…

A queda que interrompeu a actuação de Madonna no encerramento dos Brit Awards, no mês passado, representa o caos ordenado em que a rainha do pop escolheu envolver-se para a criação de “Rebel Heart”. Derrubada com o puxão de uma capa amarrada ao pescoço, a cantora levantou-se logo em seguida e prossseguiu a interpretação de 'Living for love', single de lançamento do álbum, sem demonstrar abalo após o acidente, que lhe causou uma entorse cervical. “Se eu não estivesse em boa forma, não teria sobrevivido àquela queda. Mas sou forte”, disse a cantora ao The New York Times. A agilidade com que retomou o seu número é a mesma que demonstrou ao combater o download ilegal de 13 músicas de “Rebel Heart”, ainda em estágio inicial, no final de 2014. Madonna antecipou o lançamento de seis faixas já finalizadas pelo iTunes, tornando-se player no jogo ditado pela velocidade da internet. Essa medida acabou por render a Madonna o primeiro lugar do top daquela plataforma em 44 países, incluindo Portugal. E essa “degustação” já dava ideia de um trabalho mais interessante que os seus dois anteriores (“Hardy Candy” e “MDNA”). As críticas foram unânimes! “Rebel Heart” é o melhor álbum de Madonna em 16 anos", é a opinião de quase todos os meios, mas esta afirmação é do site Vice, que considera o novo álbum da Rainha da Pop como melhor que “MDNA”, “Hard Candy”, “Confessions on a Dance Floor” e “Music”.

O álbum completo (25 faixas na versão Super Deluxe de dois CDs) revela uma artista ainda mais ágil em captar tendências, munida de produtores que conduziram a sua música por caminhos mais "frescos" do que os explorados na última década. Kanye West, Avicii e Diplo são os principais guias musicais de “Rebel Heart”, mas é a força de Madonna que transparece como combustível e condutora do novo trabalho. E que tem caracterizado o seu status, conquistado ao longo dos mais de 30 anos de carreira. Parafraseando o jornal i, mesmo quando cai, a Rainha continua de pé!

Madonna vai divulgar “Rebel Heart” com uma tourné internacional, que começa em Miami no dia 29 de Agosto.

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Eis um filme de que há muito deveria ter falado, pois fui à sua ante-estreia na primeira semana de Fevereiro, mas, uma vez ainda em cartaz, estou a tempo de o aconselhar. Este é um filme de ficção cientifica bem animado e cheio de efeitos especiais, onde os realizadores de "Matrix" mostram todos os seus artifícios como cineastas numa obra tecnicamente eficiente.

Tudo gira à volta do nascimento de Jupiter Jones, que auspiciava um grande destino. Jupiter Jones nascera numa noite peculiar, sob sinais que prenunciavam estar destinada a grandes acontecimentos. Já adulta, Jupiter sonha com as estrelas mas acorda todos os dias para a dura realidade de um emprego a limpar a casa dos outros e um outro sem fim de afazeres. Mas quando Caine Wise, um ex-militar geneticamente manipulado, chega ao planeta Terra para a procurar, Jupiter começa a ter uma breve ideia do que o futuro lhe reservava – ela acaba por ser a sucessora em linha de um extraordinário legado cósmico que pode mesmo alterar a ordem do Universo. Porém, apesar de incrédula no que Caine acaba de lhe contar, Jupiter depressa percebe que a sua vida corre sério perigo e que, para sobreviver, apenas poderá contar com a sua própria coragem e a deste desconhecido extra-trerreste…

Realizado pelos irmãos Lana e Andy Wachowski, este é um "thriller" futurista, que conta com Mila Kunis e Channing Tatum nos principais papéis. Desde que realizaram o primeiro “Matrix” que os irmãos Andy Wachowski e Lana Wachowski tentam voltar a fazer um grande filme. As suas continuações decepcionaram um pouco e os filmes seguintes não empolgaram o grande público. Agora, com “Ascensão de Júpiter”, é certo de que ainda não foi desta vez que ambos realizaram um filme tão brilhante quanto “Matrix”, mas na verdade, este filme não pretende ser melhor, apenas ser um belo filme de ficção cientifica e, nisso, cumpre bem a missão.

