Ano de 1942. Max Vatan (Brad Pitt) é um espião ao serviço dos aliados que se encontra em Casablanca (Marrocos) para eliminar uma alta patente do Exército de Hitler ali destacada. Ao seu lado está Marianne Beausejour (Marion Cotillard), da Resistência Francesa. Durante a missão, os dois aproximam-se e apaixonam-se. Após cumprida a tarefa, tornam-se amantes e decidem ir juntos para Londres, onde se casam, têm uma filha e vivem felizes. Porém, tudo desaba quando o Comandante Vatan é avisado de que os oficiais ingleses suspeitam que Marianne possa ser uma agente dupla, com ligações aos nazis. A partir daí, as ordens que tem são simples: se ela estiver de facto do lado inimigo, ele terá de a executar com as suas próprias mãos ou será enforcado por traição. Vatan tem apenas 72 horas para descobrir se o que eles dizem é verdade ou se tudo não passa de um teste à sua lealdade…

Este novo filme com Brad Pitt e Marion Cotillard, é um belo tributo à era dourada de Hollywood. Um drama de guerra realizado por Robert Zemeckis (o mesmo de "Regresso ao Futuro", "Forest Gump", "O Náufrago", entre outros), com um ar de fantasia “à antiga”, quando os conceitos de amor e de patriotismo eram mais fortes e exigiam grandes sacrifícios. Robert Zemeckis demonstra estar apaixonado pelo ambiente perdido do cinema clássico, de uma certa idade de ouro, fazendo algumas referências a “Casablanca”.

É pena que um magnífico projeto como “Aliados” seja visto por grande parte do público como “aquele filme” que marcou o fim do casamento de Brad Pitt com Angelina Jolie. Houve alguma especulação de que foi nos bastidores do filme que Brad deu motivos para o divórcio acontecer, ao se relacionar extra conjugalmente com a sua colega de cena, Marion Cotillard. Mas tal não passou de rumores e Marion até terminou as filmagens grávida do seu marido. O facto é que a história é das mais interessantes dos últimos tempos, recorrendo à nostalgia da cinematografia de outrora. Por outras palavras, “Aliados” é um filme dotado de referências, mas vive por si só. E maravilha-nos ao seu jeito… Não percam!

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Em 1941, na revista "All Star Comics" nº8 surgiu aquela que ainda é a mais importante heroína dos “comics” - a Mulher Maravilha. Na altura, ela era como a maioria dos super-heróis da época, ligeiramente diferente do que conhecemos hoje. Bem, “ligeiramente” é como quem diz, porque não há quase semelhança alguma com a personagem da atualidade...

Criada pelo Dr. William Moulton Marston e a sua mulher, Elizabeth Holloway Marston, a Mulher Maravilha era um contraponto aos heróis masculinos da editora Detective Comics. Não foi a primeira heroína dos quadradinhos, mas um pormenor no contrato de Marston com a DC manteve-a como a mais duradoura.

Originalmente, o criador William Marstom nomeou-a de Suprema, mas esse nome foi logo rejeitado por ser muito parecido com o nome “Superman” (semelhança fonética em inglês) e, ento, acabou por ser nomeada Mulher Maravilha pelos editores da DC da altura. Na versão brasileira, já foi erroneamente traduzida como Super Mulher pela editora Orbis e Miss América na época da EBAL. O nome só mudou para o real Mulher Maravilha (em inglês, Wonder Woman) quando a série de TV “Mulher Maravilha” foi exibida no país. Em Portugal, a Mulher Maravilha é traduzida como Supermulher, o que também é erróneo. Supermulher é o nome de duas personagens já existentes na DC Comics, sendo uma vilã do Sindicato do Crime, e outra uma heroína que surgiu em duas aventuras de Super-Homem, e deixou de existir após o episódio “Crise nas Infinitas Terras”.

Tal como o Super-Homem, os poderes dela eram bem menores ao início e as histórias refletiam muito da visão dos Marston. As braceletes por exemplo, eram as “braceletes da submissão”. Se um homem unisse as duas, ela (e as outras amazonas, pois todas possuíam os mesmos poderes) perderia os seus poderes. Os Marston eram adeptos do BDSM e muitos dos seus posicionamentos refletiam-se nos primeiros anos da personagem, razão pela qual acabava por ser uma atividade corriqueira ver a Mulher Maravilha amarrada em algum momento das suas histórias.