Completam ainda o elenco Sean Bean, como o mentor de Caine chamado Stinger e Eddie Redmayne, como o vilão de serviço Balem. O orçamento avultado da produção é bem perceptível. A direção de arte, os figurinos, a maquilhagem e os efeitos especiais são, de facto, um deslumbre. A banda-sonora de Michael Giacchino é grandiosa e emocionante, conferindo mais emoção à acção do filme. Inclusive, alguns dos conceitos elaborados pelos Wachowski resultam interessantes, como a explicação científica para reencarnação. Por tudo isso, este é um filme que deleita o nossos olhar e nos entretém. Ainda nos cinemas…

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Mesmo! Pelo menos, no mundo da moda… Parece que o autor da novela “Boogie Oggie” foi visionário, ao revisitar esta década. Do disco sound ao hippie, a moda dos anos 70 está de volta, com toda a sua ousadia e cor. Nas passarelas ou na red carpet, as celebridades têm vindo a mostrar todo o glamour de uma década tão importante para a moda. Exótica, fluida, boémia, "gypsy" – estas são as palavras que dominam o mundo da moda na próxima estação. O look hippie-chic dos anos 70 está mesmo à nossa volta. E as capas de revistas são testemunho disso, da Vogue Portugal à Elle Brasil.

Das túnicas florais da marca Céline e calças boca-de-sino de veludo cotelé da Louis Vuitton, às maxi-saias e turbantes da Saint Laurent, os anos 70 estão indubitavelmente de volta. A designer britânica Bella Freud até baptizou o seu novo perfume com o nome de "1970". E o look "gypset" dos anos 70 está mesmo aí – uma combinação dos termos "gypsy" ("cigano") e "jet set" (que remete à sofisticação), é glamouroso, luxuoso, hedonista e extravagante. Ele evoca imagens como almofadões no chão, incenso, artistas plásticos, estrelas de rock e suas fãs...

Mas o que faz aquela década ser tão influente na moda de hoje? Para o especialista britânico, Dennis Nothdruft, curador-chefe do londrino “Museu de Moda e Têxtil”, tem tudo a ver com o "pêndulo da moda". "Nos últimos anos, tem havido uma abordagem da moda muito rígida, moderna, utilitária, com muita estampagem digital. E o look boêmio dos anos 70 é, exactamente, o oposto disso, representa uma maneira mais relaxada de se vestir", explica. Segundo Nothdruft, "o estilo dos anos 70 parece mais verdadeiro, mais honesto, mais humano. Na actual era digital, as pessoas estão a valorizar mais essas qualidades – e estão também a valorizar experiências e viagens. As grandes redes de confecções chegaram a um ponto de saturação – é por isso que o vintage está cada vez mais popular".

O início dos anos 70 foi uma época de idealismo, radicalismo, anti-consumismo, contestação social e mudanças, com ênfase no debate sobre a igualdade de raças e de gêneros. Mas o “boehmismo” já estava entre nós, muito antes disso: surgiu como uma filosofia que influenciou as artes no século XIX, principalmente como uma rebelião não-conformista contra a ascensão da rigidez burguesa. Foi apenas no fim dos anos 60 e início dos 70 que tal se fundiu com a contra-cultura e com o movimento hippie. E o look hippie começou como um modo de afirmação política, uma espécie de anti-moda, mas logo se tornou na própria moda.

Mesmo assim, os estilistas de hoje querem ligar-se com o mood autêntico e livre dos anos 70. Por exemplo, a marca italiana Valentino convidou a veterana Celia Birtwell, um dos grandes nomes da moda dessa década, para colaborar com sua coleção pré-outono 2015. A mesma é composta por vestidos florais etéreos, com acabamentos em renda e enfeitados com os bordados românticos de Birtwell. Os modelos foram muito aplaudidos, e um deles, inclusive, foi usado pela poderosa Anna Wintour, Diretora da Vogue americana.

Portante, o estilo dos anos 70, eternamente associado à icónica Jane Birkin, está mesmo de regresso! Adiram aos estilo seventies!!!

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Ontem, 1 de Março, a cidade do Rio de Janeiro completou 450 anos. Internacionalmente conhecida como a “Cidade Maravilhosa”, não é de estranhar que o Rio seja motivo de tanto deslumbramento: são tantas paisagens de tirar o fôlego, que não há quem não se encante… Rio de Janeiro, a cidade linda que inspira poetas e artistas.

Sem dúvida, uma das mais belas cidades brasileiras, o Rio foi a capital do Brasil por 197 anos, de 1763 a 1960. Foi a capital do Império do Brasil desde 1822, quando a nação declarou a sua independência de Portugal e conservou esse estatuto até à inauguração de Brasília, em 1960. Mas antes, há exactamente 450 anos atrás, o colonizador português Estácio de Sá desembarcava numa praia entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, onde hoje fica o bairro da Urca, com o objetivo principal de expulsar franceses que tinham se estabelecido na Baía de Guanabara, sem autorização da coroa portuguesa, anos antes, e travar uma guerra contra os índios tamoios. Ali, a cidade de "São Sebastião do Rio de Janeiro" foi fundada, pela primeira vez, no dia 1 de Março de 1565.