E sabem qual o metal mais poderoso da banda-desenhada? As braceletes da Mulher Maravilha. Nunca foram quebrados ou danificados de nenhuma forma. E já foram atacados por balas, lasers, pelo Super Homem, Thor, Darkseid, todo o panteão grego e deuses cósmicos. Diz-se que as braceletes foram feitas por Hefesto, a partir do indestrutível escudo Aegis, de Atena. Elas refletem o poder combinado de Zeus, Poseidon e Hades. A sua outra arma é o Laço de Hestia, também conhecido como Laço da Verdade. E é bem o que o nome implica, a pessoa amarrada com o mesmo vê-se obrigada a responder com a verdade. Tal facto tem a ver com o seu criador, Marston, que também foi o autor do detector de mentiras (polígrafo). Certamente, nasceu dali a inspiração para a criação do laço.

Quanto ao seu mediatismo, a Mulher Maravilha teve algumas representações nos media. A mais célebre foi a série de 1975, com Lynda Carter, muito parecida fisicamente com a Mulher Maravilha dos quadradinhos. Lynda obteve fama nacional, pela primeira, vez ao ganhar o título de Miss Mundo EUA, em 1972, representando o estado de Arizona. Como candidata dos Estados Unidos a Miss Mundo, ela chegou às semifinais. Ao estrear no seu papel de protagonista na série de televisão Mulher-Maravilha, a sua interpretação foi tão perfeita que ganhou a estima dos fãs e o apreço da crítica, fazendo a série durar por três temporadas. Mais de três décadas após ter estreado neste papel, Lynda continua a ser imediatamente identificada como a Mulher-Maravilha. Em 1978, Lynda Carter foi eleita "A Mulher Mais Bonita do Mundo" pela International Academy of Beauty e pela British Press Organization. Quanto à personagem, também teve destaque nas séries televisivas animadas da DC, em particular, na Liga da Justiça. Recentemente, a Mulher Maravilha fez sua estreia no cinema no filme Super Homem Vs. Batman, interpretada pela israelita Gal Gadot. E em 2017 vai ter o seu próprio filme.

Enfim, a Mulher Maravilha tem-se mantido uma personagem relevante durante 75 anos. E já não indo para nova, ela está aí para as curvas e para abraçar causas das Nações Unidas - a Mulher Maravilha tornou-se embaixadora honorária. A cerimónia aconteceu na sede das Nações Unidas, com a presença da Warner Brothers e da DC Entertainment, no passado 21 de outubro. A partir de agora e durante o próximo ano, ela é também embaixadora honorária das Nações Unidas para o empoderamento das mulheres e das raparigas.

Mas uma polémica levantou-se: Porquê uma personagem de ficção da banda-desenhada e não uma pessoa real? Porquê uma boneca que, ainda por cima, tem uma imagem sexualizada? Esta não é a primeira vez que uma personagem de ficção é nomeada embaixadora honorária das Nações Unidas. A fada Sininhom de Peter Pan, já tratou de questões ecológicas, o Winnie the Pooh já olhou pela amizade e os Angry Birds já estiveram associados a questões climáticas. Catarina Furtado, embaixadora de boa vontade do Fundo das Nações Unidas para a População, está convencida de que esta pode ser uma boa "estratégia de marketing" para que se fale neste assunto: "Esta personagem da BD é uma mulher que tem super-poderes. Eu sei que muitas mulheres têm super-poderes e que os utilizam para continuar a sobreviver num mundo muito desigual entre homens e mulheres", afirma.

EM-PO-DE-RA-MEN-TO, uma palavra que se vai ouvir cada vez mais vezes. Uma palavra forte, porque não se trata apenas de conferir poder, mas também de preparar para o exercício do poder em várias esferas da sociedade. No mundo dos homens, a Mulher Maravilha é Diana Prince. Mas, quando se transforma, é uma heroína com super poderes para espalhar a paz e a justiça. E, agora, tem também esta responsabilidade. A super heroína foi escolhida para ser um dos rostos da campanha “All the wonders we can do” (as maravilhas que podemos fazer), que quer ser um impulso para atingir um dos objectivos globais da organização internacional para os próximos 15 anos: atingir a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e meninas.

No fundo, a Mulher Maravilha surgiu como resposta ao Super Homem e, de certa forma, contra corrente. Na altura, a esmagadora maioria dos super heróis eram homens. As mulheres, regra geral, eram apenas as companheiras dos super-heróis, personagens secundárias… Uma super-heroína num mundo de homens, uma embaixadora à altura.




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Chegou esta semana às salas de cinema portuguesas “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los", um filme que recupera o universo mágico Harry Potter. Realizado por David Yates e escrito por J.K. Rowling, esta película inaugura uma nova série de cinco, passadas num universo pré-Harry Potter.

Trata-se de um “spinoff” das aventuras do jovem feiticeiro de Hogwarts, só que a história passa-se 70 anos antes de Potter entrar para a magia. Uma vez “esvaziada” a narrativa dos livros de Harry Potter, os estúdios não queriam deixar escapar a “galinha dos ovos de ouro” que representa J.K. Rowling, tendo conseguido convencê-la, e à equipa responsável pelas anteriores adaptações ao cinema, a criar uma nova saga que garantisse lucros para os próximos anos…

Estamos em Nova Iorque, em 1926. Algo misterioso está a deixar um rasto de destruição pelas ruas da cidade, ameaçando expor a comunidade de magia aos Segundos Salemers, uma facção fanática dos SemMages (denominativo de Muggle, para os americanos) que se dedica a localizar, a expõr e a destruir bruxas e feiticeiros. Ao mesmo tempo, o poderoso feiticeiro das trevas Gelleter Grindelwald foge ileso após provocar estragos na Europa e está em paradeiro desconhecido. Sem se aperceber destas tensões em solo americano, o "magizoólogo" Newt Scamander chega à cidade para encontrar e documentar um extraordinário leque de criaturas mágicas. O desastre começa quando o SemMage Jacob Kowalski deixa escapar algumas das criaturas que Newt guardava nas dimensões mágicas de uma discreta mala de pele…

Uma grave falha no Estatuto de Sigilo, que separa o mundo da magia dos comuns mortais, leva Tina Goldstein a entrar em ação, na esperança de recuperar o seu antigo emprego como Auror, uma espécie de polícia dos mágicos. O rumo dos acontecimentos torna-se ainda mais ameaçador quando Percival Graves, o estranho Diretor de Segurança de Magia da MACUSA (Congresso de Magia dos Estados Unidos da América), lança a responsabilidade do sucedido sobre Newt e Tina. Os dois unem-se a Queenie, irmã de Tina, uma rara Legilimens com a capacidade de ler a mente, e a Jacob, com o objetivo de recuperarem as criaturas perdidas de Newt antes que algo de grave lhes aconteça. Uma difícil missão que irá colidir com os desígnios das forças das trevas e colocar o mundo da feitiçaria e dos SemMages no limiar de um conflito.

Rowling consegue introduzir-nos no universo mágico dos Estados Unidos, com direito a uma presidente, a um congresso e a termos bem diferentes dos quais estávamos habituados. Por isso, quem espera um filme com referências a Harry Potter vai decepcionar-se. Há citações, claro, a personagens como Dumbledore, a feitiços conhecidos (Revelio), a apelidos famosos e às relíquias da morte, mas nada que passe de apenas isso, pequenos apontamentos da realidade inglesa.

O elenco merece destaque, especialmente Eddie Redmayne e Katherine Waterston. Ele não é, de todo, o típico herói, mostrando-se bem desajeitado, mas, ao mesmo tempo, extremamente sensível. Ela, por sua vez, é uma ex-aurora que está determinada em provar o seu valor. Dan Fogler é o “alívio” cómico do filme como o SemMage que aspira a ser pasteleiro. Colin Farrell, Ezra Miller, Samantha Morton, Jon Voight, Alison Sudol, Zoë Kravitz e ate Johnny Depp completam a equipa. O filme está pejado de efeitos especiais e David Yates, responsável por quatro dos filmes da série Harry Potter, continua aqui a ser o gestor das feitiçarias digitais.