Actualmente, é a segunda cidade mais populosa do Brasil, possui o turismo internacional mais movimentado do país e é a primeira cidade olímpica na América do Sul. É, também, um dos principais centros económicos, culturais e financeiros do país, e é internacionalmente conhecida pelos seus ícones culturais e paisagens, como o Pão de Açúcar, a estátua do Cristo Redentor (uma das sete maravilhas do mundo moderno), as praias de Copacabana e Ipanema, o estádio do Maracanã, o Parque Nacional da Tijuca (a maior floresta urbana do mundo), a Quinta da Boa Vista, a ilha de Paquetá, as célebres comemorações de fim de ano em Copacabana e a celebração anual do Carnaval.

Representa o segundo maior PIB do país e o 30º maior do mundo, além de ser a sede de duas das mais importantes empresas brasileiras - a “Petrobras” e “Vale do Rio Doce”, privatizada agora - e também das principais empresas de petróleo e telefonia, bem como detentora do maior aglomerado de empresas de media e telecomunicações da América Latina. É o segundo maior centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, atingindo 17% da produção científica nacional.

Com 6 milhões de habitantes, o Rio de Janeiro é conhecido, mundialmente, como a "cidade maravilhosa", e em termos desportivos, já albergou a FIFA World Cup de 1950, a Copa das Confederações de 2013, a Copa do Mundo de 2014 e também vai sediar as Olimpíadas de 2016. Em termos eclesiásticos, recebeu a Jornada Mundial da Juventude, em 2013.

Muitas são as iniciativas que vão marcar esta efeméride, mas destaco a peça inédita de Joana Vasconcelos, que vai ser inaugurada a 10 de Junho deste ano, chamada “Pop Galo”. Trata-se de um galo de Barcelos com sete metros de altura, revestido a azulejos. A artista explicou que tinha sido convidada pelo Comité Rio450 para criar uma obra de arte pública original e emblemática da relação entre Portugal e o Brasil, para assinalar os 450 anos da fundação da cidade. Assim, como em trabalhos anteriores, inspirados nas tradições e artesanato portugueses, Joana Vasconcelos optou por recriar o tradicional galo de Barcelos, "um dos símbolos inegáveis da cultura portuguesa".
"A obra faz a ponte entre a tradição e a modernidade, e entre Portugal e o Brasil", comentou a artista, acrescentado que terá duas leituras: uma durante o dia, quando o galo mostrar os azulejos que o revestem, e uma noturna, quando se acenderem as milhares de luzes LED que irão cobrir a peça.

Aos 450 anos, o Rio de Janeiro, a cidade que testemunhou e protagonizou diversos capítulos da história do Brasil, tem ainda muitas histórias para contar… Parabéns, Rio! E, para terminar, cito o que afirmou ontem o "Prefeito" da cidade: “Carioca não é só quem nasceu no Rio. Para ser um de nós, basta amar a nossa cidade.”

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Baseado no aclamado livro de banda-desenhada “The secret Service”, de Mark Millar, o filme conta a história dos Kingsman, uma organização altamente secreta de espiões, que recruta um vulgar, mas promissor, rapaz para um programa de treino ultra competitivo na sua agência, assim como uma ameaça global que surge de um desvirtuado génio das tecnologias. E aqui reside logo o interesse deste inusitado filme de ação: um agente veterano Harry Hart, meio lord e algo snob (Colin Firth), resolve ajudar e promover o jovem Eggsy da “ralé” (Taron Egerton), ao recruta-lo para uma escola britânica de espiões. Tudo porque, anos antes, durante uma missão, um dos seus homens morre ao salvar a sua vida… O tempo passa e o filho desse homem que falecera é escolhido por Harry (ou Galahad, pois cada agente tem como pseudónimo ou nome de guerra o de algum dos cavaleiros da távola redonda), para incorporar os Serviços Secretos, só que, para isso, ele tem de completar um treino intensamente difícil, ao lado de outros fortes concorrentes. Paralelamente, Harry e todos na Kingsman começam a investigar um milionário do ramo da alta tecnologia que pretende dominar o mundo (Samuel L. Jackson).