“Monstros Fantásticos e Onde encontrá-los” trata-se de uma obra mais madura, onde não falta magia. É, por isso, uma excelente reintrodução ao universo mágico de J.K. Rowling. E também uma expansão que abre inúmeras possibilidades daqui em diante. Os próximos filmes devem explorar a figura de Grindelwald, o seu conflito com Dumbledore e abranger ainda mais a misteriosa história de Newt. Agora, é esperar pelo próximo…

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Loucura e arte não andam necessariamente juntas. Mas, em certas circunstâncias, transtornos mentais podem abrir caminhos inusitados para a criatividade... É o caso de Yayoi Kusama, de 87 anos, considerada uma das mais importantes artistas japonesas da actualidade e que vive há mais de 30 anos e por iniciativa própria, numa instituição psiquiátrica em Tóquio. Segundo o The Art Newspaper, foi a artista mais popular de 2014. E eu, que também aprecio arte, encontrei nela uma história impressionante e até comovedora.

O seu trabalho é uma mistura de diversas artes, como colagens, pinturas, esculturas, arte cénica, de performance e instalações ambientais, onde é visível uma característica que se tornou a marca da artista: a obsessão por pontos e bolas. Todas as suas expressões artísticas possuem algo de surrealismo, de modernismo e de minimalismo, onde se denota o padrão de repetição e acumulação. Além disso, Kusama também se embrenhou na arte da literatura, com romances e poesias, escritas em 13 livros. Alguns dos seus romances são considerados chocantes e surrealistas, com personagens fortes como prostitutas, assassinos e um auto-retrato de si própria como Shimako, enlouquecida em Central Park. Mas, de onde vem tanta criatividade?

Tudo indica que é devido à esquizofrenia de que sofre, que a faz ter uma percepção e uma visão diferente da realidade em que vive. Segundo a própria, ela sempre foi atormentada por visões distorcidas, que a fazem visualizar bolas e pontos. Kusama sofre de transtorno obsessivo compulsivo e alucinações desde a infância. Nascida em Matsumoto, no Japão, numa família bastante repressora, desde cedo, os seus transtornos mentais traduziram-se em arte e na criação de uma identidade visual bem peculiar. A sua mãe chegava a destruir os seus desenhos, mas foram eles que a fizeram escapar do suicídio…

A artista diz sempre que, por sorte, quando ainda era muito jovem, fora a um psiquiatra que entendia de arte. Desde então, luta contra a sua doença, embora, no seu caso, a cura estivesse em criar arte baseada na doença. “Desenvolver a minha criatividade foi a minha cura” — explica Kusama.

A produção artística ajudou Kusama a canalizar suas ideias e manter-se viva. Por causa da guerra, ela teve de passar a sua juventude na “escuridão” de um Japão militarista. Isso fê-la buscar um lugar mais amplo, um mundo exterior em que pudesse expressar-se. Então, foi para os Estados Unidos. Kusama chegou a Nova Iorque em 1957, e lá entrou em contato com artistas como Donald Judd, Joseph Cornell e Andy Warhol. Foi ali que ela começou a fazer peformances, onde pessoas nuas eram cobertas com as suas indefectíveis bolinhas, numa espécie de celebração do amor livre. De certa forma, Kusama e Warhol eram líderes em campos rivais. Eles cortejavam a publicidade e criaram personas mediáticas fascinantes para promover as suas obras. E ambos experimentavam com a criatividade colectiva: Warhol tinha a sua Factory e Kusama tinha as suas orgias e performances. Contudo, há quem considere que ela é a versão japonesa de Andy Warhol.

Kusama viveu nos EUA de 1957 a 1973, período em que produziu o trabalho pelo qual hoje é mais conhecida. E, quando ela voltou para o seu país, com o agravamento do seu transtorno obsessivo, decidiu viver numa instituição psiquiátrica, apesar de usar o seu apartamento a poucos minutos de distância como atelier, para a sua mente inquieta e sem limites O Japão era, e de certa forma ainda é, um país profundamente patriarcal, onde as mulheres não têm as mesmas liberdades que os homens. É também uma cultura demasiado conformista, e o trabalho iconoclasta de Kusama e a sua singular personalidade (sem contar o facto de que ela assume publicamente a sua doença mental) fizeram com que não fosse muito compreendida… até recentemente.

Hoje, ela vive o auge de sua fama internacional, figurando como a terceira artista feminina que mais dinheiro ganhou com o seu trabalho. Foi somente há um par de anos que o seu trabalho ganhou as primeiras grandes exposições internacionais: em 2011, no Reina Sofía, em Madrid, e no Centro Pompidou, em Paris; e, em 2012, na Tate Modern, em Londres, e no Whitney Museum, em Nova Iorque. Sem falar na sua produção de estampados para a marca Louis Vuitton.

As suas obras, já chegam a milhares e podem ser vistas não só em museus no Japão e Nova Iorque, como em várias partes do mundo, como Venezuela, Singapura, Espanha e Brasil, e possuem um valor inestimável. Considerada louca por alguns, o que se pode dizer de Yayoi Kusama é que, mesmo na sua loucura e nos seus devaneios, ela encontrou na arte a fuga e o tratamento da sua doença, tornando-se um dos grandes nomes da Pop Art ainda em vida. Pois, como ela própria diz: se não fosse a sua arte, já se teria matado há muito tempo…








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São Martinho foi um cavaleiro, um monge e um santo. Graças a ele, temos verão ao outono e, também devido a ele, comemos castanhas assadas. Mas qual a história por trás do Dia de São Martinho e as suas tradições? Sempre me interroguei e hoje resolvi aprofundar...

No ano de 337, no século IV, um outono duro e frio assolava o continente europeu. Um cavaleiro, de nome Martinho, seguia montado no seu cavalo quando encontrou um mendigo, que pedia esmola. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada que tivesse para lhe poder dar, pegou na espada e cortou o manto que o aquecia ao meio, cobrindo-o com uma das partes. Mais adiante, encontrou um outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da sua capa. Sem nada que o protegesse do frio, Martinho prosseguiu viagem. Na noite seguinte, Cristo apareceu a Martinho num sonho. Usando o manto do mendigo, voltou-se para a multidão de anjos que o acompanhavam e disse em voz alta: “Martinho, ainda catecúmeno (aquele que não foi batizado), cobriu-me com esta veste”. Reza a lenda que, a partir desse momento, as nuvens negras desapareceram e um sol radioso surgiu. E o bom tempo prolongou-se por três dias.

O milagre ficou conhecido como "o verão de São Martinho". Desde então, na mesma altura do mês de Novembro, o austero tempo de outono dissipa-se e o sol ilumina-se no céu, como aconteceu quando o cavaleiro ofereceu o manto ao mendigo. Portanto, é por causa desta lenda que, todos os anos, festejamos o Dia de São Martinho. O famoso cavaleiro da história era militar do exército romano, que abandonou o exercício para se tornar num monge católico e fazer o bem. São Martinho foi um dos principais religiosos a espalhar a fé cristã pela Gália (atual França) e tornou-se num dos santos mais populares da Europa. Dele diz-se que protege os alfaiates, os soldados e cavaleiros, os pedintes e os produtores de vinho.

Foi a 11 de Novembro que São Martinho foi sepultado na cidade francesa de Tours, a sua terra natal, e é por esse motivo que a data foi a escolhida para celebrar o seu dia. O dia de São Martinho é festejado um pouco por toda a Europa, mas as celebrações variam de país para país. Em Portugal é tradição fazer-se um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Esta é também uma altura em que se prova o novo vinho. Pois, tal como diz o ditado popular, “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.

Além de Portugal, também outros países festejam este Santo. Em França e Itália, à semelhança de Portugal, comem-se castanhas assadas. Já em Espanha, faz-se a matança de um porco, e na Alemanha acendem-se fogueiras e organizam-se procissões.

Quanto ao pormenor das castanhas, e de acordo com alguns autores, a realização dos magustos remonta a uma antiga tradição de comemoração do Dia de Todos os Santos, uma data bem perto do Dia de São martinho, onde se acendiam fogueiras e se assavam castanhas.

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Mais uma vez, com o meu amigo Zé Luís, lá fui ao AmadoraBD, evento cultural que tem uma edição anual, desde 1990, dedicada à banda desenhada. Este ano, face à ligação com a Trienal de Lisboa, o tema do Festival é dedicado ao “Espaço vs Tempo”, ou seja, a representação do tempo e do espaço na nona arte.