Jack Bauer? James Bond? Jason Bourne? Nenhum deles, mas todos são referenciados e lembrados. É exactamente entre os primeiros filmes de 007 e a versão paródica de Austin Powers que se situa “Kingsman”: o mundo da espionagem contado com humor, surpresa, acção e algum exagero... Depois dos fantásticos “Kick-Ass” e “X-Men: Primeira Classe”, o cineasta britânico Matthew Vaughn volta ao grande ecrã com um filme recheado de grandes estrelas (para alem da mencionadas, Michael Caine, Mark Strong e Mark Hammil) que se reúnem para, mais uma vez, provar que se podem fazer blockbusters de qualidade. A ficção desenvolve-se de forma ora insólita, ora expectável: homens cortados ao meio, egocêntricos vilões, enormes explosões… Só que tudo vem envolto com um charme que conquista o público a partir do primeiro frame.

"Kingsman: Serviços Secretos" é um filme repleto de acção e alguma violência , mas ao mesmo tempo, cheio de elegância. Com um dinamismo fantástico, o filme está feito para não tirarmos os olhos do ecrã: muita acção, comédia e emoção, que se somam na medida certa. E a cada nova cena, um novo riso e um risco acrescido. Com piruetas ao estilo dos irmãos Wachowski, uma vilã (Sofia Boutella) de pernas metálicas e letais, surpresas e traições, “Kingsman” preenche e entretém. Um belo blockbusters inglês, a marcar pontos aos norte-americanos.

Mais em www.bigpicturefilms.pt/kingsman

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Quem não se lembra desta inusitada família? Barbapapa é o nome de uma família de personagens, criada em Paris pela arquitecta francesa Annete Tison e pelo professor americano Talus Taylor, no início de 1970. Segundo a autora, o termo "Barbapapa" é inspirado no francês para a guloseima "algodão doce". Barbapapa, a personagem original, apareceu inicialmente no livro de mesmo nome. É um ser basicamente em forma de um "sempre-em-pé" cor-de-rosa, mas capaz de moldar-se à forma dos mais variados objetos. Mais tarde, juntou-se a ele Barbamama e mais sete filhotes, cada qual dotado de uma cor e de uma habilidade específica, geralmente explicitada nos seus nomes, sempre iniciados com "barba-", assim formando a família Barbapapa. São eles Barbapapa (rosa) – Pai; Barbamama (preto) – Mãe; Barbazoo (amarelo) - Amigo dos animais; Barbatinta (preto-peludo) – Artista; Barbalala (verde) – Músico;
Barbacuca (laranja) – Leitor; Barbaclic (azul) – Desportista; Barbabela (lilás) – Formosa; Barbaploc (vermelho) – Inventor e a cadelinha Lolita.

As personagens, de tão incomuns e diferentes que eram, logo deram origem a uma longa sequência de livros infantis, onde os Barbapapa começaram a explorar as suas habilidades pessoais e polimórficas para resolverem problemas e ajudarem as pessoas. Em Portugal, ficaram mais conhecidos pela série de animação exibida pela RTP no final dos anos 70, embora alguns livros de atividades tenham sido lançados no país, com razoável sucesso. Os episódios da televisão eram curtos e simples e pertenciam a uma série de TV, uma co-produção da Holanda e do Japão, de 1973, que atingiu 45 episódios, exibidos em vários países. Em 1999, os Barbapapa regressaram à televisão com a série "Barbapapa Autour du Monde", na qual a família viaja pelos mais variados cenários do mundo, mas sem grande expressão. Agora, è vê-los em padrões de edredões ou outros adereços, pois graficamente são divertidos e muito coloridos.

Mais info em www.barbapapa.com


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A 87.ª cerimónia dos Óscares realizou-se ontem, domingo, 22 de Fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles. Neil Patrick Harris foi o cicerone de serviço e abriu a cerimónia com um pequeno momento musical, com direito a um pé de dança e um cenário interactivo por detrás, relembrando grandes momentos do cinema. A actriz Anna Kendrick juntou-se-lhe e cantou com ele, num dueto ao estilo “Glee”. O apresentador aproveitou para lembrar que haviam 60 filmes homenageados ao longo da noite, e que há muita magia na cinema.

Qualquer cerimónia de Óscares que se preze, tem sempre alguns momentos altos e este ano não foi excepção. Por exemplo, Neil Patrick Harris surpreendeu as audiências ao aparecer em cuecas durante a cerimónia, numa paródia alusiva ao filme “Birdman’’. Outro dos grandes momentos da noite foi marcado pelos tributos musicais, protagonizados pela cantora Lady Gaga e pelos cantores John Legend e Common. Sem esquecer os discursos, que sempre pautam a noite e, às vezes, incendeiam o público. E ontem também houve alguns memoráveis... Patricia Arquette, quando recebeu o Oscar na categoria de melhor actriz secundária, fez um discurso sobre a igualdade da mulher que causou reações na plateia, destacando-se entre outros, Meryl Streep e Jennifer Lopez. Outro discurso que também surpreendeu foi o de Graham Moore, com o desabafo «Stay weird, stay diferent» que irá ficar marcado na história dos Óscares.

"Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)", de Alejandro González Iñárritu, foi o grande vencedor desta edição dos prémios da Academia de Cinema de Hollywood, ao conquistar quatro estatuetas douradas, entre elas a de Melhor Filme e Melhor Realizador. "Grand Budapest Hotel", de Wes Anderson, também arrecadou quatro Óscares, mas a maioria em categorias técnicas, e o independente "Whiplash - Nos limites" surpreendeu tudo e todos ao receber três galardões. Por seu turno, 'Boyhood', com apenas um troféu, acabou por decepcionar…

Mas fiquem com a lista completa de premiados:

Melhor Filme
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”

Melhor Actriz
Julianne Moore em “O meu nome é Alice”

Melhor Actor
Eddie Redmayne em “A Teoria de tudo”

Melhor Realizador
Alexandro G. Iñárritu por “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”

Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette em “Boyhood: Momentos de uma vida”

Melhor Actor Secundário
J.K. Simmons em “Whiplash – Nos limites”

Melhor Argumento Original
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”

Melhor Filme de Animação
“Big Hero 6”

Melhor Música Original
“Glory” – Selma

Melhores Efeitos Visuais
“Interstellar”

Melhor Argumento Adaptado
“O Jogo da Imitação”

Melhor Banda-sonora
“Grand Budapest Hotel”

Melhor Cenografia
“Grand Budapest Hotel”

Melhor Fotografia
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”

Melhor Documentário
“Citizenfour”

Melhor Montagem
“Whiplash – Nos Limites”

Melhor Montagem de Som
“Sniper Americano”

Melhor Mistura de Som
“Whiplash – Nos Limites”

Melhor Curta-metragem de Animação
“Feast”

Melhor Curta-Metragem
“The Phone Call”

Melhor Filme de Língua Estrangeira
“Ida”

Melhor Caracterização
“Grand Budapest Hotel”

Melhor Guarda-roupa
“Grand Budapest Hotel”

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Após a febre dos super-alimentos, chega agora um novo "capricho" para os viciados das "modas" nutricionais. Por exemplo, porque se conformar com uma toranja e uma tangerina quando se podem comer ambas numa única peça de fruta – o tangela, multiplicando as suas vitaminas? Os híbridos herdam as melhores qualidades de cada alimento “pai”, são mais resistentes e, normalmente, fornecem um maior valor nutricional.

E, mesmo nascendo em laboratórios, não estão modificados geneticamente. Que tal? Antes que estas frutas, legumes e cereais divertidos despertem a ira dos anti-transgénicos, convém esclarecer que estes novos alimentos não sofrem qualquer manipulação de DNA, embora os conhecimentos atuais no campo da genética contribuam para sua criação. Os novos alimentos são resultado do processo conhecido como hibridização, em que os pesquisadores "cruzam" os vegetais sucessivas vezes. Trata-se de um processo de tentativa e erro. Combinam-se duas variedades, plantam-se as sementes, selecionam-se os melhores frutos e faz-se tudo de novo, até se conseguir obter as características desejadas. A diferença é que, actualmente, esse processo pode durar metade do tempo, graças ao uso de marcadores moleculares, que indicam se a experiência está no caminho certo. Esses marcadores moleculares funcionam como mapas dos trechos de DNA, responsáveis por gerar as características desejadas.

Há muito que os agricultores cruzam variedades de uma mesma planta para aumentar a produtividade nas suas lavouras. Agora, esse costume serve um outro propósito: tornar os alimentos do dia-a-dia mais coloridos e práticos de comer. Em alguns mercados, já se podem encontrar legumes, frutas e cereais de aparência surpreendente. É o caso dos pimentos roxos, brancos e em tom de chocolate. Sobretudo nos supermercados europeus, os novos alimentos híbridos são já comuns. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitas mães descobriram que as cenouras do tipo rainbow, vermelhas, amarelas e cor-de-laranja, são um bom recurso para estimular os filhos teimosos a comer mais legumes.