De entre as várias exposições, destaco a “Espaço, Tempo e Banda Desenhada”, tema da Exposição Central que explora os conceitos do Tempo e do Espaço na Banda Desenhada e a sua relação com outras artes, em particular com a Arquitectura e o Cinema. Outra não podia deixar de ser, é a de “Lucky Luke, 70 Anos”, onde o Amadora BD, em associação com o Clube Português de Banda Desenhada, associou-se à celebração dos 70 anos de Lucky Luke, já que Morris foi o primeiro convidado internacional do AmadoraBD (logo na sua 1ª edição, em 1990) e, consequentemente, desempenhou um papel importante na internacionalização e credibilização do evento. O aniversário é ainda assinalado pelo lançamento mundial de uma nova aventura de Lucky Luke - “A Terra Prometida”, mas desta vez com autoria de Achdé e Jul.

O Fórum Luís de Camões, na Brandoa, continua a ser o local central do Amadora BD, onde tem acontecido a maioria da programação, mas só até amanhã, 6 de novembro. Ainda estão a tempo…



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Não há como negar… os zombies são muito populares, ultimamente. Eles têm tido o caminho aberto para a consciência pública graças a programas de TV como “The Walking Dead” e a filmes como “Zombieland” e “Shaun of the Dead”. Por isso, agora há quem imagine como seria o universo Disney durante um apocalipse zombie. E vem bem a propósito, no "Halloween".

Por um lado, temos o trabalho do ilustrador americano Jeffrey Thomas que transformou estas lindas princesas em terríveis assassinas, zombies e outros monstros numa série intitulada “Twisted” .Em resumo, elas perseguem apenas duas coisas: sangue e horror!

Já o artista Clocktowerman criou uma série de desenhos que retratam as princesas da Disney como se elas tivessem sido mordidas por mortos-vivos e divulgou-os no DeviantArt. Numa mistura de traços sexy e podridão, ele retrata as singelas e delicadas princesas como se fossem infectadas e se alimentassem de miolos e carne humana.

Mas outro artista também se inspirou na mesma ideia e criou a sua versão de princesas «zumbificadas». O ilustrador americano dos desenhos monocromáticos (bem, o sangue surge em vermelho) denomina-se DeviN.

Felizmente, continuamos nos domínios da fantasia, pois não é agradável ver as nossas felizes memórias de infância afectadas… Que dizer quando vemos as nossas princesas preferidas das Disney transformadas em zombies? Vejam a seguir, mas cuidado! Foram avisados, pois o resultado é sangrento…













Ariel



































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Foi na passada sexta-feira, 21 de Outubro, que o majestoso Palácio do Freixo, no Porto, se engalanou de requinte e glamour para acolher o lançamento de um novo perfume. Por entre mais de centena e meia de convidados, entre os quais figuras do mundo empresarial e do meio social nacional, como Cláudia Jacques, Maria Pinto, Fernando Póvoas, António Pereira Coutinho, Casimira Duarte, Henrique Brust, Miguel Medina e eu próprio, decorreu a apresentação de MY BOOST, a nova fragrância de Manuela Barreira.

No magnífico Salão Douro, num ambiente requintadamente intimista, os presentes puderam testemunhar e surpreender-se com o desvendar de um segredo muito bem guardado, até ao momento, tanto pela criadora do perfume, como pela organização do evento.

MY BOOST é o resultado da criatividade e sensibilidade de Manuela Barreira, empresária do mundo da estética há mais de 24 anos. Sendo uma mulher emotiva, Manuela, ao viver a suprema alegria de ser avó, quis deixar à sua neta, por legado, um presente eterno: uma essência que as unirá, para sempre, num infindável jogo de emoções e sentidos, contribuindo, ao mesmo tempo, para realçar o requinte de todas as mulheres modernas e sofisticadas.

Baseada numa terna história de amor, a fragrância MY BOOST despertou a curiosidade e o interesse de todos nós ali presentes, pela sua frescura e aroma, que é simultaneamente intenso e suave. Num ambiente realmente festivo, pudemos partilhar experiências e homenagear a anfitriã da noite.

Ao som de uma melodiosa harpa, a alegria e a distinção de todos os convidados contribuiu para que este lançamento do MY BOOST se tornasse um memorável evento.