A escola de cozinha Kendall College, de Chicago, anuncia que vão ser cada vez mais populares, pelo seu sabor e pelo seu aspecto. Em alguns casos, as cores dos alimentos, além de cumprirem uma função estética, emprestam-lhe maior sabor e valor nutritivo. Mas Brian Wansik, da Universidade de Cornell, considera que “não vão ter uma presença massiva devido ao seu preço e escala de produção”. O último hibrido a incorporar este "boom", criado pela empresa japonesa Sakata Seed, é o Bimi ou Brocolini (bróculos + couve chinesa).

Temos muitos outros exemplos… A Nano Melancia – mais doce do que a original, uma cor levemente diferente e com peso que não passa de três quilos – esse é o novo produto resultante dos três anos de pesquisa do Dr. Eyal Vardi, CEO da Origene Seeds. O tomate Black Galaxy foi apresentado aos mercados internacionais no início de 2012, mas já tinha conquistado um lugar de destaque em Israel. O ingrediente clássico das saladas escuras foi desenvolvido pela Technological Seeds DM, com um pigmento derivado dos mirtilos. Este Black Galaxy não tem apenas uma aparência exótica, mas também contém concentrações de vitamina C mais altas do que os tomates comuns. A abóbora bolota TableSugar, lançada pela Volcani em 2007 e comercializada pela Origene Seeds, é uma versão mais enrijecida do vegetal. Ela tem duas vezes mais açúcar do que a bolota normal e metade do seu tamanho, com uma casca escura que aumenta a sua vida útil e seu sabor. Além de tudo, ela é imune a doenças como o oídio, que afecta muitas qualidades de abóboras. Outra inovação, desta vez da Hishtil, é a árvore de manjericão em miniatura, uma novidade para solucionar o problema do ciclo de vida curto do manjericão. Combinando dois tipos de manjericão, a Hishtil chegou a uma variedade reforçada que cresce com um tronco rígido e gera folhas aromáticas mais resistentes. A planta pode crescer ao ar livre em climas mais quentes e ser levada para dentro de casa no inverno.

E as combinações vão continuar… Será que estamos preparados para esta nova geração de vegetais e frutas híbridos? Só o tempo o dirá…

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Não é fácil falar de um filme que acaba de estrear e que divide muitos… Quando nem sequer me atrevi a ler o livro que lhe serve de base. Apenas sabia que se tratava de uma história de dominação e submissão entre Christian, um jovem e solitário multimilionário, e Anastasia, uma tímida universitária. Mas “As Cinquenta Sombras de Grey” é a adaptação cinematográfica mais aguardada, dos últimos tempos, do livro best-seller que se tornou um fenómeno global. Desde o seu lançamento, a trilogia "Cinquenta Sombras" foi já traduzida em 51 idiomas em todo o mundo e vendeu mais de 100 milhões de cópias, tornando-se uma das séries de livros mais vendida de sempre. As principais sessões de cinema no fim-de-semana de estreia, principalmente o Dia dos Namorados, estão praticamente esgotadas, um pouco por todo o país. Numa iniciativa inédita de pré-vendas, que arrancou dois meses antes da estreia, a 13 de dezembro, já foram vendidos 47.342 bilhetes para “As Cinquenta Sombras de Grey”. O trailer foi também um dos mais vistos de sempre e o filme promete agora vir a ser um êxito de bilheteira.

O romance erótico da autora inglesa Erika Leonard James foi publicado em 2011 e conta a história de paixão entre uma jovem e inexperiente estudante de Literatura, Anastacia Steele, e um milionário carismático, presidente de uma poderosa empresa, Christian Grey. O filme foi realizado também por uma britânica, Sam Taylor-Johnson e conta com Dakota Johnson e Jamie Dornan nos principais papéis. Os papeis de protagonista podem valer a ambos o passaporte para a primeira liga de Hollywood. Quanto a Jamie Dornan, cedo, este outrora modelo, apaixonou-se pela representação. O seu primeiro trabalho, como actor profissional, foi em «Maria Antonieta», realizado por Sofia Coppola. Ao elenco juntam-se ainda, entre outros, Luke Grimes, como Elliot, o irmão de Christian; Eloise Mumford como Kate, melhor amiga e companheira de quarto de Anastasia; Marcia Gay Harden como Drª Grace Trevelyan Grey, a mãe de Christian; a cantora Rita Ora como Mia, irmã de Christian; Callum Keith Rennie como Ray, o padrasto de Anastasia; Jennifer Ehle como Carla, mãe de Anastasia; e Dylan Neal como Bob, o marido de Carla. “As Cinquenta Sombras de Grey” foi produzido por Michael De Luca e Dana Brunetti, em parceria com E L James, a criadora da série. Kelly Marcel foi a responsável pelo argumento do filme.

Mas, parece que as cenas de sexo em "50 Sombras de Grey" deixam muito a desejar… As primeiras críticas arrasam o filme, sobretudo pela falta de nudez e... sexo. A maioria das críticas publicadas lamentam a falta de sexo, de genitais à vista e de orgasmos, ao contrário das descrições bem explícitas que constam no livro. Por exemplo, o “Entertainment Weekly” escreveu: "Ninguém no filme mostra os genitais. Christian em particular parece fazer muitas coisas sem camisa mas com as calças vestidas, o que não pode ser confortável para um jovem tão ativo". E o que Lisa Schwarzbaum considera mais frustante é que "ninguém transpira, ninguém se empenha, ninguém perde o controlo ou mesmo finge perder o controlo fingindo um orgasmo". Já o Fox News escreve: "Medíocre" é a palavra usada por Justin Craig, que descreve o filme como "moderado" no que toca às cenas de sexo explícito. "Vêem-se cenas mais perturbantes em "Saw" ou na "Guerra dos Tronos." "A realizadora Sam Taylor-Johnson trata o filme tão seriamente como se fosse um cadáver", acrescenta.

De facto, em “As Cinquenta Sombras de Grey” há (e tinha de haver) algumas diferenças entre o livro e o filme. Por isso, o site Huffington Post já enumerou algumas das diferenças. Vejamos as principais, sintetizadas:
- Regras sobre comida e exercício: Quem leu o livro sabe que Ana tinha, no contrato, cláusulas sobre comer regularmente e exercitar-se, algo bastante importante até no livro e que origina várias cenas. No filme, contudo, nada é mencionado.
- O primeiro espancamento: Depois das primeiras palmadas que Ana recebe por parte do seu querido Christian, o protagonista sai de casa, deixando a jovem em lágrimas. Contudo, na história original ele regressa e tenta confortá-la, coisa que não acontece na versão cinematrográfica, onde ele não regressa.
- As bolas Ben Wa: No livro, Christian dá a Ana uma experiência sensorial inesquecível através da mistura das bolas Ben Wa, seguidas de uma sessão de espancamento que, no final, leva ao seu orgasmo. No filme, não há referências a esta cena, que foi a primeira em que Ana desfrutou, realmente, do sadomasoquismo.
- A deusa interior: No livro, Ana está constantemente a falar da sua “deusa interior”, algo que acabou por levar à saturação alguns fãs dos livros. Para alívio desses leitoras, não há menção à deusa interior no filme.
- O espelho no tecto: Na primeira vez que Christian e Ana se envolvem sexual, e que Ana perde a virgindade, pode ver-se o espelho no tecto do quarto de Christian. Nada disto é descrito no livro de E.L.James.

Mas então, o que podemos esperar do filme? Um sociopata e uma sonsa, em 120 minutos de dança de acasalamento? De facto, o filme é algo asséptico e automatizado, pois só assim o sexo poderia ser bem aceite em qualquer sala de cinema. O problema é que, como típico produto do cinema americano mainstream, o filme, por mais ousado e atrevido que queira parecer, acaba por deixar cair a máscara e faz do fetiche uma patologia. Mas não se enganem: “As cinquenta sombras de Grey” não é apenas sobre sexo — e é surpreendentemente bom.

Na maior parte das vezes, é extremamente difícil adaptar um romance popular para o grande ecrã e o que temos aqui é um grande best-seller, recheado com ação sadomasoquista — isto numa altura em que os filmes de Hollywood se tornaram todos “moles”, sem sexo. Eis que as luzes se apagaram e adivinhem? “As cinquenta sombras de Grey” acabou por não ser apenas divertido, mas um filme que também sabe exactamente o que está a fazer. Considerando que o romance trata a relação de Anastasia Steele e Christian Grey com a devida seriedade, Taylor-Johnson e a argumentista Kelly Marcel viram o que podia ser engraçado nesse cenário fetichista. Portanto, o romance foca essencialmente o bondage. Já o filme centra-se mais no facto de Anastasia tentar resgatar o psicologicamente retorcido Grey, tentando ensinar-lhe como amar, em parte por o ir encontrando na metade do caminho dos seus estranhos desejos. Isto até poderia tornar o filme piegas, mas não. E o que o torna envolvente e cativante é Dakota Johnson, uma atriz de charme indescritivelmente estranho, que aplica a habilidade em trazer uma personagem finamente delineada para a vibrante vida. Canalizando tanto as habilidades de seu pai, Don Johnson, e de sua mãe, Melanie Griffith, ela consegue fazer duas coisas opostas ao mesmo tempo. Mesmo quando ela encontra no estilo sexual de Grey um sabor bastante divertido, em cada gesto e expressão ela vai revelando que também o pode excitar. Parece que, com “As cinquenta sombras de Grey”, Dakota Johnson se tornou numa estrela de cinema…