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Em Outubro de 1976 foi editado o primeiro número da TeleCulinária, revista que viria a tornar-se um caso sério de sucesso e a catapultar para a ribalta o seu director técnico por mais de 30 anos, o Chef Silva.

Estávamos a 4 de Outubro de 1976, quando, pela primeira vez, saía para as bancas aquela que é hoje a mais antiga revista de culinária portuguesa. Sob a direção do Chef Silva, a TeleCulinária, totalmente a cores, tinha o preço de 6 escudos. A capa trazia o Bolo de S. Tomé, que logo conquistou os portugueses, enchendo o olho dos leitores. Uma receita filmada e apresentada em televisão, transposta com fotografias para a edição. Mas trazia muitas outras como Sopa de tomate com ovos escalfados, Salada de fim de verão, Carne de porco frita à portuguesa e Pudim de fiambre. A minha mãe comprava todos os números e seguia várias das suas receitas. E, eu, bem pequeno, folheava e regalava a vista…

Quarenta anos passaram e a TeleCulinária continua, ainda hoje, a ser uma referência no panorama gastronómico português. Sim, porque ainda se encontra à venda. Actualmente é, sobretudo, uma verdadeira “escola”, repleta de dicas e truques para os seus leitores.
E lembrem-se, se hoje basta pesquisar na net por qualquer receita para a obter de imediato e em diversas versões, tempos houve em que, quem queria aventurar-se a fazer pratos que não dominasse, era obrigado a recorrer a livros, a revistas ou a assistir a programas de culinária na TV.

Os números alusivos ao Natal e à Páscoa vendiam sempre mais. Com mais páginas, a revista chegava a fazer tiragens de mais de 250 mil exemplares quando saiam estas edições especiais. A minha mãe até as chegava a encadernar, tal eram a preciosidade. Saudades…


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Pois, já devia ter falado sobre este filme há algum tempo, até porque fui à sua ante-estreia, mas o tempo nem sempre me permite escrever quando quero e me apetece, apenas quando posso…

O filme “A Rapariga no Comboio” é baseado no livro de Paula Hawkins, com o mesmo título, que acabou por ser o mais vendido de 2015. Eu digo sempre que o pior erro que se pode cometer é o de se ir ver um filme baseado num livro, que ainda está muito "fresco". Razão pela qual, ainda não fui ver “Inferno”, pois não acabei de ler o livro da Dan Brown. Quando se gosta muito de uma obra, é difícil não se ficar desiludido com a sua adaptação à tela. Por isso, ir ver um filme pouco tempo depois de se ter lido o livro não é, de todo, aconselhável. Neste caso, não tinha lido “A Rapariga no Comboio”, pelo que o filme resultou sinistro e surpreendente.

“A Rapariga no Comboio” foi transformado em filme em tempo recorde: cerca de ano e meio separam o lançamento da versão escrita da sua estreia nos cinemas. Com realização a cargo de Tate Taylor, temos a excelente Emily Blunt no papel de Rachel Watson, uma mulher que luta para manter a sanidade após um difícil e doloroso divórcio. Durante a semana, ela está sempre no comboio, indo e voltando de Manhattan, num lugar à janela, procurando distrair-se e alienar-se da sua vida. Contudo, o percurso torna-se numa grande armadilha, pois o comboio passa em frente à antiga casa que dividia com o agora ex-marido Tom (Justin Theroux), onde agora vive com a nova namorada. Por isso, Rachel prefere manter a sua atenção sobre uma outra casa e desenvolve uma certa obsessão pelos ocupantes do número 15 da Beckett Road. Nessa casa, mora o casal Megan (Haley Bennett) e Scott (Luke Evans). Observando a vida dos dois, durante meses, ela fantasia a mesma, imaginando que a vida deles seja perfeita e tranquila, fazendo deste seu faz-de-conta um refúgio para a separação de Tom. Sem se aperceber, Rachel acaba por se envolver no desaparecimento de Megan, ao mesmo tempo que tudo faz para acreditar em si mesma.

E mais não posso revelar… Desconcertante! Foi esta a palavra que me veio à cabeça quando deixei a sala. O filme de suspense da DreamWorks Pictures, distribuído pela Universal Pictures, resulta surpreendente. É mesmo um bom "thriller", que vale a pena ser visto nos cinemas.

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