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Alexandre Farto, vulgo Vhils, abriu o ano a acumular uma nova conquista, pouco depois de ter realizado um vídeo para os U2. Este artista de 27 anos, que também realizou um vídeo para os Buraka Som Sistema e cuja exposição recente no Museu da Eletricidade contabilizou mais de 65 mil visitantes, ocupa agora um dos lugares na lista dos melhores da revista Forbes, ao lado de nomes como Jonathan Adler, Simone Rocha ou Christian Siriano. No site da Forbes, pode-se consultar a lista completa na área de Art & Style, e conferir ainda os "30under30" em categorias como "Hollywood", "Música" ou "Ciência". Esta lista dos "30under30" aponta os 30 nomes, com idades inferiores a 30, de diversas áreas cuja influência, poder e reconhecimento marcam o meio em que se movem e trabalham. Cristiano Ronaldo e Maria Nunes Pereira também surgem nas listas "30under30" da Forbes. O futebolista de 29 anos aparece na área de Desporto e a investigadora, também de 29 anos, surge na secção de "Cuidados de Saúde". O artista Alexandre Farto surge na lista "Art and Style". E no sítio da revista na Internet é possível ler-se que Alexandre Farto, de 27 anos, "fez murais em mais de 50 cidades de todo o mundo", sendo que a maioria "mostra rostos, feitos com uma técnica que combina escavação e pintura".

Mas quem é Vhils? Alexandre Farto ou Vhils, como é conhecido na cultura graffiti, é um pintor e também, se é que se pode chamar assim, um grafiteiro português, conhecido, sobretudo, pelos seus grandes "rostos" esculpidos em paredes citadinas. Nascido na Grande Lisboa, no Seixal, iniciou-se em pintura em 1998, com apenas onze anos. Cedo pôs-se a pintar muros de ruas e comboios da margem sul do Tejo. Acabou por terminar os seus estudos em 2008, na University of the Arts, em Londres.

Este artista, a partir das suas raízes do graffiti/street art tem vindo a explorar novos caminhos dentro da ilustração, animação e design gráfico, misturando o estilo vectorial com o desenho à mão livre, aliado a formas contrastadas e sujas, que nos remetem para momentos épicos. Como artista urbano, mais recentemente, as suas obras são fruto do seu ideário e o mundo que o envolve. Desde 2011, ele tem desenvolvido uma nova técnica, fazendo uso de explosivos, grafite, restos de cartazes e até retratos feitos com metal enferrujado, para criar retratos e frases únicos. E é esta sua vertente que o tem catapultado para a esfera mundial dos artistas urbanos, partilhando espaço com artistas como o inglês Banksy ou os franceses Invader ou JR, todos míticos e também conhecidos por trabalharem na fronteira da ilegalidade e mantendo um estatuto de relativo anonimato. Existem trabalhos seus espalhados peloas mais variados locais, como as cidades portuguesas de Lisboa, Porto e Aveiro, além de capitais como Londres, Moscovo, Bogotá, e cidades internacionais como Medellín, Cali (na Colômbia), Nova York, Los Angeles e Grottaglie (sul da Itália).

Agora, é vê-lo trabalhar as ruas como se fossem álbuns de memórias e as paredes como telas gigantes, para nos mostrarem um rosto escondido, coberto pela ruína, onde todos nos revemos. Como o próprio afirma, “gosto de recorrer a processos destrutivos e abrasivos para criar resultados que têm contornos poéticos”. Daí também o seu interesse em trabalhar, sobretudo, com superfícies delapidadas e abandonadas, com objectos que foram desprezados por não espelharem contemporaneidade, por já não acompanharem os tempos. E sobre isso, Vhils acrescenta: “gosto de lhes restituir alguma vida de forma simbólica, de as oferecer como material para reflexão sobre a passagem do tempo, sobre o desenvolvimento sem preocupação, sobre a natureza efémera das coisas”. Por isso, com o mundo a oferecer tantas matérias por explorar, como se de uma grande e potencial tela se tratasse, vamos ainda ver muito mais obras de Vhils para admirar…


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